Análise: Resident Evil 2 Remake é tudo que você esperava!

Review livre de Spoilers

Nunca é fácil lidar com clássicos, não é mesmo? Quando a Capcom lançou a famosa frase “we do it” para Resident Evil 2, senti na hora um mix de empolgação e preocupação. Ter um dos seus jogos favoritos refeitos em uma engine tão boa quanto a RE Engine é um sonho. Mas o risco de alguma coisa não sair como você, jogador, espera é grande. E é por isso que nós estamos aqui hoje… E aí?! Resident Evil 2 Remake é realmente tão bom quanto o clássico?

Uma rápida introdução para quem não conhece a história de Resident Evil 2. Nele será possível escolher tanto Leon, policial novato que está indo para o primeiro dia de trabalho na polícia, quanto Claire Redfield, que está procurando seu irmão policial, que era o protagonista do primeiro jogo. Ambos se encontram em Raccoon City e descobrem que a cidade virou um inferno infestado de zumbis e monstros.

Sua missão será sobreviver e entender como a Umbrella criou o vírus que dizimou uma cidade.

Ambientação e gráficos

Como você já deve ter visto nos trailers, Resident Evil 2 Remake está simplesmente lindo em suas cutscenes. Além de gráficos muito bem feitos e totalmente repaginados (e até mesmo reimaginados), a ambientação do remake dá um banho não só no jogo clássico mas também em qualquer jogo de terror da atualidade. O efeito de luz com a lanterna, as pequenas luzes do cenário e os efeitos sonoros criam um clima que eu não via há muitos anos em jogos de terror e survival horror.

Os cenários foram refeitos de maneira super fiel ao original, fazendo com que sintamos nostalgia a cada sala da delegacia ou do laboratório da Umbrella. O respeito com o clássico é notório em toda a arte e parte gráfica do jogo.

Os sons começaram a ter uma função importante em Resident Evil 2 Remake . Agora os Lickers são cegos e se baseiam nos seus movimentos, por exemplo. Não só eles, mas chefes do jogo também ficarão atentos ao barulho que você faz de maneira a surpreendê-lo ou até mesmo te atacar de maneira inusitada. Isso faz com que, a partir de um momento do jogo, você tome cuidado ao abrir portas ou até mesmo de sair correndo despretensiosamente. O realismo cresceu em Resident Evil e agora todo cuidado é pouco!

Porém, algo não atingiu a qualidade do clássico: A trilha Sonora! A trilha Sonora do Remake é quase que imperceptível. Isso não é uma coisa muito ruim, já que você realmente precisa prestar atenção nos barulhos das salas ao seu redor. Entretanto, temos que pontuar que a trilha sonora original foi um dos marcos do jogo (entrar numa sala e escutar a musiquinha tema da sala de save era um grande alívio não é mesmo?). Felizmente (ou não) trilha sonora original pode ser comprada separadamente ou com a versão deluxe do jogo. Então até para isso temos uma solução!

Novas mecânicas

O jogo foi refeito e com isso novas idéias, mais modernas, surgiram em sua produção. Para nossa alegria, todas funcionam muito bem e trazem ainda mais estratégia – coisa que nunca é demais para o gênero Survivor Horror.

A grande novidade fica por conta da pólvora. Além de encontrar balas pelo mapa, há também a possibilidade de usar dois tipos de pólvora em diferentes combinações para criar balas para o jogo. Isso é muito legal quando pensamos que além de administrar inventários, também podemos administrar possibilidades. Saber a hora que é melhor produzir balas de shotgun ao invés de mais balas de pistola pode maximizar suas chances quando estiver jogando em dificuldades mais altas, por exemplo.

Há vários cofres e armários com códigos a serem descobertos espalhados pelo mapa. A abertura dos mesmos não é obrigatória, mas renderá bons itens para você prosseguir, como: aprimoramentos para as armas principais, novas armas e pochetes bem anos 90 que irão aumentar o tamanho de seu inventário (isso é MUITO, MUITO útil!).

Além disso, temos uma nova possibilidade de proteção. Durante a primeira parte do jogo, você encontrará tabuas de madeira para colocar nas janelas e se proteger de ataques futuros. Por mais que um corredor pareça tranquilo, se você vir no mapa que provavelmente você irá passear bastante – use as tábuas! O Leon/Claire do futuro da sua jornada agradece!

Angústia profunda

Não sou masoquista, mas minha experiência em Resident Evil 2 Remake me fez pensar o contrário, vou explicar. Quem jogou a versão clássica sabe que em algum momento o Tyrant (famoso Mr. X) irá aparecer e te perseguir como um tanque de guerra e não parará por nada. Como a Capcom já havia liberado a informação e vídeos, mais uma vez teremos que fugir do tinhoso Mr. X.

Contudo, com toda essas melhorias que já mencionei, isso traz uma nova estratégia ao jogo. Ter que andar de sala em sala ouvindo os passos do Tyrant te caçando me deu uma angústia que não sentia há tempos. Dependendo da distância que ele estará de você, os passos ficarão mais altos/pesados ou então mais baixos/brandos, lhe dando certa tranquilidade. E quando o passo está perto, não há o que fazer para ficar tranquilo. Imagine abrir uma porta e dar de cara com ele? O desespero é certo!

E por falar em abrir porta, tem uma novidade muito boa no jogo que aumenta sua dificuldade (assim como o desespero). Os zumbis em Resident Evil 2 Remake abrem as portas! Normalmente bastava passar por uma porta que tudo estava certo, mas não é o caso aqui. É possível que zumbis te surpreendam ao te perseguir é possível dar de cara com uma sala fechada com um zumbi atrás de você.

Boa sorte sobrevivendo….

Problemas com a linha do tempo

Uma boa noticia é que temos as clássicas campanhas A e B. Ou seja, após terminar a campanha com um personagem, você poderá fazer uma segunda campanha com o outro personagem, mas tomando rotas diferentes, novos cenários e puzzles com soluções diferenciadas. Ao mesmo tempo que isso é muito bom, pois você vê o outro lado da história e experimenta novas armas e chefões, por outro lado há um grande problema.

Ao longo da história o famoso William Birkin continua sendo o grande antagonista, como em 1998. Você terá algumas lutas contra ele tanto com Leon quanto com Claire. Porém, o plano sequencial não é perfeito. Por exemplo, se o Leon já lutou com o Birkin no cenário X, a Claire não deveria lutar com ele naquele mesmo cenário sob as mesmas condições.  Isso seria sequencialmente impossível. Acredito que faltou à Capcom uma atenção maior neste ponto para não repetir o cenário de luta e não dar esse tipo de inconsistência no roteiro, isso considerando que os eventos acontecem unicamente.

Vale pontuar que cada campanha tem suas especificidades e momentos únicos, assim como chefões próprios. E não estou reclamando de lutar com o mesmo chefão nas duas campanhas, mas a Capcom poderia ter investido em um novo cenário para dar uma continuidade mais real. Afinal, se existia um momento para isso, seria nesse remake. Até porque é possível observar novos cenários que não existiam no jogo original.

Quem mais tava com saudade da R.P.D.?

Jogabilidade

Podemos dizer que a jogabilidade de Resident Evil 2 Remake é uma grande evolução de Resident Evil 4, graças a fortíssima RE Engine (vale relembrar que quem trouxe a câmera over the shoulder foi RE4). É perceptível como a Capcom trabalhou e evoluiu o que foi visto em Resident Evil 7. O impacto das balas nos inimigos é algo muito novo nos games em geral, já que as balas realmente arrancam pedaços. Atirar várias vezes, ou dar facadas, em um mesmo lugar faz o membro do morto-vivo ser decepado e isso muda sua movimentação e dá a possibilidade de agarrar. Os zumbis ficam para sempre onde você os derrubou. Até mesmo depois de fazer um load ou desligar o vídeo-game. Tudo isso faz o jogo ser único e impressiona a cada detalhe.

A jogabilidade talvez seja sempre o ponto mais criticado quando a indústria tenta refazer um jogo clássico. O medo de não manter a mesma sensação de antes costuma assombrar os jogadores e fanáticos pela franquia. Mas fique calmo, apesar de um número considerável de mudanças, todas caem bem com a série e não estragaram a diversão e experiência.

Hunk – O quarto sobrevivente

O Resident Evil 2 original tinha dois modos extras, que eram o quarto sobrevivente e o tofu. Infelizmente ainda não podemos testar o modo do tofu por não ter descoberto como se desbloqueia ele, mas já fizemos toda a correria com Hunk.

Para quem não sabe, um grupo de soldados bem treinados foi enviado para limpar a bagunça causada pela Umbrella em Raccoon City, contudo, eles não estavam preparados para o que estava por vir e somente Hunk sobreviveu de toda sua unidade. Agora cabe a ele fugir desse inferno.

Não será fácil se salvar com Hunk!

Saindo dessa introdução, você terá uma “campanha” que mistura ação com survival horror em um estilo roguelike. A ideia é que você comece já no seu máximo: Magnum, shotgun, metralhadora e uma arma normal. Além disso, terá cartuchos pra recarregar, pólvora para fazer mais balas, granadas e itens para recuperar a vida. O que parece ser muito fácil na verdade é um grande inferno, pois seu objetivo será sair dos esgotos até um ponto específico da delegacia.

No seu caminho você encontrará o que tem de pior no jogo e em quantidade. Não espere ter tempo para pensar ou fazer estratégias, você será atacado por hordas infinitas de inimigos incluindo Lickers e cachorros zumbis. Além disso, o seu inventário é único (não tem como pegar itens no cenário) e você terá que suar a camisa para administrá-lo e chegar até o seu objetivo.

Conclusão

Resident Evil 2 Remake é tudo que os fãs pediram! O jogo retrata e renova lindamente a história já contada dando alguns detalhes adicionais e humanizando um pouco mais alguns dos personagens secundários. As novas mecânicas entram bem, modernizando o jogo sem deixar de lado a nostalgia. Ver o laboratório da Umbrella refeito, puzzles conhecidos em uma nova perspectiva e inimigos reimaginados é uma maravilha para os olhos e os dedos calejados.

A única grande crítica fica por conta do plano sequencial de tempo entre os cenários de cada personagem. Como esse review é livre de spoilers, não vamos nos prolongar nessa questão, mas os cenários poderiam ser ainda mais interligados, sendo de fato uma só história vista de duas visões.

Por fim, Resident Evil 2 Remake traz terror, suspense e ação de maneira balanceada e inteligente. Mais que isso, o jogo faz a gente ficar ansioso pelos próximas sequências da série. Dessa forma, Resident Evil 2 Remake se consagra, em nossa opinião, como o melhor Resident Evil desta geração de câmeras livres. Seria injusto compará-lo com os os jogos mais antigos, afinal clássicos são clássicos.

Vem Jill! Vem Nêmesis!

notas

Publicado
Gamer há tanto tempo que usa consoles como referência cronológica para lembranças de sua vida. Amante de Mega Man, Resident Evil e Warcraft. Se gaba por ter zerado Battletoads aos 9 anos mas abandonou Bloodborne com 26.

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