Análise: Kingdom Hearts 3 é o fim da história que todo fã queria

Finalmente está entre nós o fim da longa e confusa história de Sora com o arqui vilão Xehanort que quer espalhar a escuridão em todo mundo através de Kingdom Hearts. Abaixo vocês vão poder conferir tudo sobre esse jogo que encerra esse arco da franquia e quais são seus destaques e problemas.

Então vamos lá porque tenho muito a falar.

Antes de começar

Muitas pessoas podem estar entrando de cabeça pela primeira vez neste jogo e talvez pensem: Perdi o 1 e o 2, será que vou entender o 3? Então, primeiro deixa eu corrigir esse caminho natural de 1, 2 e 3. Jogos da franquia foram lançados para tudo que é lugar incluindo diversos portáteis da Nintendo, o PSP da Sony, tem filme canônico e até jogo para celular! Ou seja, não é somente 1 a 3, mas seria algo perto de 0 a 10.

Eu recomendo muito fortemente que vejam um resumo na internet da franquia caso tenha perdido essa grande história. Caso deseje jogar, eu sugiro os seguintes títulos principais: Kingdom Hearts 1 e 2 (PS2), Kingdom Hearts Birth By Sleep (PSP) e Kingdom Hearts Dream Drop Distance (Nintendo 3DS). Vocês jogando esses jogos já terão uma excelente base para entrar em Kingdom Hearts 3. Claro, é sempre possível pegar um resumo no youtube do seu canal favorito.

Aqui disponibilizo o inicio de Dream Drop Distance. E a aqui vocês podem ver a parte 01 e parte 02 (final) de Kingdom Hearts 0.2: Birth by Sleep – A Fragmentary Passage (que faz uma ponte entre Kingdom Hearts Dream Drop Distance e Kingdom Hearts 3).

Por fim, recomendo fortemente verem a animação completa Back Cover que conta a história inicial da franquia, antes mesmo da primeira grande guerra das Keyblades. Ela é fundamental para entender um cena no fim do jogo (já to dando a dica).

E agora vamos para a análise do jogo!

O último embate das Keyblades

Eu não irei entrar sem spoilers de Kingdom Hearts 3, porém, será impossível não citar nomes, personagens e alguns breves fatos desta franquia que está completamente conectada. Ou seja, não verão nenhum spoiler que vá destruir sua experiência, mas não será possível não falar absolutamente nada da história. Então vamos lá!

A história de Kingdom Hearts 3 se passa diretamente após Kingdom Hearts Dream Drop Distance onde Sora falhou em passar no exame “Mark of Mastery” e não conseguiu o poder de acordar. Com todo mundo “no rolê”, cada portador da Keyblade tem uma missão especial para acabar com a escuridão que a Organização XIII promete trazer juntamente com seu líder Xehanort. Por causa da falha no exame, Sora sai com Donald e Pateta para recuperar seu poder perdido, assim com o recuperar o poder de acordar. Enquanto isso, o Rei Mickey juntamente com Riku, estão buscando Aqua, Ventus e Terra, os portadores de keyblade que foram introduzidos no jogo Birth By Sleep de PSP. Por fim, Kairi e Lea (Axel para os íntimos), estão treinando sobre os cuidados de Merlin para se tornar portadores da Keyblade, assim, tendo os sete guardiões da luz.

Isso tudo que acabei de falar não é spoiler, pois é o final de Dream Drop Distance com, no máximo, a primeira meia hora de Kindgom Hearts 3.

Já no lado da escuridão, temos Xehanort (velho) comandando a temível organização XIII tentando espalhar a escuridão no mundo e utilizando Kingdom Hearts para esses fins. Aqui veremos velhos conhecidos da organização, retornando desde Chain of Memories (Game Boy Advanced e PS2). Algo que pontuo como minimamente confuso, é que muitos personagens teoricamente mortos, voltam do mais absoluto nada sem muitas explicações. É simplesmente aceita e pronto. A ideia de Xehanort é fazer com que as 13 escuridões combatam as 7 luzes para que ele possa forjar a X-Blade.

Disclaimer: Se não entendeu porra nenhuma nada do que acabei de falar, então não comece pelo Kingdom Hearts 3, busque os jogos da franquia para conseguir entender esse fechamento.

No jogo você comandará o personagem Sora durante sua viajem para recuperar seus poderes ao longo de diversos mundos da Disney. Fãs de lona viagem poderão ficar um pouco frustrados, pois não verão os mundos clássicos tão explorados nos primeiros jogos. Aqui a Square decidiu tomar como opção as franquias mais novas da Disney como Enrolados, Big Hero 6, Frozen e outros mundos. Vale dizer que gostei muito desses mundos novos, tirando o de Frozen que é o mais fraco de todos (pelo menos ouvi Let it Go mais uma vez, isso valeu o passeio). E de longe meu mundo favorito foi dos Piratas do Caribe que já é o segundo melhor jogo de pirata, depois de Black Flag. Incrível como criaram um jogo dentro de um jogo com exploração, evolução, batalhas navais e mais!

E com relação ao mundo como um todo, tenho um ponto bem negativo (na minha opinião). Nos primeiros Kingdom Hearts a ideia era mesclar os mundos de Final Fantasy com Disney, ou seja, Squall (FF8) trocava uma ideia com o Mickey. Cloud perseguia Sephiroth (ambos de FF7) em sua eterna disputa. Era fantástico interagir com tantos personagens e ver a importância que eles tinham para a franquia, afinal eles comandavam a porcaria da resistência contra os Heartless! Neste último capítulo eles não sem mencionados, quiça aparecem no jogo. Por ser fã tanto de Final Fantasy como dos primeiros jogos de Kingdom Hearts, achei essa uma bola fora sem precedentes!

A única critica que tenho a história, é que o personagem Sora simplesmente não amadurece. Todos personagens (que acompanhamos desde 2002) estão mais maduros e Sora continua sendo a criança boba, inconsequente e sem nenhum planejamento. É possível ver piadas sem graça e implicâncias anteriores à quinta série. Isso em momento algum estraga a experiência, mas foi uma chance perdida de evoluir o protagonista.

Por fim, vale dizer que o final é muito satisfatório e é possível ver muito fanservice no jogo. É recompensador ver certas cenas/personagens/situações. Em especial nas lindas cenas em CG do jogo que são de cair o queixo e parecer que está assistindo uma animação da Disney/Pixar. E aqui vale um aviso, se não gosta de longas cutscenes, esse não é o seu jogo. Em certos momentos fiquei cerca de 20 minutos assistindo o jogo sem jogá-lo. Mas pontuo que elas são excelentes, lindas e me agradaram muito.

Combate excepcional, mas poluído

A franquia Kingdom Hearts é um jogo de RPG, mas seu combate é focado no Action RPG, ou seja, ação frenética com muitos elementos de RPG. E assim também é em Kingdom Hearts 3 onde Sora segue a mecânica de seus mais de 15 anos de história. É possível atacar, pular, esquivar, planar, utilizar magia, itens e mais. Além disso, como qualquer bom RPG, existe a possibilidade de equipar armas, acessórios e equipamento em cada personagem, assim como é possível coletar material pelo mundo e forjar diversos itens.

Saindo do básico que já está presente há anos, vamos às muitas novidades que o jogo traz em seu combate. A primeira podemos dizer que foi inspirada em Final Fantasy 15. Um dos personagens introduzido ao jogo, em forma de mini game, é o pequeno chef, o ratinho de Ratatouille. Ao longo do jogo é possível comprar/achar diversas comidas e fazer diversos pratos no jogo. Essas refeições irão te aumentar uma série de status e “facilitar”a vida durante as fases e chefões.

Indo para a segunda novidade temos a troca de Keybaldes. A verdade é que cada jogo tem seu estilo de “ultimate” do personagem. Ou seja, uma transformação específica que lhe dará mais poder por um tempo limitado. Em Kingdom Hearts 3, será possível equipar até 3 Keyblades e trocar elas durante a luta. Cada uma dessas keyblades pode ter até duas transformações que mudarão os tipos e alcances dos golpes dados, terminando com um grande especial.

A terceira novidade, vem diretamente inspirada em Dream Drop Distance (3DS). Nesse jogo, era possível deslizar sobre trilhos e ficar girando em postes para ganhar velocidade e ataques específicos. Essa mecânica volta no jogo, juntamente com a possibilidade de “grudar” na parede e dar um impulso nela dando mais opções de ataque.

A quarta e penúltima “novidade” são os summons. Ok, não é lá uma grande novidade fazer summons no jogo, porém, eles botaram isso de uma forma levemente diferente. Como falei acima, não iremos visitar as franquias mais antigas da Disney, com isso eles colocaram personagens icônicos como Simba do Rei Leão e Ariel da pequena Sereia para servir de invocação, através da amizade que você tem com eles. Além disso, é possível invocar os dreams que foram apresentados em Dream Drop Distance.

E até aqui sou somente elogios e falo que é impecável o combate em Kingdom Hearts 3. Porém, temos a quinta e última novidade, a invocação das atrações da Disney. Todos se lembram daquele trailer onde invocam um trem colorido para te ajudar, ou então um carrossel, ou um navio pirata e muito mais. Isso é realmente muito legal, mas tem dois grandes problemas: O primeiro, é que fica visualmente poluído no meio da luta. Como a invocação das atrações é aleatória, não dá para controlar o que estar por vir no momento específico, e em espaços apertados, tudo vira uma grande bagunça.

Já o segundo problema é que o jogo fica muito mais fácil ao fazer as invocações. Eu zerei Kingdom Hearts 3 no nível normal em 27 horas e só fui morrer contra os chefões finais na última parte do jogo. Até então achei o jogo um passeio no parque e toda vez que fazia a invocação dessas atrações, o jogo ficava ainda mais fácil. Diversas vezes eu simplesmente ignoravas elas, pois o combo atrações da Disney + transformações de keyblade, te tornam um monstro que não pode ser parado e o desafio vai quase a zero.

Adicionalmente, vale pontuar que com esse mix de jogos e comandos, nós iremos ver inimigos dos principais jogos como os Heartless, Nobodies e os Unversed.

Gummi ship e minigames

Amado e odiado por muitos, o meio de transporte oficial do jogo são as famosas Gummy Ships. Explicando rapidamente, o Tico e Teco (sim, os esquilos) são engenheiros e construíram essa nave que ajuda Sora, Pateta e Donald a atravessarem os mundos da Disney. E tecnicamente ele é um mini game do jogo, mas ele é um minigame obrigatório o que acaba deixando muitas pessoas furiosas.

Felizmente, a Square investiu nesse modo para Kigdom Hearts 3 e que me agradou, com ressalvas. Desta vez temos um espaço aberto que é possível explorar, pegar muitos recursos e enfrentar hordas de Heartless como grandes chefões. Esses grandes chefões eu achei muito legal mesmo. São bem pensados, divertido e desafiadores. Ouso dizer que lembra até um pouco de Star Fox 64, sendo muito melhor que o último Starfox lançado pra Wii U. Já a exploração do mundo juntamente com a luta dos inimigos é ok, mas nada demais. Felizmente é possível driblar a maioria dos inimigos. Quem gostar muito deste modo, pode investir muitas horas nele e até construir suas naves do zero.

Já os outros minigames do jogo são opcionais em sua grande maioria. Como já mencionei, existe a possibilidade de fazer diversos pratos de comida com o ratinho de Ratatouille. Também existe a possibilidade de entrar no livre do Ursinho Pooh e fazer puzzles no estilo Candy Crush. E bem, são muitos os minigames que podem ser inspirados em tower defense, até jogos de tiro com robôs.

Adicionalmente, Sora tem um celular no jogo (Gummiphone) que será possível ter um acesso rápido para todos os minigames do jogo, e cada mundo Disney tem um jogo a ser achado. Alguns deles são inspirados em jogos clássicos como Game e Watch da Nintendo que foi lançado no início da década de 80.

Também será possível tirar fotos ao longo do jogo que contarão como colecionáveis.

Carinho para explicar a história

Independente de quantos jogos da franquia você já jogou, uma coisa é certa: A história de Kingdom Hearts é muito confusa. Sabendo dessa salada doida, a Square fez algo muito legal. Ela tentou ao máximo explicar os eventos do jogo para que o jogador possa se situar minimamente.

Minha recomendação no inicio dessa análise permanece, é importante sim saber o ponto central da história para não chegar perdido neste jogo. Mas é importante saber que caso seja a primeira vez, a Square pensou em você. Antes mesmo de inciar o jogo, a Square liberou 5 vídeos (podem ser vistos aqui também) chamados de Memory Archive (arquivo de memórias). Nele é possível ver e entender um pouco do que aconteceu. Além disso, muitas cenas dos últimos jogos são utilizadas durante o jogo para ilustrar as situações e explicações.

Certamente isso não é a melhor saída para entender a história, mas já ajuda muito e é importante enaltecer a atitude da Square.

Problemas no jogo

E como já demonstrei acima, Kingdom Hearts não é um jogo perfeito e ele tem alguns problemas que me incomodaram.

Três desses problemas eu já relatei acima que é a facilidade do jogo no modo normal, a poluição visual ao invocar as atrações da Disney e o fato do protagonista Sora não evoluir tanto quanto os outros e segue sendo um bobalhão.

Além desses problemas, eu tive encontros desagradáveis com as malditas paredes invisíveis. Muitos pontos eu claramente teria acesso a uma área, mas era impedido pelo mais absoluto nada. Inclusive eu deixei de perseguir um baú grande por causa disso. Uma bola fora, que felizmente não quebra o jogo, mas frustra em alguns pontos.

Além disso, eu não gostei da continuidade do início do jogo. Oras, você inicia falando que perdeu a maioria dos seus poderes e que está fraco demais, inclusive até os inimigos percebem isso. Então como você começa com as invocações das atrações da Disney? Ou então a possibilidade de andar pela parede? E todos os inimigos que estavam supostamente mortos, como voltaram? Transformação de Keyblade?

Meu ponto é, a Square jogou muita coisa nova (e muita coisa muito bem vinda ao jogo), mas não deu nenhum explicação sobre e isso acaba confundindo que está acompanhando a série.

Conclusão

Antes de mais nada peço desculpa por essa análise quilométrica, mas Kingdom Hearts sempre foi um grande negócio para mim e tentei destrinchar ao máximo o jogo que fecha mais de 15 anos de história. E sim, vale muito a pena jogar Kingdom Hearts 3! O final é extremamente satisfatório, as lutas contra os chefões é épica, os visuais são lindos, existem diversas novas mecânicas, a trilha sonora continua sendo absurda e muito mais. Me emocionei em diversos momento, ri de situações e eu efetivamente me envolvi com o jogo. É uma carta de amor aos fãs e é muito bem feito.

Claro, isso não quer dizer que ele seja perfeito. Como mencionei, o início é confuso por problemas de continuidade, esbarrar em paredes invisíveis pode ser frustrante, o personagem Sora continua sendo um grande bobão e não amadureceu muito e a dificuldade normal dele é fácil. Inclusive, recomendo que joguem no difícil.

Mesmo com problemas, Kingdom Hearts 3 é maravilhoso e irá sim satisfazer seus fãs, inclusive com um final lotado de fan service e passando pelos 17 anos da franquia. E vale dizer, ainda veremos mais Kingdom Hearts pela frente.

May your Heart be your guiding Key

notas

Publicado
Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.