Análise: Death end Re;Quest ultrapassa dos limites do fanservice japonês

Compile Heart, eu sei que vocês são uma produtora que investe pesado no fanservice. Isso é bastante claro nas temáticas dos jogos que vocês produzem, mas as vezes, vocês pisam feio na bola. Existem alguns limites e eles não foram nem de longe respeitados em Death end Re;Quest. Esse jogo conseguiu por diversas vezes me tirar do sério enquanto eu o jogava.

DeRQ conseguiu ser ainda mais apelativo q Fairy Fencer F com sua seminudez e isso me deixou constrangido, e bem, complicado que em 2019 as desenvolvedoras tenham de se apoiar na exploração sexual, em sua maioria, de personagens femininos. Parafraseando, tenho zero problemas com a utilização de conteúdo sexual ou apelativo, contanto que, em primeiro, faca sentido para o contexto do game e em segundo, que seja de forma equalitária, ou seja, vai expor mulheres, exponha homens também.

Tento ser o mais imparcial o possível no texto na seguir mas deixo essa introdução para que saibam o motivo de toda a minha frustração com esse game.

Ambientação

DeRQ tem uma premissa que está se tornando cada vez mais comum nos games. A de ser um pessoa que interpreta um personagem num mundo virtual, aqui estamos jogando World Odyssey um jogo desenvolvido pelo personagem principal, Enigma, Arata Mizunashi, um jovem desenvolvedor bem introvertido com todos os clichês de um anime lollicon.

O jogo te coloca na pele de Shina a personagem principal do game, também personagem da game Director Shina Ninomiya, que está desaparecida há um ano desde que houve algum problema nos servidores do game e o jogo ficou infestado de bugs. Shina acorda em sua casa dentro de World Odyssey sem traço algum de memória, Arashi já havia desistido de jogar e desenvolver o jogo por conta dos acontecimentos do ano anterior, mas recebe uma notificação que Shina estaria online no jogo.

Logado, ele se espanta em encontrar a personagem de sua ex companheira de trabalho, mas decide fazer tudo que estiver ao seu alcance para poder descobrir o paradeiro de Shina e entender como o jogo foi reiniciado depois de tanto tempo, em sua jornada vai revisitar lugares que havia abandonado, encontrar antigos colegas de trabalho,  e entender um pouco mais dos processos que levaram a queda de World Odyssey.

Mecânicas

Pode parecer confuso (e é), mas sim o jogo te coloca na pele de dois personagens de mundos completamente diferentes, a maior parte do jogo é jogado com Shina no World Odyssey, contudo você é obrigado a jogar com Arashi em muitos momentos, e aqui temos o único ponto positivo do game, pois ambas as jogabilidade são completamente diferentes, porém extremamente complementares, me explico.

A jogabilidade de Shina é tudo o que já estamos acostumados com jogos da Compile Heart, JPRG, batalhas de arena por turno, onde os personagens conseguem andar livremente e atacar em qualquer direção desejada respeitando os limites de seus equipamentos e ranges de suas habilidades. Já a jogabilidade de Arashi é completamente investigativa, você precisa visitar lugares, conversar com pessoas, entender coisas do passado e talvez o mais importante, ajudar Shina e suas companheiras na jornada delas.

Aqui o jogo teve não só uma boa intenção como também uma boa execução, esse sistema não só funciona bem, como também é interessante. Talvez alguns players fiquem travados na quantidade de diálogos que o jogo tem, mas é bem padrão dos Jogos da Compile Heart, os jogos se assimilam a novels, com muitos textos e imagens estáticas, eu gosto muito de ler então não tive problemas com isso, mas já aviso que é massivo. Arashi pode ajudar as garotas desbloqueando caminhos, indicando áreas “secretas” e mesmo durante o combate ele tem suas formas de ajudar, seja buffando as garotas ou debuffando os inimigos.

Existe a mesma mecânica de transformações que permeia jogos da desenvolvedora, e é justamente aqui que temos o maior problema do game (tem vários outros que vou citar na conclusão, mas esse… esse me deixou boladão). Bom, como sempre as garotas podem se transformar como se fosse uma coisa meio Sailor Senshii, massssssssss, TODAS, completamente TODAS as transformações são abusivamente sexualizadas, as garotas ficam “quase” completamente nuas, e esse “quase” é bem “quaaaase” mesmo, pois seus órgãos genitais ficam cobertos por finas tiras, em alguns casos, só um paninho caído, alie isso fato de existir uma gravidade em seus seios. Completamente absurdo isso!

Gostaria eu que acabasse nisso, mas para ajudar a toda essa sexualização desnecessária, ainda temos uma personagem. Al Astra, essa personagem tem claramente por volta de 10/12 anos de idade se não menos, no jogo é “justificado” pelo fato dela ser uma inteligencia artificial, logo sem sexo e sem idade, mas NÃO, isso não se faz. Fora alguns closes desnecessários nas meninas para atender a uma classe de jogadores que não deveria ser o foco em pleno 2019.  Vou colocar aqui em baixo os perfis dos personagens, mas não as imagens delas transformadas.

Conclusão

O mais estranho é que a premissa inicial assim como o disclaimer do jogo me remetiam a algo mais sombrio. Exitem cenas violentas, nos primeiros minutos do game você presencia um personagem ter sua cabeça arrancada por um monstro e em seguida ser devorado por ele. Essa entrada me deu uma expectativa totalmente diferente do conteúdo que me aguardava.

Alem de ter passado de um jogo tenso para um jogo altamente sexista, ainda há outros “vícios”, como por exemplo, quando se corre por um tempo a personagem principal começa a “arfar”, mas claramente em tom sexual, e isso vai te acompanhar pelo jogo por muito tempo, então em muitos momentos eu apenas fui nas opções de desliguei o Sfx pois não aguentava a Shina gemendo o tempo todo.

Enfim, acho que foi o primeiro desastre que peguei da Compile Heart, gosto de muita coisa que ela lança, Neptunia que o diga, mas Death End Re;Quest é um jogo que eu não quero ter de jogar novamente…

Me desculpem se a emoção falou mais alto durante o review, mas é impossível em 2019 ignorar coisas do gênero.

Câmbio, desligo!

notas

Publicado
Gamer, Gaymer e muito orgulhoso! Descobri os videojogos com 7 anos de idade, de lá para cá foi uma ladeira sem fim, horas gastas em frente a televisão e muita, mas muita mesmo, história para contar, vivi tantas vidas quanto consigo me lembrar, e quer saber? É muito bom não ser a si mesmo!

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