Análise: Blazing Chrome – o nostálgico e difícil jogo BR

A cada nova análise de um jogo feito por brasileiros eu me impressiono mais com a qualidade que estamos chegando e como fomos (e somos) influenciados por jogos de nossa infância nos anos 90. Os jogos retro estão voltando com tudo e o Brasil, não poderia deixar de mostrar seu potencial também no mercado de jogos digitais.

Nossa próxima aposta (e que aposta) é Blazing Chrome da brasileira Joymasher – um jogo que se inspira muito em Contra, Metal Slug e, para mim, Battletoads. Vamos ao review:

Personagens e duração

Blazing Chrome é um run n’gun muito parecido com a dinâmica de Contra onde vários inimigos vão aparecer na tela e você tem que se virar para dar conta de todos sem deixar eles se aproximarem demais. Uma boa adição ao gameplay clássico foi o golpe melee que você pode dar aos inimigos que se aproximarem demais, normalmente matando em um hit ou dois. Isso em alguns chefes pode ser bem útil!

Em Blazing Chrome você começará podendo escolher entre 2 personagens e liberando mais 2 após zerar o jogo pela primeira vez. As duplas de personagens tem basicamente a mesma dinâmica: um ataque mais fraco com maior alcance e um ataque mais forte com um alcance menor, no caso da dupla que é desbloqueada.

A história é genérica e pode ser deixada de lado, nem parece ser o foco aqui. O importante é saber que o jogo possui 4 mapas de início, que podem ser escolhidos na ordem que o jogador achar melhor, e outros 2 aparecerão em sequência para finalizar a campanha. Cada cenário tem seu nível de dificuldade e conta com sub-chefe e chefões com boas mecânicas de combate trazendo um bom desafio (como se precisasse de mais). O jogo parece curto e será se você não dar uma chance para a segunda zerada em nova dificuldade e novos personagens ou alguns dos modos como o Boss Rush ou uma espécia de desafio reverso onde você deve fazer os mapas andando para a esquerda ou invés da direita.

Pelo mapa você encontrará caixas que darão armas com padrões de tiros diferentes, 1 vida extra e robôs que lhe darão velocidade ou proteção. Você só perde a arma se morrer enquanto estiver usando-a. Isso traz um bom gatilho de estratégias para o jogo já que você pode guardar a arma para um momento decisivo do jogo e deixar tudo um pouco mais tranquilo, como em chefes e frames com muitos inimigos.

Um jogo que preza e necessita da habilidade do jogador

O primeiro ponto que vem a mente, inclusive pela primeira pessoa que jogou Blazing Chrome no Última Ficha, foi sua dificuldade elevada. Seus continues limitados e quantidade de inimigos faz com que correr desvairadamente se torne um grande erro. Pular, agachar e rolar para fugir de projéteis inimigos é essencial e você não irá progredir no jogo, em suas dificuldades maiores, caso não se atente a esses movimentos. Aqui, é muito mais importante não tomar dano do que matar inimigos rapidamente.

Além das já mencionadas dificuldades de cada fase, você também irá escolher o padrão de dificuldade do jogo e isso implica diretamente na quantidade de vidas, checkpoints e continues que você terá em sua jogada. Como sempre os mais experientes podem começar diretamente no nível Normal e ir pegando o jeito para enfrentar as dificuldades superiores. Enquanto novos jogadores deveriam ir primeiro no fácil. Por mais degradante que isso possa ser para algumas pessoas, conhecer os cenários antes de enfrentá-los em dificuldades maiores pode poupar bastante tempo da sua vida e frustrar bem menos que o normal – então fica a dica.

Obrigado a você!

Blazing Chrome acabou se tornando uma ótima surpresa em 2019. Em meio a grandes promessas e lançamentos importantes, o pessoal da Joymasher entregou um super jogo tupiniquim cheio de referências para os mais saudosos, com uma qualidade absurda de gráficos e filtros de imagem, trilha sonora empolgante e um gameplay/replay de dar inveja em muitos jogos que tentam trilhar esse caminho.

Blazing Chrome é simplesmente viciante e merece ser jogado por todos que gostam do estilo run n’gun e shooter plataforma. Indicado para aqueles que gostam de bons desafios ou que simplesmente querem apoiar o mercado, super, promissor de jogos do nosso país!

notas

Bruno Degering

Gamer há tanto tempo que usa consoles como referência cronológica para lembranças de sua vida. Amante de Mega Man, Resident Evil e Warcraft. Se gaba por ter zerado Battletoads aos 9 anos mas abandonou Bloodborne com 26.
Botão Voltar ao topo
Fechar