Análise: Wolfenstein: Youngblood – não entre nessa sem um amigo

Wolfenstein é uma franquia de sucesso que vem se renovando ao longos dos anos. O jogo não só é um clássico do gênero Fake 3D 2.5D raiz como conseguiu agradar os novos jogadores com seus últimos jogos para essa geração. Como toda franquia de sucesso, cedo ou tarde um Spin Off chega – e aqui não é diferente. Vejamos o que Youngblood e as filhas de Blazkowicz tem a nos oferecer:


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Um FPS Coop contra Nazis

A história por trás do jogo é simples e direta: durante uma vida calma e “pacata” com sua família, Blazkowicz vai “comprar um cigarro” e nunca mais volta. Dito isto, suas filhas destemidas, animadas e malucas peculiares, decidem ir atrás do pai sem um grande plano nem experiência, somente seguindo uma pista que ele estaria em Paris.

Após  algumas missões iniciais do prologo e seu encontro com a resistência, você irá desbloquear o mapa do metrô que nada mais é que um teletransporte para as áreas que você irá conhecer e fazer suas missões principais e secundárias. Indo para esses lugares você deverá seguir o caminho para seu objetivo passando por guardas, robôs, alarmes, tenentes, drones, cachorros e mais um monte de possíveis inimigos.

Você constrói sua personagem escolhendo suas habilidades, modificando suas armas e seguindo uma básica árvore de skills. Aqui o interessante é pegar cada vez mais espaço para vida, armadura e munição – basicamente é isso que você precisa em Youngblood.

Stealth ou Rambo? Nem precisa escolher

Logo no início do jogo a mecânica de Stealth é apresentada e devido ao silêncio e comportamento das personagem na cutscene inicial, fica parecendo que o jogo de fato irá precisar dessa habilidade (assim como os jogos anteriores da franquia para essa geração), porém, não é bem por aí. Ser furtivo será frustrante e desnecessário. Isso se dá ao fato de que os inimigos tem um sexto sentido falho de presença (as vezes x-men e vezes Jar Jar Binks) e que não há a possibilidade de carregar um inimigo e esconder seu corpo, então não demora muito alguém irá acionar o alarme.

Então não se preocupe com isso, pense no jogo como um FPS puro, coop e se apegue a diversão das armas barulhentas e customizáveis que o jogo possui. Em alguns momento tudo fica frenético até demais, então coordenar uma investida para que as duas personagens não caiam ao mesmo tempo pode deixar tudo mais fácil e seguro.

Wolfenstein? RPG? Que?

Mas então Youngblood falha como um Wolfenstein? Não necessariamente. A jogabilidade do jogo ainda segue muito o que estamos acostumados com a franquia. Leia-se: um corredor escuro com rastros de tiro passando e nazistas reduzidos a pedaços. Poucos jogos de FPS conseguem ser tão prazerosos quando estamos atirando como os da Bethesda e Youngblood não chega a falhar nesse ponto. Atirar ainda é a melhor parte do gameplay – o problema é quem está recebendo as balas.

Com o intuito de criar um sistema de progressão por level, a Machine Games e a Arcane Studios decidiram deixar o jogo um tanto quanto RPGzado. Os inimigos possuem níveis que você realmente precisa alcançar para bater de frente. Chegar na frente com dois níveis abaixo de um simples soldado pode te render uma tela de loading em um tiro ou dois somente. Não precisa achar que é bom e falar que vai conseguir, o jogo simplesmente não foi desenhado para tal demonstração de habilidade.

Isso faz com que parte do mapa fique impossível de ser acessado, forçando você a ir para as missões secundárias que seguem uma linha simplória demais pra se tornar algo que seja lembrado. Aperte um botão, pegue um papel, pegue um disquete, leia o que tem no disquete e pronto… tudo passado por um rádio, sem intimidade, sem NPCs interessantes – completamente burocrático. Ficar indo e voltando nos mesmos lugares para fazer missões sem graça é um tanto quanto chato – ter um amigo é realmente necessário no jogo, ao contrário você não terá com quem conversar durante todo esse tempo de repetição.

Os acertos de Youngblood

Chamar um jogo pelo nome de uma franquia de sucesso tem seu risco. As pessoas compram o jogo querendo sentir as vibrações que tiverem no jogo anterior. Querem um protagonista forte, uma história a altura e personagens interessantes que as remetam a uma continuação ou mais detalhes do mundo que elas aprenderam a gostar. Com isso, as críticas podem vir fortes também quando algo não sai bem como era esperado – mas nem tudo é ruim.

Jogar com um amigo, atirar com as já conhecidas armas de Wolfenstein e tentar sobreviver aos “Nazis” é o que realmente deveria ter sido o foco na criação de Youngblood, essa é a parte que funciona! Apesar de erros básicos e grosseiros demais para serem deixados de lado, o jogo é bem divertido. Depois que você passa pela parte massante de subir de level e o jogo se torna realmente um Action FPS (pau a pau você e seus inimigos) tudo acontece da melhor maneira. As mortes na surdina voltam a ser uma estratégia um pouco mais aceitável, os pontos fracos realmente tiram uma boa quantidade de vida e a coordenação com o segundo jogador para abater os inimigos também flui bem.

O ponto alto do jogo, na minha humilde opinião, está nos chefes de cada distrito. Apesar de não serem muito diferentes, existe uma mecânica para derrotá-los (ou ao menos não morrer muito rápido) que diverte e surpreende em primeiro momento – como exemplo o primeiro chefe do jogo que parece ter conseguido suas habilidades com um inimigo do jogo Diablo 3.

Bons tiros e só

Quase tudo na vida é melhor com amigos. No caso de Youngblood essa é uma obrigação! Jogar o jogo sozinho faz os problemas do jogo serem realçados à um nível que levará ao abandono e esquecimento em muitos casos. Então tenha isso em mente na hora de comprar o jogo.

Gostou do nossa análise? Confira aqui ela em espanhol.

Embora seja divertido atirar, faça com um amigo

Visual, ambientação e gráficos - 6
Jogabilidade - 6.5
Diversão - 5.5
Áudio e trilha-sonora - 6
Enredo e Protagonistas - 4

5.6

Só compre se for dividir com um amigo

O jogo funciona na parte da diversão coop e no tiroteio caótico que ele gera. Mas falha em quase todo o restante. As personagens não são carismáticas e você não consegue se identificar muito com elas. O design de missões não agrada apesar da estrutura e ambientação dos cenários serem bem interessantes com muitos lugares fechados e ligações por dentro dos prédios. E por fim, um sistema de levelling (RPGzado) que parece ter sido mais um tiro no escuro do que algo realmente pensado e testado. *Apesar de divertido, o coop de Youngblood segue uma ideia já antiquada de dois personagens soltos pelo mapa. Não há de fato uma colaboração entre eles (além de abrir portas e baús). Temos outros jogos que já subiram a barra do que esperar de um jogo cooperativo e as grandes produtoras e publishers não podem seguir como se eles não existissem. A evolução é necessária e a falta da mesma será sentida em poucas horas de jogo. Como dito anteriormente, o nome de uma franquia leva consigo uma carga de fãs e seus hypes - Youngblood até agrada com seu cooperativo e tiroteios frenéticos - mas falha como jogo da franquia Wolfenstein.

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Bruno Degering

Gamer há tanto tempo que usa consoles como referência cronológica para lembranças de sua vida. Amante de Mega Man, Resident Evil e Warcraft. Se gaba por ter zerado Battletoads aos 9 anos mas abandonou Bloodborne com 26.
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