Análise: Exception mescla Meat Boy e Mega Man

Quase dá 100% certo, quase

Jogos de plataforma me agradam, muito. Games de plataforma de alta intensidade me agradam ainda mais. Faz muito tempo que eu não pegava em mãos um título realmente frenético que me fizesse passar de fase atrás de fase sem parar, na velocidade, sem ter nem tempo para uma pequena pausa. Acho que a última vez que isso me ocorreu foi com Super Meat Boy. Felizmente eu consegui encontrar novamente isso em Exception, jogo indie que chegou hoje às lojas digitais.

História

A história é simples, engraçada, mas que ao mesmo tempo susteta sutilezas de complexidades sociais. O computador de uma velhinha desavisada é invadido por um vírus no momento em que ela clica em um anúncio misterioso na internet e cabe ao herói principal salvar o sistema desse grande mal. Sim, o jogo na verdade se passa em âmbito microscópico dentro do sistema do PC dessa senhora onde inimigos, amigos, vilão e herói são componentes desse mesmo sistema operacional, personificações desses hardwares e softwares.

Porém, o funcionamento do sistema, chamado de Sistema, é complexo e mostra uma estrutura economico-social estruturada, que é quebrada com a chegada do virus, chamado de Titan. Titan, então, usa táticas de manipulação de massas para implementar uma ditadura a seu bel-prazer, recheada de censura, perseguição a dissidentes e falsa propaganda.

Como o jogo se pauta muito mais na mecânica do que na narrativa, tudo isso é claramente opcional. A história vai sendo contada a cada chefe que derrotamos e temos sempre a opção de deixar para assistir a cutscene depois – ou até mesmo nunca.

Jogabilidade

Falando justamente sobre sua mecânica e jogabilidade, ao contrário de Super Meat Boy, Exception tem um sistema de combate. Nosso protagonista carrega uma espada para cortar seus inimigos, como o Zero de Megaman X – o jogo conta com muita similaridade estética ao antigo game do robô azul. Então há uma mescla de movimentaçao rápida e frenética com um combate simples e que dá muito certo. É possível não matar um único inimigo, ou cortar ao meio todos no meio do caminho para terminar a fase o mais rápido possível. Para dar um sabor a mais e um desafio extra, o jogo conta com um placar online onde seu tempo briga pela primeira colocação no ranking mundial de cada fase.

A crítica fica pelo fato de que o combate é simples até demais sendo, na maior parte do tempo, um simples empecilho. Os inimigos não possuem uma variedade real, ficando muitas vezes limitados ao visual e à movimentação de seus modelos pelo mapa. Mesmo tentando manter o dinamismo do gameplay rápido, acredito que é posível dar mais personalidade a alguns inimigos e manter a proposta. Os chefes também deixam a desejar sendo muito fácies na maioria das vezes.


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Visuais e detalhes

Os visuais são incríveis, cheios de efeitos, partículas, cores e muita luz. O cenário se aproveita da capacidade 3D e muda de forma e direção conforme você avança pelas fases. Cada estágio do jogo tem uma estética própria, diferenciando bem a evolução da aventura em direção ao confronto final. O design dos inimigos é bom, mas nada muito incrível também. O melhor é que todo esse investimento visual não atrapalha em nada a performance, muito pelo contrário, o game é fluido.

Infelizmente a exploração do aspecto 3D do cenário acabou ficando um tanto limitado ao visual. Quando assisti o trailer de lançamento, achei que a possibilidade do cenário em mudar de forma apresentaria uma gama de puzzles e possibilidades diferentes de terminar a maioria das fases, mas na prática o que vi foi o oposto, com algumas excessões. O desafio acaba ficando para os colecionáveis que realmente requerem um pouco de estudo dos seus arredores.

O jogo contém uma boa trilha sonora que casa muito bem com o visual e o ritmo rápido de Exception, indicando qual faixa e artista/banda está tocando. Nada muito focalizado ou em relação de simbiose com outros efeitos sonoros, mas cumpre bem seu papel de deixar o jogador na animação.

Veredito

No geral, a animação com o efeito Super Meat Boy do início do jogo foi se apaziguando com o passar do tempo, pois percebi que Exception é consideravelmente mais fácil. Ao reconhecer Titan, o chefe final eu fiquei curioso “ué, já é o final?”, pois esperava efrentar níveis de dificuldade grande a partir de certo ponto. Ao contrário, o jogo como um todo foi tranquilo, com algumas poucas fases mais desafiadoras. Como falei, tanto os inimigos quando o design das fases poderiam ter tornado a experiência mais complexa. Exception, portanto, é mais um bom jogo de plataforma que promete muito, mas acaba devendo um pouquinho. O placar mundial pode trazer um desafio a mais, principalmente para os speedrunners e streamers por aí. Tendo sido desenvolvido por apenas uma pessoa, Exception é sem dúvida um grande feito e amantes do gênero vão amar. Eu, particularmente, adorei!

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Ricardo Carvalho

Ricardo Carvalho é escritor, desenhista, filósofo de sofá, cineasta frustrado e ativista pela aceitação mundial de que videogame é arte. Redes: twitter.com/perfilricardoc, instagram.com/perfilricardoc.
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