Análise: Control é a loucura mais prazerosa e surpreendente de 2019

Um dos melhores jogos do ano, sem duvidas

Esta é uma análise sem spoilers crítos à história!

Control, este jogo completamente maluco, inesperado e surpreendente, foi inicialmente apresentado na E3 de 2018. Aquele trailer não mostrava, nem de perto, o que o jogo é. Tive acesso durante a E3 a pequenos trechos de gameplay do jogo e, mesmo assim, eu não tinha muita ideia do que esperar. Não entrei em nenhum tipo de hype e sequer contei os dias para o lançamento. Esta pode ter sido a chave para a minha extrema satisfação de poder estar jogando Control. Quando você joga um jogo em que você não espera muito, mas recebe DEMAIS em troca, a experiência é fantástica.

Pense em algo totalmente diferente do que você já jogou. Algo único, aliado à um enredo e histórias que te dá sede pela solução dos casos, que te instiga a saber mais e mais do que está acontecendo, história esta que é lhe dada bem aos pouquinhos, te deixando com uma sensação de estar perdido e não saber bem o que você procura.

Nesta receita, acrescente temáticas de poderes sobrenaturais, telecinese, habilidade de flutuar, uma arma apenas que se modifica para diversas formas (sim, uma arma se transforma em um pequeno arsenal ao toque de um botão) e outros poderes extremamente úteis para o desenvolver do jogo. Ah, uma pitada de gráficos excelentes, física incrível, mapa completamente destrutível e útil para sua telecinese. Refogue tudo isso com expressões faciais realistas, que te fazem crer que os personagens são reais, com que você sinta seus sentimentos momentâneos. Para enfeitar o prato, coloque diversos personagens carismáticos. Mesmo aqueles que aparecem por poucos minutos no jogo, serão lembrados durante todo o gameplay em pequenos trechos de gravações em algumas salas secretas do mapa.

Temos a receita de uma grata surpresa lançada no final de 2019 e com grandes chances de ser um dos melhores jogos do ano. Não acredita? Então venha, vou te contar. Se mesmo assim você não acreditar, o Conselho vai te convencer na marra!

História e Enredo

De longe a melhor parte de Control. Não me entenda mal, Control como um todo é um excelente título em diversos aspectos (quase todos). Porém, a história é definitivamente o ponto alto. Desde a primeira cena do jogo, onde a protagonista Jess fala consigo mesmo (e com seu “poder”), você já está completamente tomado pela narrativa e pronto para desvendar todos os mistérios secretos envolvendo o FBC (Federal Bureau of Control), uma espécie de FBI focado nestes assuntos paranormais.

O que vou contar aqui não conterá spoilers críticos, basicamente o que é dito nos trailers e mais um pouco. No passado, Jess e seu irmão Dylan encontraram passaram por um acontecimento supernatural. Na época, o FBC interviu e conseguiu capturar o irmão de Jess, levando-o para sua instalação oficial.

Instalação essa extremamente misteriosa. O prédio do FBC é místico. Ele se modifica e se molda de acordo com os acontecimentos do jogo. Um conceito, dito por um personagem que não me lembro neste momento, define perfeitamente esta construção: prédio infinito. Sim, o prédio passa a sensação de infinidade, pois se molda a cada avanço de sua narrativa. Não somente fisicamente se molda, criando e removendo paredes. Ele também possui uma espécie de segunda realidade. Em vários momentos você pode acionar uma cordinha. Acionando 3 vezes o ambiente muda POR COMPLETO. Você está no meio de uma ala do prédio, vê a cordinha. Aciona 3 vezes e do nada é transportado para uma instalação completamente diferente. Não é um teletransporte nem uma viagem rápida, faz parte da magia envolvendo o “prédio infinito”.

Voltando ao evento do passado, Jess começa o jogo sendo levada pelo seu “poder” até o prédio infinito do FBC. Seu objetivo é simples: encontrar seu irmão depois de muitos anos desaparecido. Ela tem convicção que absoluta que ele está lá. Mas logo de cara, nos primeiros segundos no prédio, você percebe que tem algo muito errado acontecendo. O primeiro contato que você tem no prédio é com O Faxineiro. Parece que vai ser apenas mais um NPC no mapa, mas não será. O Faxineiro é extremamente misteriosos e vai te acompanhar, de forme completamente indireta, em outras fases da sua investigação. Ele dá arrepios, é misterioso e sombrio. Fala de uma forma como se tudo dentro do caos instaurado dentro do FBC fosse comum, não se assusta com nada e não parece estar preocupado com o desdobrar dos fatos.

Mas, parece que O Conselho está do nosso lado. É com ele que vamos liberando nossas habilidades sobrenaturais. A cada contato com ele, quase sempre, temos a inclusão de um novo poder. É assim com a nossa barreira (arrancamos concreto do chão para criar uma barreira e nos proteger), com a nossa arma do além (que se modifica em diversos tipo de arma), levitação (voamos por longos períodos pelo mapa), também uma espécie de soco super forte, um “dash” que podemos dar para andar mais rápido e desviar de ataques do inimigo e da habilidade mais legal do jogo, a telecinese, onde jogamos praticamente tudo que o mapa nos oferece nos inimigos. E não só isso, dependendo do que você arremessa o dano é a maior. Coisa de metal grandes, pedaços gordos de concreto e materiais explosivos tiram mais dano dos inimigos.

E assim vai se desenvolvendo a dramaturgia de Control. Conforme se avança no jogo, descobrindo novos locais, falando com NPCs importantes que te dão pistas de onde seu irmão está entrando em áreas onde ameaças de alta periculosidade. Toda a atmosfera do jogo te envolve, te dá vontade de saber mais sobre os acontecimentos, de falar com todos os humanos não-possuídos possíveis (sim, os inimigos são todos possuídos pela entidade do mal) e de ler todos os itens que você encontra no mapa.

Sério, é de longe a história mais complexa, louca, difícil de entender e interessante em jogos de 2019.

Cutscenes, Personagens e Ambientação

Beirando a perfeição, por conta de gráficos e pela qualidade da animação dos personagens, as cutscenes de Control ajudam para o desenrolar do jogo. Completamente diferente de Anthem por exemplo, onde critiquei a falta de carisma e expressão de todos os personagens, Control atinge quase a perfeição.

Todos os NPCs possuem uma forma de falar, uma expressão, um cacoete e entonações de voz diferentes que te levam a ler se ele está mentindo, falando a verdade, eufórico ou calmo. O olhar de cada um é vivo, a forma como a face se mexe durante as falas e a dublagem (somente em inglês, não temos português nas falas) é primorosa. E são carismáticos. Mesmo os que possuem pouca participação no jogo, deixam sua marca. Destaques para Pope e Ahti. Ahti inclusive é extremamente macabro e amigo ao mesmo tempo, coisa rara de ser ver em jogos com esta profundidade.

A ambientação toda do prédio infinito colabora com todos os outros aspectos. Ela te transporta para um lugar único, que certamente você nunca vivenciou em qualquer outra experiência em qualquer outro jogo. Toda a temática sombria e de suspense colabora, e muito, para que você sinta arrepios constantes, nervosismos e pequenos sustos. Fique tranquilo, não é um jogo de terror que te dará sustos sinistros e te deixará sem dormir. Em certas partes o arrepio vindo de certos momentos da história é estranhamente prazeroso, acreditem.

Mecânicas de gameplay

O jogo é um shooter em terceira pessoa. Mas não somente, pois como citado mais de uma vez, você possui poderes. E eles são essenciais para o desenvolvimento da sua jogatina, alguns deles sendo absolutamente imprescindíveis para que você avance no jogo.

Alguns puzzles por exemplo requerem o uso de habilidades específicas. Falando em puzzles, são desafiadores! Não há dicas, nada de pop-up na tela para te ajudar e alguns são realmente desafiadores. Alguns forçam que você leia coisas no mapa, se informe antes de tentar combinações. E não importa quanto tempo você fique tentado (não fiquei meia hora esperando) o jogo não te dará dicas. Nada irá brilhar ou piscar para te ajudar.

Você encontra em todo o prédio uma espécie de baú que contém alguns itens (por assim dizer) que vão te ajudar na evolução do personagem e da arma. A forma como funcionam estes baús me lembram os antigos God of War, onde você fazia uma força, abria baús e ganhava elementos. Aqui você usa sua telecinese para estourar os baús que podem te dar um aprimoramento excelente para sua arma, para Jess ou apenas elementos que podem ser craftados em outra coisa. Use e abuse de seus elementos e dos upgrades disponíveis, o jogo pode ficar extremamente desafiador e difícil caso você não se importe com isso. Desenvolva sua personagem o máximo que você puder, e com inteligência.

Lembra que eu disse que o prédio te transforma para outros lugares? Sempre que algo impactante está para acontecer, você é levado ao Hotel Ocean View. Que lugar desgraçado! Toda vez que tenho que resolver puzzles nele para seguir, passo o tempo todo dentro dele arrepiado! Incrível como um local simples consegue te trazer um nervosismo enorme só de estar lá dentro temporariamente. Você vai passar várias vezes por ele, tendo que resolver puzzles envolvendo os quartos do Hotel para que te liberem uma chave, para entrar em outros quartos. De lá você sempre é transplantado para um local de grande importante para o desandar da história.

Sobre a nossa língua no jogo, ela está presente em tudo que é escrito na tela, em itens colecionáveis com informações escritas e nas legendas da fala. Todos os menus também estão localizados para o português brasileiro. Infelizmente não temos as dublagens nas falas, para aqueles que não conseguem acompanhar a legenda e jogar ao mesmo tempo.

Gráficos

Certamente entre os melhores para consoles desta geração. Quando digo entre os melhores, digo disputando pelo melhor. As texturas são espetaculares não somente nas cutscenes, mas também por todo o mapa. Todos os cantinhos que aparecem na sua tela são extremamente bem trabalhados. Os efeitos de iluminação (que estão incríveis no PC com Ray Tracing) são os melhores que eu já vi em consoles. A física está perfeita, o cenário é completamente destrutível. Os gráficos certamente ajudam para o carisma dos NPCs. Os olhos estão incríveis, as marcas de idade, as roupas. O trabalho de desenvolvimento gráfico feito em Control, em especial para consoles (esta análise foi escrita baseada na experiência jogando com um PS4 Pro) é digno de aplausos. Mas, isso custa caro para Control em outro aspecto, que será desenvolvido no próximo tópico.

Aproveitando, fiquem com um gameplay que fizemos com Ray Tracing ligado durante a E3 deste ano.


Nem tudo é perfeito 🙁

Control tem defeitos. Alguns graves ao meu ver.

O de menor grau é a trilha sonora. O jogo transmite nervosismo através de sua trilha sonora. Porém, nada além disso é memorável, não temos músicas feitas para o jogo que vão ficar marcadas na nossa memória. O jogo é silencioso. Talvez seja proposital. Mas faz falta uma trilha impactante para acompanhar toda a qualidade de Control.

Agora o que peca de verdade são os travamentos constantes e a demora para carregar algumas texturas. E não, antes que vocês digladiem nos comentários, comparamos estes erros graves tanto no PS4 Pro quanto no Xbox One X. Ambos os consoles passam pelos exatos mesmo problemas. Até o momento que estou escrevendo esta análise não foi liberado nenhum patch e nenhuma atualização. O jogo foi instalado dias atrás e permaneceu desta forma desde então.

Dependendo do local do mapa que você entra, algumas texturas demoram para ser carregadas. Isto é mais sensível em lugares com placas e outras coisas escritas. Você sai correndo em direção as placas e está tudo borrado, só sendo carregada a textura segundos depois. É importante ressaltar este problema, pois ele é grave e acontece repetidamente.

Outro erro mais grave ainda, chato e inaceitável em 2019 são quedas bizarras de framerate que duram 5 segundos. Você abre o menu, volta e congela. Termina uma cutscene, congela. Completa uma missão, aparece o aviso na tela de missão concluída, congela. São congelamentos sensíveis por vários segundos, no começo eu achava até que o console havia travado, depois me acostumei.

Outro ponto, mas nesse caso culpo mais o HD dos consoles atuais, são os loadings longos. E eles vão te incomodar cada vez que você morrer e voltar para seu ultimo ponto de controle. Cada vez que você morre ou faz uma viagem rápida, terá que esperar uns bons segundos de loading.

Ficou curioso? Assista nossa primeira hora de gameplay pura e sem cortes!

Gostou da nossa análise? Confira aqui ela em espanhol.

Surpreendente

Visual, ambientação e gráficos - 9.5
Jogabilidade - 9
Diversão - 9
Áudio e trilha-sonora - 7

8.6

Uma histórica extremamente louca, única e viciante

Pedro, dito tudo isso você recomenda a compra de Control? Ainda mais no lançamento brasileiro onde jogos costumam ser mais caros? Definitivamente, sim! Control é de longe o jogo mais surpreendente deste ano. Sua história é rica, envolvente, misteriosa e desenvolvida com maestria durante as horas que você está jogando. Os gráficos são incríveis para esta geração de consoles, os personagens são carismáticos e contam muito bem a história e as mecânicas de super poderes são extremamente divertidas. Ele tem defeitos? Tem. E são graves. Mas são defeitos que podem ser corrigidos facilmente com patches e tweaks nos gráficos. Não são problemas graves ao gameplay, não vão arruinar sua experiência. Eles incomodam, mas o jogo compensa por todos os outros aspectos. Obrigado, Remedy. 2019 foi repleto de decepções, muito marketing e pouca entrega. O que vocês fizeram com Control foi surpreendentemente positivo, saindo da caixinha e entregando algo inédito para os jogadores. Prêmios e notas altas virão, com certeza!

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Pedro Nogueira

Formado em Administração e em GunZ: The Duel. Nogueira une estas duas formações para administrar de forma única suas skills em jogos de tiro, adquiridas em anos jogados fora jogando The Duel. Além da supremacia em jogos de tiro, Nogueira é fã de jogos com história bem trabalhada e tem no sangue as habilidades de Dominic Toretto para jogos de corrida.
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