Análise: Final Fantasy VIII Remastered

Um deleite visual e um clássico revivido

A Square Enix vem consistentemente trazendo os clássicos da franquia Final Fantasy para os consoles atuais. Após trazer o 7, 9, 10, 10-2 e o 12, agora chegou a vez do Final Fantasy VIII. Porém, ao invés de receber uma versão HD assim como FF 7 e 9, ele recebe um tratamento de Remaster que já posso adiantar que é uma versão superior a versão HD de seus “irmãos”.

Uma curiosidade sobre Final Fantasy VIII é que ele foi o jogo da franquia que mais tentou inovar e quebrou dezenas de comandos tão tradicionais da série. Isso acaba dividindo os fãs, pois existem algumas novidades interessantes e outras que são polêmicas.

História única e motivações medianas

Como sou MUITO fã da franquia Final Fantasy eu acabo me envolvendo com as histórias e posso dizer que para meu gosto pessoal Final Fantasy VIII não me agrada muito em sua história. Vou dar um resumo dela abaixo sem spoilers por mais que seja um jogo de 20 anos atrás. Acho que a barreira de spoiler nem se aplica mais, mas vou ser legal.

Final Fantasy VIII se passa em um mundo futurista dando continuidade ao que vimos em Final Fantasy VII, o quase total abandono de suas origens medievais que era uma característica do jogo. Nele, você irá controlar o protagonista Squall Leonhart que é um adolescente chato e mimado (o que? Só estou falando verdades!). Squall é um dos alunos de Balamb Garden, que é uma organização onde treina os SeeDs (uma curiosidade é que SeeD nao tem é nenhuma abreviação de nada, é apenas uma “alusão” pois seed significa semente, e a instituição Balamb Garden, quer dizer Jardim Balamb, sendo assim cada aluno é uma semente de Balamb), um grupo de mercenários de elite que podem aceitar qualquer missão dependendo do valor pago. Squall é um personagem arrogante que sempre fala pouco e não se interessa por nada ou ninguém, isso diversas vezes é comentado ao longo do jogo por seus companheiros.

Na trama central Squall e seus colegas vão fazendo missões até encontrar a Rinoa Heartilly onde tudo começa a mudar e eles entendem que seu grande objetivo, e razão principal das Gardens terem sido criados, é matar Edea, a feiticeira que pode por o mundo em risco. Qualquer coisa que eu fale a partir daí é spoiler. Mas saibam quem o foco do jogo será dado entre os SeeD, as Gardens e a relação com a Feiticeira, sua história e poder mistico.

Paralelo a isso diversas vezes os personagens irão cair num sono profundo. Isso fará que você vivencie a história de Laguna e seus amigos, contando uma história do passado. No caso eles chegam ser um alívio cômico em muitos momentos. E todas esses “sonhos” fazem com que Squall e os outros personagens tenham um conhecimento detalhado dos fatos que estão afetando o presente.


Ajude o ÚltimaFicha de forma gratuita, clique aqui e inscreva-se no nosso canal do Youtube


Final  Fantasy VII e seus personagens sonolentos

Algo que sempre gostei muito em toda a franquia Final Fantasy era na complexidade dos personagens. Porém, em Final Fantasy VIII isso é de certa forma deixado de lado e entrega motivações muito rasas. Devo confessar que a história como um todo do jogo é sim boa e complexa. Ela envolve muitos plot twists e coisas que não posso contar por ser spoiler, mas é importante ficar atento para entender corretamente o que está acontecendo com o mundo e seus muitos personagens.

Mas tirando a complexidade dessa história, você tem personagens e motivações muito abaixo da média. Como falei acima, Squall é um garoto mimado que é sempre fechado e ta sempre “de saco cheio”. Ele tem seu eterno rival e importante antagonista para o jogo, Seifer que nada mais é do que um outro garoto revoltado com a vida que quer sempre arrumar confusão e implicar com os outros. Não existe uma motivação forte por trás de seus atos, somente a vontade de entrar em uma briga e de incomodar.

Já o Zell é outro personagem um tanto simplista. Ele lembra muito um skatista cheio de energia que não pensa muito antes de falar. É o bobalhão da turma e é alvo de piadas sobre ele. E poderia ficar falando de cada um deles, mas vou mudar e elogiar dois. A primeira é a Rinoa que tem grande importância pela história e por mais que seja jovem e inexperiente, ela luta do lado de um grupo de resistencia pela liberdade de sua região. O outro é o Laguna que acaba sendo sempre divertido encontrar ele e sua turma.

De forma resumida, os personagens lembram aqueles memes de hoje em dia onde todos são brancos, magros, bonitos, tem dinheiro e status, mas mesmo assim a vida não presta.

Muitas inovações

O gameplay em Final Fantasy VIII é algo que muda muito e salvo engano, é o jogo com diversos comandos únicos e diferentes. É um tanto difícil dizer se você vai ou não gostar, pois é um gosto pessoal. Vou detalhar abaixo cada uma das principais mudanças que esse jogo trouxe. O que posso dizer é que muitas dessas novidades nunca mais viram a luz do dia.

  • Draw – Esse talvez seja a maior inovação do jogo. Esqueça o esquema tradicional de magias. Em Final Fantasy VIII você poderá a todo tempo utilizar o comando Draw para sugar a magia de seu adversário em uma quantidade aleatória. Por exemplo, ao usar draw na magia fire de um adversário, um pode puxar 3 unidades, o outro 9 e o outro 6. E essas quantidades são sempre cumulativas. Ou seja, é possível sim ficar só usando draw para pegar 99 de uma magia.
  • Level up com 999 Xp sempre – Essa é outra novidade que até hoje não entendo a razão de sua existência. É padrão em qualquer RPG que a medida que passe o tempo o inimigos darão mais XP e você precisará de mais XP para aumentar seu nível. Porém, em Final Fantasy VIII, cada personagem subirá de nível a cada 999 pontos de experiência conquistados.
  • Sem equipamento, mas com GF – Ao invés de termos a usual opção de equipar seu personagem, aqui temos a opção de equipar os GF, que nada mais são do que os clássicos summons. É necessário ficar gerenciando a evolução de cada um para que possa equipar esses bônus em seu GF e consequentemente em seu personagem.
  • Junction System – Além de equipar as GFs, ainda temos de administrar os status dos personagens através do Junction System, assim, por exemplo, a GF Ifrit pode te fornecer acesso ao Junction de Força ou o de Defesa, cabe ao jogador associar uma magia previamente “roubada” via Draw, com um destes status, assim aumentando ele “temporariamente”, mas porque,”temporariamente”? Pois os status serão alterados de acordo com a quantidade de magias que você possui em estoque e, claro, a potencia da magia, 1 FIRAGA equipada, garante melhores status que 1 FIRE, claro que não se restringe apenas a isso, ainda tem afinidade da magia com o status, magias defensivas garantirão melhores desempenho em atributos defensivos ou no HP, enquanto magias ofensivas e de status (bio por exemplo) sairão melhores com atributos de ataque, junction é pura matemática e existem muitas builds para você copiar na internet para você detonar os maiores desafios (Omega Weapon que vos aguarde).

  • Craft para armas – Outra novidade é que ao invés de comprar as suas armas padrão, você precisará encontrar revistas pelo mundo que falem de novas armas (assim como uma revista de carros de hoje em dia). Ao achar essa revista, ela liberará em qualquer loja uma nova arma onde você precisará matar inimigos específicos para conseguir o drop de itens para ai sim fazer uma nova arma.
  • Limit Break na hora da morte – Algo normal em um RPG, assim como em um Final Fantasy, é ter um medidor que ao estar cheio, será possível liberar seu golpe especial. E ai mais uma mudança: Seu especial é aleatório! Ele não chega a ser aleatório, mas você para poder ativá-lo, terá que apanhar muito em uma luta e normalmente ficará com a vida amarela, que representa uma zona de perigo. Ao entrar nessa zona, normalmente o seu especial estará pronto para ser usado. Salvo exceções como a Magia Aura que garante acesso ao limit com qualquer HP.
  • Salário de SeeD – Sim, você receberá um salário a cada X minutos dentro do jogo que será a sua forma de ganhar dinheiro (além de vender itens). Esse salário é possível aumentar tanto pelo seu desempenho nas missões, como fazendo um teste em sua base.

Como podem ver essas são as principais mudanças, ainda existem outras que não são tão impactantes. E existe muita coisa interessante e outras que nunca foram a frente na franquia.

Final Fantasy VIII mais bonito do que nunca

Depois de falar muito sobre o jogo, tenho que falar do Remaster e das novidades. Pois bem, que trabalho bem feito pela Square! Eu estava esperando mais um jogo com gráficos em HD e com as texturas de duas décadas atrás, porém, ledo engano. Eles trabalharam muito bem as texturas e a definição dos personagens e cenários. Está sim muito bonito o jogo, dado suas limitações.

Além dessa melhora gráfica, o jogo conta com o pacote “Final Fantasy para os consoles de hoje”. Quem jogou qualquer um dos ports, sabe que o jogo vem com uma aceleração de 3 vezes na velocidade, possibilidade de tirar o encontro aleatório e também de ativar um modo de dano massivo para não ter dificuldade nas lutas e focar na história.

Esse remaster entrega o que deveria e um pouco mais!

Final Fantasy VIII Remastered

Gráficos e Animações - 10
Ambientação e som - 10
História - 9
Personagens - 5
Novidades - 6

8

Compra certa para os fãs

Embora eu seja um crítico do jogo, eu estou aqui para avaliar o remaster e o que foi trazido de novo. É verdade, Final Fantasy VIII peca sim em sua história como um todo e muitas das inovações são desnecessárias ou confusas, porém, o jogo tem seu charme e é uma clara evolução visual ao Final Fantasy VII. Final Fantasy VIII Remastered entrega toda a experiência original do jogo com texturas e gráficos muito melhores e as inovações que já vimos em seus outros jogos HD com a aceleração de velocidade, modo sem encontros e modo de hiper dano. E isso é sim uma boa razão ou para conhecer este clássico, ou para os fãs jogarem novamente.

User Rating: Be the first one !

Mostrar mais

Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.
Botão Voltar ao topo
Fechar