Análise: Children of Morta é mais um bom roguelike

Roguelike com pitadas de sentimentalismo

Children of Morta não foge da regra de roguelikes: o gênero tem sido uma marca insistente em jogos independentes, sejam eles em arte de pixel ou em ousados títulos 3D como Remnant from the Ashes. Este RPG-ação em 2D sobre uma família que tem uma ligação espiritual com o monte Morta é um prato cheio para os fãs do gênero. O game da 11bit studio, além de divertido, também conta com uma ou outra boa escolha de design, mas não resignifica o estilo.

A Montanha

A história circunda a vida de uma família de guerreiros e guerreiras ligada à montanha do título do jogo: Morta. Essa relação é recheada de misticismo e envolve deuses e lendas locais. A família se vê frente ao avanço de uma força maligna, denominada Corrupção, que se alastra de forma impiedosa pelo mundo, tomando vidas e a natureza. Para impedir que a Corrupção domine tudo, os Bergsons (nome da família) decidem unir forças e libertar o Monte Morta dessa força libertando os espíritos que protegem a montanha e o mundo.

Children of Morta Screenshot 01

Família unida jamais será vencida

Para isso, os Bergsons contam com diversos personagens jogáveis, que você desbloqueia conforme avança na aventura. Existe a possibilidade de jogar com arqueira, guerreiro, ladino, monge etc. Cada um com um estilo de jogo único, habilidades particulares e dinâmicas próprias. Além, disso, todos esses dividem um destino em comum, ou seja a ideia do jogo é que a família como um todo melhore.

Isso faz com que, certas habilidades passivas que você desbloqueia em cada personagem, seja dividida com todos os membros da casa. Isso é algo interessante em si próprio, pois estimula a diversidade de gameplay não só das fases e dos inimigos (pelo próprio gênero roguelike), mas também dos personagens. Você é meio que forçado a jogar com todas as opções de heróis. Seguindo na mesma direção de variar o gameplay, o jogo te força a descansar. Conforme você joga com determinados protagonistas, eles se cansam ao serem afetados pela Corrupção, forçando o player a escolher outro herói na empreitada seguinte.

Children of Morta Screenshot 02

Pausa para um pouco de sombra e água fresca

Apesar da trama como um todo parecer muito cliché e simples, a narrativa é envolvente mesmo em um jogo roguelike. Isso porque raramente você irá morrer ou retornar à casa da família sem viver um fragmento envolvente da história, muito bem narrada e contada por uma voz que dá um tom emocionante e épico à aventura. Além disso, há uma sensibilidade muito prazerosa entre o frenesi das batalhas nas dungeons e os detalhes sentimentais e emocionantes dos contos entre uma tentativa e outra.

Essa pitada de carinho é finalizada com o visual e a música do jogo, que encantam e também possuem sua dose de personalidade. Enquanto o cenário foca em arte pixel bem detalhada e rica, os personagens, por outro lado, seguem um pixel mais simplista. Essa estética um tanto desleixada, serve claramente para destacar os personagens do costumeiro visual do ambiente. O som acompanha bem as dungeons e a alternância para acompanhar a suave voz do narrador agrega muito valor a esses pedaços da narrativa.

Children of Morta Screenshot 03

Children of Morta entrega muito bem a experiência roguelike com uma pegada mais sentimental, algo tão difícil de ser feito nesse gênero. Ao mesmo tempo, inova em aspectos chaves o suficiente para torná-lo diferente. Por outro lado, não é nenhum título totalmente discrepante entre seus pares e nem eleva a barra a outro nível. Por ser um indie, tem um custo bem mais acessível, o que contribui bastante. E para finalizar, a possibilidade de jogar com outro jogador torna toda a experiência não só mais divertida, como mais dinâmica e veloz.


 

Children Of Morta

Gráficos e Animações - 7.5
Ambientação e som - 8
História - 7
Gameplay - 8
Replay - 9

7.9

Um roguelike mais tocante!

Children of Morta conta com uma ótima jogabilidade perpassando um roteiro lindo, difícil em jogos roguelike em pixel art. Por ser um indie, tem um bom custo-benefício e entrega o que promete. A trama não engaja muito e o jogo não chega a inovar muito, mas é um game sólido do seu gênero.

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Ricardo Carvalho

Ricardo Carvalho é escritor, desenhista, filósofo de sofá, cineasta frustrado e ativista pela aceitação mundial de que videogame é arte. Redes: twitter.com/perfilricardoc, instagram.com/perfilricardoc.
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