Análise: Grandia HD Collection parte 1

Grandia com uma camada de beleza, mas ainda um RPG em sua raiz

Antes de mais nada, explicando o “Parte 1”, Grandia HD collection traz dois grandes jogos da série Grandia para o Nintendo Switch, e seria muito raso fazer uma análise só para ambos, portanto vou separar em dois reviews completamente diferentes, neste abordo apenas Grandia 1.

A minha relação com RPGs sempre foi muito próxima, conheci o RPG ainda novo e tive o prazer de ser lapidado a base de Final Fantasy, Breath of Fire, Star Ocean, Legend of Mana, Quest 64 (esse aqui tem uma história engraçadíssima sobre como fiquei jogando 72hs seguidas, algum dia eu a descrevo) e outros.

E quando finalmente desembarquei no PSX a gama de RPGs era imensa, joguei tudo o que podia, principalmente os nomes que eu já conhecia.

Mas então um dia, um amigo meu me deu uma Revista World Games (ahhh que saudades dessa época) e a capa dessa revista era Grandia parte 1 de 2, nossa me apaixonei na hora só pela capa (como fui capaz eu, não sei)!

Foi então que eu comecei uma saga atras de uma cópia desse jogo que havia sido portado do Saturn para o console do momento, o Playstation, demorou uns bons meses até que eu finalmente colocasse a mão nessa belezinha de game.

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E olha, foi uma experiencia um tanto quanto estranha, ele trazia algumas mecânicas diferentes do usual para o que tínhamos na época, bem, digo, é um RPG de turnos, e com isso estava acostumado.

Logo, antes de embarcar nessa experiencia, que foi jogar este game nos anos 90, eu achava, ou pelo menos eu achava que estava num ambiente seguro… eu… achava… E ESTAVA REDONDAMENTE ENGANADO!

Ambientação em Grandia HD Collection

Acho que o primeiro ponto que eu preciso elencar sobre Grandia é que ele chupa muito, mas muito mesmo dos animes dos anos 90, estrutura, organizações, plots, personagens, quase tudo ao redor de Grandia respira muito do que os Gamers mais velhos viveram.

E saibam que isso pode ser uma barreira para novos jogadores sim, piadas clichês, personagens como alivio cômicos, piadas de tio do pavê e personagens com motivações fracas.

Então assim, me preocupando com os novos possíveis players, já destaco esses pontos acima para que  embarquem nessa aventura por sua própria conta e risco, mas saiba de antemão que será árduo e difícil se acostumar com o modelo antigo de RPGs.

Em Grandia você vive a pele de Justin, um alegre e inquieto garoto que adora se meter em confusões, Justin mora na cidade de Parm e sempre é visto com sua melhor amiga Sue, juntos sonham em embarcar em uma grande aventura pelo mundo afora. E com essa ânsia do desconhecido, por acaso, eles realmente se metem em uma tremenda aventura.

Por sorte, a mãe de Justin foi uma aventureira conhecidíssima e seu pai partiu em uma grande aventura há alguns anos, deixando para trás um artefato – a Spiritual Stone. Com ela em mãos Justin e Sue invadem umas ruínas que estavam sob investigação das forças armadas de Garlyle, passando pela segurança (nada segura) Justin e Sue encontram um dispositivo que os mostra um holograma, Liete que vos pede para irem para o oeste portando a Spiritual Stone.

Claro que por ter trespassado uma área restrita, os garotos arranjam uma briga com as forças armadas de Garlyle, mais especificamente com o filho do General Baal, o Coronel Mullem que estava na liderança das explorações, felizmente Justin e Sue conseguem fugir.

Mas esse acontecimento muda a cabeça de Justin, que decide ir para o oeste em busca de Liete e da verdade sobre a Spiritual Stone, a partir de então o jogador será levado a explorar muitas áreas novas, conhecer muita gente, receber muita ajuda e recrutar outros personagens para a sua própria aventura!


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Mecânicas

Bom Grandia é um RPG de turnos como citei em cima, mas ele traz muitas novidades, a primeira grande novidade para mim era uma coisa que eu seeeeeeeempre desejei muito em jogos de RPGs, os personagens se movimentam e muito durante a batalha. Essa movimentação depende de diversos fatores e não existe um comando para se mover. Eles vão se mover e se posicionar no campo de batalha de acordo com o comando (ataque/defesa/magia/habilidade/item) que você der.

Por exemplo, mandar Justin atacar com a espada, ele irá se deslocar até o alvo desejado e o atacar, logo em seguida irá se reposicionar em algum local livre, se o mandar usar alguma skill ou magica, ele vai se concentrar onde está e depois fará a movimentação que for necessária.

Nesse âmbito a única coisa mais deferente na batalha é a barra de ATB (Active Time Battle) que vai te mostrar exatamente como estão as coisas para o teu time e também para os monstros. É possível inclusive ver os efeitos dos ataques nos personagens e inimigos na ATB, pois quando estes são atacados, eles ficam “congelados” alguns segundos na sua progressão da ATB.

Agora uma coisa que demanda um certo tempo, não só de aprendizado como de aquisição, são as mágicas e as Skills, principalmente as mágicas uma vez que é necessário conseguir os Mana Eggs, que são um item que permitem que você adquira as magias para um char. Já as Skills basta usar as armas, mas olha, este, apesar de mais “fácil”, cansa! O grind (o trabalho de upar personagens e skills) é beeeem alto, esse jogo e exige algumas horas de grind.

É importante observar que as mágicas ganham nível de proficiência apenas quando usadas, então se pretende usar magias de alto nível de água, você terá de usar muuuuuuita magia de água antes, e aqui entra um grande “problema” de Grandia, pois assim, a mana o os Skill Points são muito, mas muito limitados e isso aumenta a dificuldade para aqueles jogadores que não estão afim de fazer grind.

Outro ponto importante sobre as magias e skiils é que há a possibilidade de fundir. Por exemplo, é possível cruzar magias de aguá com magias de terra para criar o elemento planta ou criar trovão ao fundir fogo com vento, aqui acho legal ressaltar que, se deseja extrair todo o potencial das magias e personagens, siga um guia, pois nem todos os personagens são capazes de aprender todas as magias, sendo assim seguir um guia economiza um tempão!

Grandia 1 - HD Collection

Gráficos e Animações - 8
Ambientação e som - 4.5
História - 5.5
Gameplay - 8
Fator grind - 4

6

Vale aguardar uma promoção, é um bom jogo, mas ao custo de muitas horas de gameplay e trabalho árduo!

Um RPG com um nível de dificuldade acentuado, perfeito para quem procura um desafio e não tem problemas em passar horas e horas aumentando os níveis de personagens e skills. Eu particularmente amei re-jogar esse game, estava precisando revisitar uma franquia assim e Grandia só me provocou ainda mais nostalgia. Vou embarcar agora no Grandia 2 e ver o que eu perdi (pois na época do PS2 eu não consegui finalizar esse game). O remaster está lindo, eu fiquei bem em duvida quanto a dublagem dos personagens, no caso se rolou ou não uma re-dublagem, mas ao que me parece e minhas pesquisas me dizem que não, somente houve a remasterização da dublagem já existente. Alguns poucos elementos no game me incomodaram, um deles foi a trilha sonora, é possível ouvir claramente cada corte nas trilhas sonoras pois as musicas ambientes tem umas sincronias bem porquinhas. Jogar tanto no módulo tablet quanto no dock do switch foram experiencias muito boas, na TV fica um pouco mais claro alguns pequenos incômodos pois afinal é um jogo de PSX. Mas no geral tudo está muito bem bonito com a camada de remaster. Fora que melhoraram um pouco os loadings e a velocidade das dinâmicas do games, as batalhas fluem mais rápido, mas ainda senti falta daquelas facilidades que a Square coloca em seus remasters, principalmente pelo desenvolvimento dos personagens. Só avaliando pelo Grandia 1 eu diria que é um belo game para aguardar uma promoção, se você não viveu os anos 90, a probabilidade de não se dar bem com o jogo é grande, então vá com cautela. Por enquanto é isso e espero ter o Review de Grandia 2 até o fim da próxima semana.

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Paulo Everton

Gamer, Gaymer e muito orgulhoso! Descobri os videojogos com 7 anos de idade, de lá para cá foi uma ladeira sem fim, horas gastas em frente a televisão e muita, mas muita mesmo, história para contar, vivi tantas vidas quanto consigo me lembrar, e quer saber? É muito bom não ser a si mesmo!
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