Análise: Oninaki – Um JRPG que prende o jogador até o fim

Oninaki traz um conceito instigante em sua admirável narrativa

Oninaki é a terceira obra da Tokyo RPG Factory e, como os dois antecessores, busca resgatar a sensação dos RPGs clássicos da SquareSoft (primeiro nome da nossa querida Square Enix). Diferente dos demais que são RPG de turnos, o game em questão é voltado para uma jogabilidade dinâmica tornando-se um Action RPG. Vejamos a seguir Oninaki consegue cumprir a sua missão igual I am Setsuna e Lost Sphear foram capazes.

Oninaki tem ótimo conceito para ser trabalhado

A narrativa de Oninaki conta a história de Kagachi, um Watcher (vigilante) que perdeu os pais quando ainda era criança. Um dia ele encontra um espírito de uma garota chamada Linne e que nega a reencarnação, principalmente por ter perdido as suas memórias, contudo, não é algo simples como qualquer outra missão, pois existe muitas coisas envolta das memórias dessa garota.

No universo do game existe três mundos distintos: o mundo dos mortais, mundo dos espíritos e o além.

Segundo a mitologia imposta no jogo, se existe algum arrependimento a alma não será capaz de ir para o além e reencarnar, prendendo ela no mundo dos espíritos que é praticamente uma realidade compartilhada com a nossa que apenas os próprios espíritos, monstros e watchers são capaz de acessá-la.

Watchers são um grupo de pessoas com habilidades excepcionais capazes de fazer contrato com espíritos sem memória que eram guerreiros ou algo do gênero em vida, nomeados de Daemons. O contrato permite que o watcher utilize as habilidades e armamento do Daemon, como se fosse uma espécie de arsenal espiritual.

O dever deste grupo é utilizar a sua capacidade de alternar entre mundos para manter a ordem entre os mundos e fazer com os espíritos que estão presos, consigam ser livres para que possam ir para o além.

Oninaki possui diálogos diretos, sem enrolação e ainda assim se mostra capaz de desenvolver bem os personagens e a narrativa. A primeira parte do jogo faz com que você se aprofunde melhor no trabalho de Watcher, enquanto aos poucos apresenta o plot principal, o ambientando sutilmente nos acontecimentos. Após isso, começa a chuva de acontecimentos impactantes e reviravoltas.

Os personagens principais tem suas funções, porém, o foco vai realmente para Kagachi que tem 80% ou mais do tempo de tela. Você sabe sobre os outros personagens, seus arcos pessoais, contudo, não é algo a ser aprofundado.  Temos como exemplo a amiga de infância de Kagachi e o pai dela que atua como mentor para o protagonista. A relação desse trio acaba se tornando um ponto forte do desenvolvimento do enredo.

Tanto a história principal quanto a lore de cada daemon é interessante, fazendo com que você queira saber o que está para acontecer a seguir.

Party de um só homem

Em Oninaki o único personagem jogável é o protagonista Kagachi, contudo, a party de fato é composta pelos seus daemons. Cada um dos espíritos possui arma, habilidades e defensiva própria, alterando quase que completamente o gameplay dependendo de qual deles você esteja utilizando. Lembram vagamente os personas da franquia Persona ou stands de Jojo’s Bizarre Adventure.

Um exemplo da utilização deles, a primeira daemon utiliza uma espada e seu gameplay se baseia num lance mais ofensivo, fazendo com todas as suas skills sejam totalmente visando a ampliação de dano, enquanto a sua defensiva é um dash. Por outro lado, o segundo que você conquista é usuário de lança em que a defensiva são saltos, permitindo que você realize ataques do céu até o solo e invés de ter habilidades voltadas a dano, ele tem habilidades passivas mais voltadas para a defesa.

Os daemons é como se fossem realmente os membros da party, pois são as armas deles que você pode trocar por uma mais forte, escolher quais habilidades liberar com os pontos que consegue por subir de nível e etc.

Oninaki é traz ação, mas tem seus escorregos

Abandonar a base de RPG de turnos e ir para Action RPG foi uma aposta que a primeira vista se mostra um acerto. A jogabilidade de Oninaki tem seus pontos fortes, principalmente por ser deveras intuitiva e desafiadora.

Aqui temos um botão de ataque básico, outro para esquiva e quatro para uso de golpes especiais. Falando desse modo, podemos pensar em algo frenético, porém, não chega a tanto. A sua jogabilidade não é tão rápida como na teoria, mas não chega a ser entediante.

Um dos motivos para essa falta de velocidade se deve na utilização dos daemons no gameplay, pois eles só realizam movimentos ofensivos se você utilizar alguma skill, sendo que ao utilizar ataques básicos eles apenas ficam te observando esmagar o botão. A troca de daemon é algo que poderia acontecer de imediato para permitir melhor uso de combinações de ofensiva e defensiva.

Falando em delay, após lançar uma skill ou ataque básico, você demora alguns poucos segundos para ser capaz de aplicar uma esquiva ou bloqueio (depende de qual daemon você utiliza). Por mais que seja questão de segundos, ainda assim é tempo suficiente para ser atingido de graça por algum inimigo.

Para evitar muita repetição de inimigos, eles constantemente são trocados nos mapas ou surge subtipos. Algo justo, já que o número deles é enorme em seus determinados mapas, fazendo com que novas hordas sempre surjam quando termina de enfrentar a primeira. No momento em que alterna para o outro mundo, mais inimigos surgem como se aquele fosse um novo mapa.

Entre acertos e erros

Oninaki traz gráficos lindos em seus cenários, o estilo dos personagens conseguem se encaixar bem mesmo com poucos detalhes que eles possuem. E a ambientação sonora está impecável com a sua OST bastante prazerosa em ouvir.

Contudo, nem tudo são rosas. Se tem algo enjoativo no game é a sua dublagem. Inúmeras vezes os personagens falam as mesmas frases em contexto que simplesmente não faz sentido, fazendo parecer que o orçamento que seria dado aos dubladores foi cortado para ser dedicado em outra coisa.


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Oninaki pode ter seus erros, mas ainda consegue brilhar

Gráficos e Animações - 8
Ambientação e som - 10
História - 10
Gameplay - 6
Replay - 4

7.6

Se é fã de JRPG, é compra certa

Oninaki pode pecar em seu gameplay e dublagem, contudo, ele possui uma narrativa de bater palmas e no geral se destaca como um bom JRPG de ação. Daria para ser melhor trabalhado em alguns aspectos, mas nem por isso a sua qualidade se mostra duvidosa. Em particular, eu realmente gostei do jogo.

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Anderson Mussulino

Publicitário louco por toda a cultura geek. Redator do Última Ficha e apaixonado por jogos que vem da terra do sol nascente.
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