Análise: Ni no Kuni: Wrath of the White Witch Remastered

Ni no Kuni: Wrath of the White Witch Remastered é uma obra de arte entre os JRPG da atualidade

Lançado originalmente no PS3, Ni no Kuni: Wrath of the White Witch foi uma versão robusta do jogo lançado originalmente no Nintendo DS. Sendo o trabalho em conjunto da Level-5 com o glorioso estúdio Ghibli (Viagem de Chihiro, Princesa Mononoke e outros), trazendo um JRPG profundo com uma história cativante cheia de simbolismos e animação digna dos filmes lançados pelo estúdio de animação.

Agora, na atual geração, uma sequência foi lançada (veja o nosso review) expandindo ainda mais esse fantástico universo. Porém, como de costume, jogo bom sempre acaba retornando como um remaster. E um clássico entre os RPGs atuais não poderia ficar de fora, deste modo Ni no Kuni: Wrath of the White Witch Remastered foi anunciado em plena E3 2019 e lançado em Setembro deste ano.

Uma narrativa que aquece o coração

Ni no Kuni: Wrath of the White Witch Remastered traz consigo uma história digna dos roteiros do Ghibli, onde temos a história de Oliver buscando superar uma perda e se envolvendo numa aventura no qual era destinado desde o seu nascimento. Descobrindo que é capaz de utilizar magia para salvar alguém importante para si, ele vai para outro mundo (na edição japonesa nomeado de “Ni no Kuni”), onde tem a missão de confrontar e derrotar o maligno Shadar.

Porém, a aventura de Oliver está longe de ser algo linear. Em meio de sua jornada muitos obstáculos começam a surgir e aliados aparecem por confiar em seu potencial.

Com personagens extremamente carismáticos, não tem como se sentir cansado dessa história. Sempre alguém novo aparece e mostra algo peculiar em comparação aos demais. A party principal já é algo bastante variado, uma vez que temos Oliver que é um garoto de coração puro, um ladrão em busca de salvar uma pessoa importante para si, uma garota bastante valente e, por fim, um bichinho que se autodenomina rei das fadas.

Como jogador e amante de animações, não pude deixar de me emocionar em inúmeras partes dessa história, principalmente com os problemas envolvendo os personagens deste mundo e o Oliver buscando ajudá-los de alguma forma.

Ni no Kuni já roubava corações antes de Persona 5

Brincadeiras a parte, mas uma das temáticas mais interessantes no jogo é pegar corações. Quando uma pessoa tem seu coração quebrado, ela acaba sofrendo uma falta enorme de alguma virtude e o nosso protagonista é o único capaz de fazê-la se recuperar. O processo se baseia em pegar um pouco da virtude, por exemplo coragem, de alguém que a tem em abundância e dá-la para uma pessoa medrosa ao extremo.

Essa temática acaba sendo muito bem explorada na narrativa principal e em side quests.

Uma mescla que deu certo

Ni no Kuni: Wrath of the White Witch Remastered traz consigo uma jogabilidade que mistura turnos com ação, permitindo que você se movimente livremente pelo local da batalha, mas selecione suas ações como se fosse um jogo de turnos, lembrando bastante o que vemos em Final Fantasy XII. Contudo, temos uma adição bastante agradável que são os familiares.

Familiares são monstrinhos que acompanham algumas pessoas capazes de utilizá-los que curiosamente os três membros da party são usuários de familiares. É algo meio Pokémon, pois você consegue novos seja pela história ou os “capturando”, e por meio do level up você os evolui deixando mais poderosos.

O maior diferencial em comparação aos monstrinhos de bolso, é que não tem batalha de “treinadores” e eles funcionam como se fossem uma extensão do poder do membro da party, já que o HP/MP são compartilhados entre familiar e seu usuário.

Carinha inocente, mas complexidade gigante

Ni no Kuni: Wrath of the White Witch Remastered pode ter esse jeitinho de RPG simples e inocente, porém, é algo extremamente expandido e até complexo numas partes. Inicialmente a utilização de magia que não é algo envolvendo só o sistema de batalha, pois você pode utilizá-la para interagir com o mapa, por exemplo usar a magia de gelo para esfriar um local quente para conseguir atravessá-lo. Além disso, existe inúmeras magias que não tem ligação com batalha e que possuem funções bem próprias para te auxiliar em várias outras situações.

O gerenciamento dos familiares também tem o seu sistema próprio onde podemos colocar equipamentos neles, selecionar quais ações terão, evoluir, questões envolvendo fraquezas e vantagens e etc.

Além disso, em Ni no Kuni também temos o sistema de alquimia onde podemos fundir itens para criar outros. Não sendo limitado apenas para itens próprios de alquimia, mas também consumíveis e equipamentos. Se acaso for tentar a sorte sem seguir uma receita, saiba que pode dar muito errado.

Ni no Kuni: Wrath of the White Witch

Uma obra de arte em qualidade full HD / 4K

Ni no Kuni: Wrath of the White Witch já era lindo, mas agora em sua versão remasterizada conseguiu alcançar um novo nível de beleza. Seja em in-game, nas animações 3D ou nas animações estilo anime… O jogo está se destacando ainda mais ao ser potencializado naquilo que chamou a atenção de todos no seu lançamento.

Vale pontuar que o jogo no PC roda a 4K e 60 FPS. Já no PS4 PRO é possível escolher entre 4K com 30 FPS ou 2k e 60 FPS. Já a versão de Nintendo Switch é somente um port normal da versão de PS3.

Essa versão pode ser dita como a definitiva, mas vale lembrar que não há nenhuma outra adição além da melhoria gráfica.

Ni no Kuni: Wrath of the White Witch Remastered é uma obra impecavel

Visual, ambientação e gráficos - 10
Jogabilidade - 10
Diversão - 10
Áudio e trilha-sonora - 10

10

Compra obrigatória para quem ainda não o jogou

Ni no Kuni: Wrath of the White Witch Remastered é, sem dúvidas, uma obra de arte moderna. Não somente pela animação e estilo de arte, mas também pelo conjunto que soma com sua narrativa e diversos sistemas de gameplay. Se essa remasterização apresenta algum defeito é o fator de estar sendo vendida com o valor cheio, levando em conta que não tem nenhuma adição em comparação ao jogo original.

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Anderson Mussulino

Publicitário louco por toda a cultura geek. Redator do Última Ficha e apaixonado por jogos que vem da terra do sol nascente.
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