Análise: Code Vein “veim” sim para ser um dos melhores

Jogo entrega mais que o esperado

Inicialmente, fui um dos primeiros a criticar Code Vein (veja aqui meu preview do jogo). Contudo estou aqui de cara limpa para dizer, a demo de Code Vein foi realmente só pra dar um sustinho (porque não gostei). É um excelente jogo. Será lembrado como um grande lançamento e entra sim pra família “Souls” (com muitas diferenças é claro). É o que veremos em nossa Análise de Code Vein.

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De ante mão, já digo, não é tão fácil o nível de dificuldade do jogo como eu disse no preview, pelo contrário, é bem difícil. Parece sim um pouco de Hack’n Slash, mas tem estratégia também. História linda, personagens perfeitos, mas comete seus deslizes com coisas que eu diria até bobas. Deslizes simples mas que abalam muito sua nota. Uma pena. Sem azedar a análise, achei que ia superar Sekiro, que até o momento, acredito ser o melhor jogo do estilo esse ano. Vamos entender.

É fã de cultura Japonesa?

É bom começarmos assim, pois isso pode ser um pilar em amar ou não o jogo. Gostar você vai, independente se gosta ou não de jogos japoneses. Mas falei de amor. Por que? Testamos o jogo no E3 e a primeira impressão é de que seria um Dark Souls Japonês, o que vi cair por terra com a demo. Além disso, o jogo possui muitas características de RPG’s japoneses. Entre elas, muitos diálogos, todos decisivos para não se perder no caminho e na história, um companheiro que não cala a boca um minuto, e claro, a sensualização extrema dos personagens femininos.

Não é a primeira vez que falo sobre isso, muitas pessoas já não aturam mais isso, mas como disse anteriormente, é uma questão cultural japonesa, não de sexismo. Concluindo o pensamento, se você não curte essa questão cultural irá gostar do jogo, mas não amá-lo. Quanto a ser o Dark Souls japonês após a demo eu mesmo desmistifiquei isso. Todavia, após longas e longas horas do jogo original, realmente não há como não fazer boas referências. Não cravo “é um Souls Japa”, mas dá pra contextualizar, comparar e ainda fazer algumas brincadeiras, tais como: 20% mais fácil, mistura de batalhas de estratégia com um hack ‘n slash japonês entre outras coisas.

Resumindo a história e comparação com a série Souls

Você entra na aventura em um mundo pós apocalíptico, habitando o corpo de uma “aparição” que é como são chamadas criaturas que sobrevivem de sangue humano. Aparentemente você é especial (não vou além pelo spoiler) por conseguir transformar fontes mortas de uma fruta de sangue em “árvores frutíferas” novamente. Daí começa a grande missão, que é partir em busca da fonte suprema, o que devolveria em tese o equilíbrio da vida humana com as aparições.

A customização do personagem é nota 10, assim como todos os personagens do jogo. Eu disso todos e é sem dúvida o ponto mais forte de Code Vein. O carisma de cada personagem, como cada um se encaixa na história, a beleza do ambiente, a imersão do game em si. O jogo possui muitas classes (exageradamente e falarei disso abaixo) chamadas Pactos de Sangue, e no lugar das “almas” de Dark Souls, temos as Brumas, que no final das contas, facilita e simplificam as coisas, tudo é a base de Bruma. E naquele esquema de: morreu elas ficam lá onde você morreu. Se morrer de novo, já era.

Os pontos de descanso são os Viscos assim como as fogueiras são em Dark souls, mais um ponto igual nas sagas. Além disso, assim como nas batalhas, em Dark Souls você marca o inimigo. Mas nesse ponto, a estratégia de combate perde muito, dá pra com certa facilidade sair apertando botões desesperadamente para vencer, diferentemente dos outros jogos da “família” que se você fizer isso com certeza será morte certa. É aí que deixa um “ar” de hack’n slash e menos estratégico o combate. Claro que somente em certas ocasiões essa estratégia funciona. Por outro lado, Code Vein te dá bem mais opções de habilidades que a série Souls, e um quadro a mais de customização na sua tela. Veja na foto.

Diversão em nível alto, mas dá raiva

Como havia dito, o ponto alto são os personagens e a história, acabei envolvido e bem interessado em saber o desfecho. Isso é claro que eleva muito a diversão ao se embarcar em Code Vein. A variedade de monstros e ambientação também são sublimes, e fica tudo muito divertido explorar. Mesmo morrendo, você quer continuar jogando, elevando muito o fator replay. E isso vai assim até o meio do jogo. Depois começa a te fazer passar raiva. Meu Deus, quantos mapas complicados! Como é fácil se perder, e como é difícil achar o caminho correto. Fique atento, todos os diálogos são importantes, e em cada mapa possui “viscos” (pontos de marcação) que revelam o mapa.

Além disso uma ótima sacada: Code Vein mostra suas “pegadas” no mapa, aí você vê se já passou por lá uma ou várias vezes. Ok, isso em um mapa plano, em outras palavras de apenas um nível (sem subsolo por exemplo). Quero ver (sem querer dar spoiler) quando você chegar em uma cidade de 6 níveis, aí é um abraço, o que te ajudava (as pegadas e marcações do mapa) perdem o sentido porque elas se cruzam e você não consegue diferenciar se é no mesmo plano que você está, abaixo, ou acima de você. Certeza de bons palavrões e alguns momentos de querer desistir.

Outro ponto que eleva a diversão é o modo cooperativo online ou local. Jogar esse jogo de dois é uma delícia. Apesar que como veremos abaixo isso define muito a estratégia das batalhas.

Comentários técnicos

A mecânica do jogo beira a perfeição. A movimentação é extremamente precisa, e ao contrário de Sekiro por exemplo, a câmera não te atrapalha. O sistema de evolução é simples de ser entendido. Você evolui (atributos, etc..), armas e suas classes, ou pactos de sangue. Possui alguns tipos de vestimentas que se adaptam melhor a cada tipo de pacto de sangue. E isso é um ponto muito alto a favor do jogo. Você muda seu pacto de sangue a hora que você quiser, ou seja, um jogo diferente a cada momento. Espetacular. Como eu disse no parágrafo acima, eleva também a diversão e o fato replay de Code Vein.

Os gráficos. Ah os gráficos! Cartunesco, Code Vein trás um ambiente lindo, tudo muito detalhado, você se sente realmente dentro daquele ambiente. Isso tudo somado a beleza de cada personagem, as roupas, armas, tudo feito com muito cuidado. Infelizmente (digo infelizmente porque gostei muito do jogo e estava torcendo para não ter problemas), o som e a música por exemplo, passam batido. Não é que seja ruim, mas não é marcante. Eu fui me dar conta disso horas depois. Nem havia percebido que o jogo tinha música. Os sons são legais, das batalhas, explosões, sangue jorrando, gritos. Tudo bem feito. Mas faltou aquela música sabe, que você “canta” na base do “na na na” depois que joga.

Um ponto a ser lembrando que foi bem criativo, é a “mana”. Necessária pra usar suas habilidades do jogo. Que nada mais é que sangue. A forma de absorver é só sair matando todo mundo, porém tem um “tcham”. Você aumenta sua capacidade de acumular usando a concentração de ataque sangrento que pode ser feito segurando o botão de ataque ou pegando o inimigo por trás. Além disso utilizando o inútil “parry” do jogo. Tudo isso sendo muito criativo ainda tem a variação de cada ataque sangrento, que varia de acordo com a roupa que você usa ou classe que escolhe. Muito legal. Veja o site oficial do jogo aqui.

Aí vem os exageros que que tiram o 10

Como disse acima, por ser fã declarado de jogos da família Souls, de RPG e ainda de cultura e jogos japoneses, vi em Code Vein uma oportunidade de ter tudo isso de altíssimo nível em um jogo só. Porém, o jogo exagera em alguns aspectos. A começar pela quantidade de pactos de sangue (classes). Isso te deixa inseguro e perdido as vezes em que momento deve usar, mesmo sendo um fator que eleva a diversão.

Outro exagero simples que poderia ser evitado é o tamanho e a confusão dos mapas, muita coisa você descobre sem querer, tem que cair em certos lugares, coisas surreais. Na batalha o jogo também se perde um pouco. Mas admito, é divertida, apesar de não deixar claro o que quer. Explico: se é um hack ‘n slash ou uma batalha mais estratégica. Isso é influenciado também se você opta por jogar co-op com o NPC ou sozinho. Sozinho mais cara de Souls, co-op mais cara de Devil May Cry.

Outro ponto é o famoso “parry”, a defesa com botão no momento exato do ataque, um clássico em jogos desse estilo. Ele está lá, é muito legal de se usar, faz sentido como expliquei acima, mas você nem lembra dele. E é essa sensação de sair apertando botão que tira a estratégia da batalha. Comecei a usar quando “abandonei meu parceiro NPC” e comecei a jogar sozinho, enfim, muito enfeite, pouco uso.

 

Compra obrigatória!

Visual, ambientação e gráficos - 10
Jogabilidade - 9
Diversão - 9.5
Áudio e trilha-sonora - 7
Dificuldade - 7

8.5

O jogo entrega muita diversão e desafio, tudo com muita beleza.

Um bom jogo pra começar. Uma excelente história, beleza e imersão. Mas como disse na análise, ele tinha tudo nas mãos para postular sim a ser o jogo do ano. RPG, família Souls e ainda tudo com a cultura japonesa. Deixou escapar pelos exageros, pelas confusões dos mapas. Mas fique tranquilo, não é mais do mesmo, muito pelo contrário, no que Code Vein se propõe a ser diferente dos jogos do gênero, ele cumpre com maestria. É uma compra obrigatória. Enfim, se não passará perto de jogo do ano, mas entrará pro "hall" de melhores jogos de RPG/Ação lançados esse ano sim.

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Roberto Filho

Saudosista apaixonado por quase tudo que é antigo: games, música, costumes, ele mesmo e o único titulo brasileiro do time de coração Atlético-MG. Fã de RPG e jogos de luta, jura que fazia fila no fliperama na década de 90.
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