Análise: Tom Clancy’s Ghost Recon Breakpoint

Tom Clancy's Ghost Recon Breakpoint busca agradar a todos, porém acerta pouco

Tom Clancy’s Ghost Recon é uma franquia consagrada da Ubisoft, principalmente depois do sucesso que foi Future Soldier da geração passada. Com a vinda da geração atual, um novo capítulo foi desenvolvido com o nome de Wildlands, trazendo consigo um mundo aberto e cooperativo de até quatro jogadores, que apresentava acertos e tropeços. Em busca de sempre melhorar o desempenho em relação ao antecessor, a Ubisoft lançou Tom Clancy’s Ghost Recon Breakpoint que prometia ser uma evolução completa, trazer uma imersão maior no lance de sobrevivência e, claro, uma narrativa de peso.

Uma narrativa promissora

O enredo de Breakpoint é deveras promissor ao envolver uma ilha autossustentável chamada Auroa. O local é abundante em tecnologia, fazendo grande uso de drones para melhorar a vida de seus habitantes, onde todos buscam a evolução e inovação para fazer a vida humana ser mais satisfatória. Contudo, após um incidente que fez com que essa ilha fosse desligada do restante do mundo, os Ghosts foram acionados para que pudessem investigar o ocorrido, mas algo deu errado: eles foram alvejados em meio da viagem, fazendo com que tivessem sorte em cair com vida em Auroa.

Logo nesse primeiro momento, o capitão dos Ghosts encara o maior desafio em estar nesta ilha: Os Wolves. Um grupo mercenário feito por ex-irmãos de guerra, antigos Ghosts, que são comandados pelo coronel Cole D. Walker, interpretado por Jon Bernthal (Punisher do Netflix).

Diferente de muitos games onde criamos o nosso personagem e apenas seguimos a narrativa sendo um personagem mudo ou respondendo alternativas por ele, em Tom Clancy’s Ghost Recon Breakpoint o protagonista tem voz e personalidade pré-definida para acompanhar o roteiro.

Você sente a angustia do protagonista e dos outros Ghosts por estarem perdidos nessa situação em que não existe suporte de companheiros vindo do lado de fora, a perda que eles sofrem no decorrer da história e a necessidade de conseguir aliados de dentro da ilha. O jogo consegue expressar bem os curtos momentos de esperança e ainda melhor os momentos em que ela acaba, dando um ótimo trabalho de atuação para o Jon Bernthal ao realizar discursos/falas marcantes ao interpretar o Walker.

Se há algo marcante neste game, sem dúvidas são as cenas envolvendo Walker. Consequentemente, você acaba torcendo pros inimigos.

Ghost Recon Breakpoint

Tom Clancy’s Ghost Recon Breakpoint é uma busca por evolução

Quando Wildlands saiu, ele foi consideravelmente bem recebido pelo público, dando margem que aquela era uma fórmula a ser explorada. A Ubisoft não perdeu tempo em fazer uma sequência, buscando ampliar aquilo que foi apresentado e, consequentemente, ir além.

Contudo, um passo maior do que as pernas pode ser algo extremamente arriscado e é isso que vemos em Breakpoint. A proposta foco do game é ser uma evolução do seu antecessor e ampliar o lado “sobrevivência” do game, o que acaba sendo um viés muito válido e atrativo. Infelizmente esse não foi o único foco.

A Ubisoft realmente foi capaz de cumprir o que prometeu. O jogo está mais bonito do que o anterior, o mapa está mais amplo, a jogabilidade e sistema estão evoluídos, agora temos uma barra de vigor que vai consumindo de acordo com algumas ações, a perda de vida causa danos consideráveis no seu Ghost atrapalhando propositalmente no gameplay para você sentir na pele o mesmo que ele. Tudo isso foi lindo e ótimo.

Mas onde está o problema? Não ficou apenas nisso, pois quiseram trazer com ainda mais força o cooperativo, maior utilização de loot, sistemas baseados em RPG, adição de pvp, entre outras coisas.

Algumas das adições são deveras bem vindas, porém, podemos ver uma distribuição muito desproporcional nisso.  Você monta a build de uma classe, por exemplo, algo mais voltado para stealth e te jogam missões que você tem que mandar o teu stealth pelo ralo, pegar uma bazuca e ser o Rambo… Ou chamar coleguinhas para o cooperativo.

Por mais que tenha buscado evoluir, graficamente o modelo dos personagens está algo deveras sofrido, enquanto o cenário está bem trabalho. Um contraste acaba sendo inevitável de se notar nisso.

Um mapa realmente extenso

O mapa de Breakpoint é absurdamente grande e apresenta diversos biomas, fazendo com que ele não fique tão repetitivo. Contudo, a distribuição de missões não é das melhores. É usar o helicóptero ou nem ir, pois marcam missões iniciais em locais extremamente distintos e contra mão, não sendo algo funcional para o jogador ou até incomodo. Pois se não tiver um helicóptero, terá que se transportar de automóvel ou motocicleta, basicamente colocando um alvo em sua cabeça.

Felizmente a geografia está a favor do jogador, fazendo que haja muitos terrenos altos e, como dizia Sun Tzu, o terreno alto lhe traz vantagens. Fuzil de precisão é uma delicia nesse jogo.

Além disso, o cenário é extremamente rico em elementos que auxiliam na camuflagem, como: água, alheia, lama, arbustos e outros. Falando nisso, o sistema de camuflagem é uma boa adição ao jogo, fazendo com que você não precise ficar num matinho para ninguém o ver. Usá-lo, permite que você realize emboscadas ou elimine sorrateiramente os seus alvos de forma eficaz e sem levar muita suspeita, entretanto, deve tomar cuidado pra não ficar tão na cara.

Online, everywhere Online

Temos duas formas de desfrutar o online de Tom Clancy’s Ghost Recon Breakpoint. A primeira é pelo costumeiro cooperativo onde podemos realizar missões (secundárias e da história) ou sair para tacar o terror, obviamente a segunda opção é a melhor.

Um ponto forte é a capacidade de realizar a campanha principal junto de amigos, porém, em alguns momentos dependendo da sua classe você se vê na necessidade de apelar para essa função mesmo se for do tipo de jogador solo.

Por outro lado, temos o PVP onde colocam times para se enfrentar. As regras são básicas, um time precisa colocar a bomba e protegê-la até explodir e o outro impedir que isso ocorra. Você pode utilizar quase todas as suas habilidades e armamentos neste modo, tirando proveito do seu crescimento in-game para subjugar os seus oponentes.

Algo interessante é que tanto no cooperativo quanto no PVP, você utiliza até a sua própria munição, fazendo com que os gastos e ganhos sejam refletidos para a campanha, então as vezes não é bom abusar de algumas coisas ou fará falta.

Infelizmente até onde aparenta ter lado positivo vem uma negatividade: O jogo exige conexão ao servidor 100% do tempo. Se a internet caiu? Já era. Se o servidor da Ubisoft está offline? Já era.

Inclusive, os servidores do game estavam uma verdadeira lástima a ponto de praticamente ninguém estar conseguindo acessá-lo.

A importância de se ter foco

Tom Clancy’s Ghost Recon Breakpoint está longe de ser um jogo ruim, ele tem ótimos sistemas e uma temática promissora. Porém, foi um tiroteio em busca de atingir vários públicos ao adicionar várias temáticas num único jogo: shooter, stealth, cooperativo, looter, pvp, open world, sandbox…

Quando um produto é feito, ele busca um público alvo. Por mais que o jogo aparenta ser pro “povão”, ele tem o seu publico especifico e posteriormente aqueles que também podem ser atraídos pelo seguinte produto. Nisso encontramos o problema de Breakpoint. Ele não se foca em um único público. Ele quer pegar vários públicos alvos ao mesmo tempo, fazendo com que sua identidade como um tipo exato de jogo se perca.

Ghost Recon Breakpoint é muitas coisas e não faz nenhuma delas com excelência.

 

Tom Clancy's Ghost Recon Breakpoint muitas ideias, mas sem boa execução

Visual, ambientação e gráficos - 8
Jogabilidade - 7.5
Diversão - 6
Áudio e trilha-sonora - 5
Modos Online - 7

6.7

Não é ruim, mas longe de ser bom. Um jogo mediano para se passar o tempo, talvez.

Tom Clancy's Ghost Recon Breakpoint tinha tudo para ser um grande game, principalmente levando em conta a promessa dele consertar os erros apresentados em seu antecessor, contudo, a Ubisoft quis estar muito a frente de seu tempo (mais uma vez) e acabou pisando na bola em questões básicas.

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Anderson Mussulino

Publicitário louco por toda a cultura geek. Redator do Última Ficha e apaixonado por jogos que vem da terra do sol nascente.
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