Análise: Shenmue 3 – Após longos 18 anos de espera

Shenmue 3 foi um dos jogos mais aguardados por gerações. Será que a espera superior há uma década compensou?

Shenmue 3 é o terceiro volume de uma franquia japonesa considerada o pai de Yazuka, iniciou-se em 29 de dezembro 1999 trazendo a história de Ryo Hazuki na busca por vingança após seu pai ser assassinado por Lan Di. O que aparentava ser apenas uma jornada para caçar o assassino de seu pai, acaba ganhando proporções ainda maiores com descoberta do espelho do dragão e da fênix e, posteriormente, o encontro pré-destinado entre Ryo e a jovem Shenhua Ling.

O jogo foi capaz de trazer uma proposta bastante inovadora em questões de gameplay e seu sucesso foi de grande destaque ao consagrado Dreamcast, fazendo com que dois anos depois a sequência acontecesse. Shenmue 2 não concluiu a jornada de Ryo, parando num clímax de sua história e deixando os fãs enaltecidos para descobrir como aquela narrativa chegaria ao fim.

Após 18 anos, a conclusão finalmente foi lançada. Shenmue 3 foi lançado e aqui poderemos ver mais um capítulo desse conto épico. Porém, será que a espera realmente valeu apena?

O terceiro capítulo de Shenmue

A história começa do ponto exato em que Shenmue 2 chegou ao fim, sendo uma continuação direta. Temos Ryo descobrindo o mistério da caverna que envolve os espelhos e sequencialmente indo para o vilarejo natal de Shenhua, onde boa parte da história deste jogo se desenrola. De inicio temos a missão de caçar informações sobre o desaparecimento do pai da garota e aos poucos isso vai se conectando a outros mistérios deixando a jornada do protagonista mais interessante.

Em busca de evitar spoilers, devo dizer que o roteiro é o ponto forte de Shenmue 3 e aquilo que nos prende a jogá-lo. Contudo, há muitas falhas e coisas sem lógica. Um bom exemplo:

  • Quando Ryo tem que conseguir informações sobre bandidos, um homem diz que só vai dar essas informações se ele o derrotar em combate. Essa pessoa tem nenhuma ligação com os bandidos, apenas avistou eles. Não há motivo do confronto.
  • Em outro momento, ainda procurando os bandidos, um homem diz que só dará informações se o vencer num jogo. Após derrotá-lo, ele menciona que foi roubado e ainda apanhou pros malfeitores. Qual o sentido de desafiar alguém que está querendo encontrar e punir aqueles que bateram em você?!

Outra falha que posso citar são as conversas com NPC’s. De inicio todos são gratuitamente hostis, depois vemos algumas conversas extremamente vagas e sem nexo. E, para piorar, repetem as falas inúmeras vezes e sem necessidades.

Para aqueles que querem ir direto para Shenmue 3 sem jogar os antecessores, o jogo possui um vídeo que resume a história de ambos, que pode ser visto acima.

Shenmue 3

Um jogo de 2019 que pertence a 2003

Desde o lançamento de Shenmue 2 em 2001 vimos várias gerações e inovações ocorrendo, jogos pegando referência em outros na busca de melhorar seus desenhos. Houve uma evolução conjunta entre eles. Porém, não é o que vemos em Shenmue 3, já que o game aparenta ser apenas uma pequena evolução do título anterior, como se ele estivesse sendo lançado 2 anos depois.

Os gráficos estão melhores? Sim. Longe de serem dignos para a atual geração, porém, os cenários são lindos apesar do design da maioria dos personagens ser algo sofrível.

O desempenho dele está bom? Ele roda liso, contudo, a animação dos personagens várias vezes falha, como bocas bugando ao serem movimentadas. Mostrando uma falta de experiência e referência na utilização da unreal engine 4.

O áudio está bom? Sua trilha sonora é maravilhosa e o som ambiente também. Porém, sinto falta de emoção na dublagem. São inúmeros os momentos em que Ryo e Shenhua parecem dois robôs conversando de tamanha a falta de emoção em suas palavras. Ironicamente esse problema persiste independente da dublagem japonesa ou americana.

Ação sem tanta ação

Uma vez que o sistema de combate de Shenmue foi revolucioná-lo, atualmente ele é ultrapassado. Parece ter sido outro ponto no qual Yu Suzuki, o principal responsável do jogo, pecou. Ele manteve o sistema igual a antes, não buscou o evoluir ou trazer mecânicas de outros jogos de sucesso. O sistema foi bom no passado, mas nos dias de hoje é parado, pesado e sem emoção. As lutas não são fluidas, para vencermos mais de um oponente temos que apelar para golpes que derrubam os inimigos, não conseguimos de fato nos aprofundar na beleza das artes marciais do qual o jogo tanto usa como fonte.

Os quick time event do qual o título sempre possuiu continuaram exatamente iguais daquela época. Aparecem quando menos esperamos, com um botão de ação sem padrão. Para 1999 e 2001 o sistema era funcional porque não existia melhores. Contudo, em 2019 já vimos diversos games usando e abusando dos quick time event de forma excepcional, algo que Shenmue 3 não consegue.

Outra falta de evolução foi em seu mini-mapa que serve de absolutamente nada. Só está lá para ocupar espaço, já que é mais fácil se movimentar focando-se em sua memória e pedindo informações na rua. Enquanto Death Stranding é o simulador do Sedex, Shenmue 3 é o simulador daquela pessoa que se mudou pra uma cidade nova e sai perguntando como chegar nos locais.

Shenmue 3 é a conclusão que queríamos? (SPOILERS)


Shenmue 3 não é a conclusão que queríamos.

Ele seria a continuação que precisávamos em 2003 e ainda assim não seria a conclusão, pois ele não fecha uma trilogia. Ele é a introdução de uma quadrilogia. No seu final, nada é concluído e abre espaço para um novo inimigo sem que Lan Di seja derrotado. Será que vamos aguardar mais 18 anos por Shenmue 4?


Shenmue 3 compensou a espera?

Visual, ambientação e gráficos - 4
Jogabilidade - 4
Diversão - 5
Áudio e trilha-sonora - 7
Narrativa - 7

5.4

Compre, se você for fã.

Shenmue 3 deveria ser uma conclusão épica, porém não é isso que temos aqui. Seu desenvolvimento não foi dos melhores, podemos ver que Yu Suzuki parou no tempo e ainda está no inicio dos anos 2000. É uma infelicidade, pois poderia ser o retorno iluminado de um grande clássico.

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Anderson Mussulino

Publicitário louco por toda a cultura geek. Redator do Última Ficha e apaixonado por jogos que vem da terra do sol nascente.
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