Análise: Yakuza 3 Remastered faz com que desejemos um Kiwami 3

Yakuza 3 Remastered é um grande game que nos deixa querendo mais, apesar de seu envelhecimento.

Lançado originalmente em 2009, Yakuza 3 Remastered traz o terceiro capítulo da história de Kiryu Kazuma na busca de uma vida pacifica cuidando do orfanato Morning Glory. Aclamado pela crítica e vencedor do prêmio “Game of the Year” do Japan Game Awards de 2009, esse jogo finalmente ganhou uma remasterização para aqueles que ainda não o conheciam pudessem embargar nessa nova jornada.

Mas aí entra uma dúvida no ar. Um jogo com mais de 10 anos de vida consegue fazer bonito ao receber um remaster invés de um remake? Vamos conferir.

Velhos hábitos nunca mudam

Após o final de Yakuza 2, Kiryu Kazuma resolve viver uma vida pacata cuidando da sua filha adotiva (Saki). Querendo se livrar de seu passando sombrio envolvendo a yakuza, ele abre um orfanato em Okinawa. Porém, meses depois, Kiryu se envolve num acontecimento muito maior do que antes. A guerra pelo clã Tojo iniciou!

A história de Yakuza 3 Remastered é dividida em dois arcos paralelos: Morning Glory e guerra do clã Tojo.

Ao mesmo tempo em que vemos Kiryu tentando cuidar de duas crianças, também temos ele buscando desvendar uma série de problemas que está envolvendo o clã Tojo, forçando a sua volta para Tokyo. Os dois arcos acontecem de forma mista, tendo um pouco de cada. Infelizmente isso acaba quebrando o ritmo, já que a história principal é a estrela dourada deste jogo. Por exemplo: Acabou de ocorrer algo incrível, mil revelações e plot twist… Você quer saber o que vai acontecer! Mas não, vamos resolver os problemas das crianças do orfanato primeiro.

Se tivesse menos momentos do orfanato e a história do clã Tojo seguisse seu fluxo sem pausas deixaria tudo mais interessante.

Yakuza 3 Remastered
Kiryu chamando a cremosa no zap

Yakuza 3 Remastered apesar da idade, se sai melhor que outro 3

Yakuza 3 Remastered nos lança num mundo bastante vivo com pessoas andando, carros passando, gente querendo nos bater e etc. Obviamente, está longe de ser um GTA. O mapa é consideravelmente limitado e não saímos dirigindo por aí. Se eu fosse fazer uma comparação, diria que sua forma de exploração da cidade é mais puxada para RPG.

Apesar de ter sido lançado originalmente nos primeiros anos de vida do saudoso Playstation 3, esse jogo buscou deixar o seu mundo o mais dinâmico que conseguiam até aquele ponto. Inimigos em locais predeterminados que podem ser destruídos é bom exemplo disso:

Alguém mal encarado se aproxima de Kiryu e o chama para lutar. Após uma disputa de cabeçadas (quick time event), Kiryu o lança contra a vitrine de uma loja, permitindo que a luta passe para dentro dela.

São poucas as lojas que você consegue adentrar sem que surja a tela de carregamento, e quando temos um confronto assim se torna de imediato. Dando a impressão que qualquer ponto está sujeito a ser destruído se ocorrer o QTE correto.

Se há algo que está prejudicado com o tempo é o sistema de batalha. Com um botão para golpe fraco, outro para golpe forte e um terceiro para agarrão, em momentos não dá para desferir livremente os movimentos que desejamos. Principalmente as finalizações em que eu fiquei apertando o botão e não foi inconsciente de timing.

Yakuza 3 Remastered falha em ser repetitivo

Exatamente. Ele falha de forma brutal em ser repetitivo. Como assim?

Você não vai achá-lo repetitivo. Vai amar como o jogo muda de uma hora para outra. Por mais que o sistema de batalha seja o ponto principal, temos várias outras coisas para fazer como jogar golf, bilhar, trabalhar em várias coisas, pescar, perseguir e ser perseguido. O melhor de tudo: cada ação tem sua jogabilidade própria.

É como jogar vários jogos dentro de outro e isso o torna bastante atrativo, porque se algo estiver ficando chato tem uma rota de fuga para dar aquela quebrada na rotina.

Yakuza 3 Remastered

Visual e sonoro

Por se tratar de um remaster, podemos ver como os gráficos já estão consideravelmente ultrapassados mesmo com o acabamento recebido para a atual geração. Enquanto Kiryu está bem definido, outros personagens importantes para a história também. Porém, quando chega nos terciários (as crianças do orfanato, por exemplo) notamos a diferença gritante de tratamento, onde o design deles são extremamente simples e até meio caricatos.

Fora isso, para um jogo daquela época, ele está bem detalhado. Prova disso são as lojas que apesar do grande reaproveitamento, elas apresentam uma variedade enorme de detalhes em sua estrutura.

Infelizmente todas as lojas são iguais

Como sempre, Yakuza conta com a presença de Hidenori Shoji como principal compositor. Ele trouxe uma ótima trilha sonora  para o jogo, fazendo com que você sinta falta da presença dela em momentos que são baseados apenas no som ambiente. Certamente a música é uma parte fundamental desse arranjo artístico.

Yakuza 3 Remastered faz com que desejemos um remake

Visual, ambientação e gráficos - 7
Jogabilidade - 7.5
Diversão - 10
Áudio e trilha-sonora - 10
Narrativa - 7.9

8.5

Compre, principalmente se for o conjunto.

Sendo um jogo ótimo apesar de um pouco datado, podemos nos divertir e curtir uma ótima história que por muitos é considerada a melhor narrativa de Yakuza. Por conta dos gráficos envelhecidos e gameplay um pouco travado, é inegável que esse título desperta a vontade de jogar um Yakuza Kiwami 3.

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Anderson Mussulino

Publicitário louco por toda a cultura geek. Redator do Última Ficha e apaixonado por jogos que vem da terra do sol nascente.
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