Análise: Underhero é fantástico!

Underhero acerta na narrativa da clássica jornada do herói com um novo ponto de vista

Quando vi Underhero pela primeira vez eu pensei: olha lá que jogo indie interessante. Tem cara de ser legalzinho. Mas meus amigos e amigas, como estava errado, legalzinho é uma injustiça para essa obra de arte.

O jogo pega uma temática batida da jornada do herói onde o herói salva a princesa e traz diversas reviravoltas e novidades que você nunca havia pensado. E claro, tudo com uma grande dose de humor.

O jogo começou e o Herói morreu

O jogo inicia com o valente herói entrando no castelo do mal supremo! Ele está com o nível máximo e pronto para enfrentar o último rival. Ao chegar em uma sala, os clássicos minions estão prontos para defender seu chefe, mas espera, eles estão discutindo se só servem para aumentar a experiência do herói? Tem inimigos com vontade de lutar e sem vontade, pois está com medo?

Perplexo, o herói fica parado e confuso olhando para eles, até que um candelabro cai matando os dois inimigos e o herói de uma única vez. Aparentemente um terceiro inimigo, chamado de Masked Kid (sim, o jogo não tem legenda em português) sem querer puxou uma alavanca e acabou com o grande herói.

Indo ver sua “obra de arte”, ele coleta a arma do herói, Elizabeth IV que fala compulsivamente, e as três pedras que ele havia coletado. Espantado o Mr. Stiches (o grande vilão) congratula seu funcionário e o manda devolver as pedras para os chefões que o herói originalmente derrotou.

Ao sair da sala, a arma lendária Elizabeth IV convence ao Masked Kid a lutar pelo bem e ficar forte a ponto de poder derrotar o temível Mr. Stiches. E a partir daqui que Underhero mostra toda sua genialidade, pois você é um inimigo que na realidade é um agente duplo. É possível ver todos os bastidores do “castelo do mal”, conversar com todos os inimigos e muito mais. Afinal de contas, você é um deles e não teriam porque desconfiar de você.

Adicione a essa trama, muita ironia, piadas e personagens fortes e temos Underhero. Um jogo que te impressiona do início ao fim.

Três mundos que parecem trezentos

A incumbência dada por Mr. Stiches é muito simples. Volte aos três mundos e devolva as três pedras ao três chefões. De cara eu pense: Poxa, só três fases? Vai ser rápido isso. Mas não se engane, o jogo demora umas 10 horas para terminar.

Basicamente temos quatro grandes cenários. O primeiro é o castelo do mal aonde você vive e tem seus colegas. O segundo é a primeira fase que é uma grande floresta. O terceiro é a segunda fase que é uma grande mansão assombrada cheia de fantasmas e morcegos. E por fim, a última é uma ilha tropical que tem um grande vulcão que faz um incrível molho picante de salsa!

O interessante é que apenas ouvindo a descrição, eles não parecem nada demais, mas na realidade os mundos vão se multiplicando por diversas vezes e você sempre acha que está perto do fim, mas nunca realmente está. Você é apresentado a inúmeros inimigos, personagens, missões secundárias, labirintos e mais.

Justiça seja feita, o game design no jogo é apenas normal, porém, é um normal extremamente bem feito. E em algumas vezes você será desafiado sim a acertar o puzzle ou descobrir o que tem que fazer.

Os chefões, o grande destaque do jogo

Eu vou falar mais abaixo da jogabilidade (que é excelente), mas antes quero fazer um tópico somente para elogiar os chefões. É originalidade até dizer chega. Nenhum chefão é igual ao outro e quanto mais você avança nas lutas, mais impressionante fica.

No primeiro eu achei que foi tudo muito fácil, mas fui descobrir que era um tutorial glorificado. Já na segunda fase tudo muda, incluindo os chefões. Os desafios são os mais inusitados possíveis e o jogo nunca será tedioso.

Claro que não posso comentar nada, mas para se ter uma ideia, um dos chefões você luta sem sua arma, pois Elizabeth IV está simplesmente sem vontade de lutar.

Jogabilidade diferenciada de Underhero

O último ponto a ser abordado em Underhero é seu gameplay. Como mencionei acima, os chefões dão um show a parte e cada um é único. Mas isso não quer dizer que a ação não se destaca.

Fora da luta, Underhero funciona como um jogo de plataforma clássico. Pular, esquivar, armadilhas, buracos e por ai vai. Nada fora do que já vimos. Porém, ao lutar as coisas mudam e bastante.

A primeira reviravolta vai para a não necessidade de lutar. Como você é um vilão, você pode papear com os outros vilões. Claro, para passar por eles uma ajudinha cai bem né? Deixar o cafezinho. Pagar um guaraná. Molhar a mão e por ai vai. Sim, subornar todos os inimigos é uma opção de luta.

Mas claro, como dinheiro não cresce em árvores e você precisa ficar mais forte e comprar upgrades, vamos as batalhas. A primeira coisa a ser vista é sua stamina. Cada movimento tem um custo específico. Golpe normal é 3. Golpe pesado é 4 (e é bem mais lento). Ativar o escudo gasta 1. E o estilingue, para atacar a distância, custa 3 também. Logicamente é possível aumentar sua barra de stamina além de poder recuperar ao longo da luta.

E essa recuperação nos leva a uma dança assim por se dizer. Todos os inimigos tem um padrão e estilos de ataques. Eles SEMPRE dão algum tipo de dica antes de atacar. É necessário ficar atento a essas dicas e decorar os padrões, pois poderá se esquivar dos ataques seja ou pulando ou se abaixando. Além de poder tentar dar um parry com seu escudo.

E não é somente isso, existem batalhas que necessitam de condições para serem vencidas ou tem um padrão inesperado, por exemplo os fantasmas. É necessário ter uma vela acesa, caso contrário você será expulso do cômodo. Ou então as aranhas, que podem ter teias de diferentes formas e com isso sempre estarão se movimentando de forma diferente.

Underhero surpreende do início ao fim

Visual, ambientação e gráficos - 8.5
Jogabilidade - 9.5
Diversão - 10
Áudio e trilha-sonora - 8
Personagens, história e humor - 10

9.2

Fantástico

O ditado "Não julgue um livro pela capa" nunca fez tanto sentido quanto em Underhero. Embora pareça um jogo simples de longe, ele é absolutamente fenomenal. Apresenta um combate bem diferente do que existe por ai e tem uma história fantástica cheia de ótimos personagens e reviravoltas. Diria que é um dos primeiros títulos obrigatórios de 2020.

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Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.
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