Análise: Ghost of Tsushima é uma fantástica aventura Samurai

Jogo acerta no tema entregando uma aventura linda e emocionante

Quando a Sucker Punch anunciou seu jogo Ghost of Tsushima na E3 de 2018 todos ficaram surpresos. Afinal, a empresa até o momento só havia apresentado jogos de seres com super poderes em sua franquia Infamous. Contudo, iniciar uma franquia com samurais em um Japão Feudal é algo muito diferente.

Será que a Sucker Punch, que lançou um dos primeiros exclusivos do PS4 acertou em sua mais nova tentativa e fechará com chave de ouro a vida do console? Confira abaixo nossa análise.

Neto de Gengins Khan

Baseado em Fatos Reais

Antes de falar do jogo tenho que falar que ele é baseado em acontecimentos históricos. Durante o ano de 1274 os mongóis invadiram a ilha de Tsushima, um importante centro comercial, no Japão pela primeira vez tendo como grande organizador Kublai Khan, neto de Gengis Khan.

O governador de Tsushima  Sukekuni levou oitenta homens (Samurais) para a batalha na praia, mas acabaram sendo todos devastados e assassinados. Até então, os Japoneses até então nunca haviam recebido um ataque deste gênero nem visto as tecnologias que foram trazidas para a guerra como pólvora.

Como todos eram guiados pela forte honra do Bushido, os combates eram feitos em 1 contra 1. Agora imaginem os oitenta samurais se deparando com um exército organizado, com táticas nunca antes vistas, assim com armas antes desconhecidas por eles. Isso só mostrou o despreparo dos Japoneses para esse tipo de abordagem e muita coisa teve que ser revista em pouco tempo.

Onde tudo começou a dar errado

Entrando em Ghost of Tsushima

O que eu falei acima, é a história de Ghost of Tsushima, mas com algumas mudanças. Aqui você será o personagem Jin Sakai, sobrinho do Lorde Shimura que representa  Sukekuni. Após a derrota na praia, Khotun Khan, primo fictício de Kublai Khan, e também neto de Gengis Khan, rapta o Lorde Shimura para tentar convencê-lo de unir forças e acelerar a tomada da ilha de Tsushima.

Milagrosamente Jin não morre na praia e é resgatado e curado pela ladra Yuna que mostra que existem caminhos não honrados para sobreviver. A partir daí existem duas histórias que surgem dentro do jogo.

A primeira e mais óbvia é a urgência de destruir as forças mongóis tendo como principal objetivo matar Khotun Khan. Ao longo do jogo o antagonista mostra sua crueldade e brutalidade com o povo Japonês e sua grande sede de poder assim como desrespeito pelas tradições japonesas. Em especial dos samurais que como ele mesmo fala que “a honra e suas tradições os tornam previsíveis”.

E a “segunda história” é o dilema que o protagonista Jin Sakai que vê com essa invasão a necessidade de se reinventar para defender sua terra natal e seu povo. Quanto mais ele aceita caminhos diferentes e mais próximo se torna a lenda de ser o Fantasma de Tsushima, mais ele é questionado e se questiona sobre a honra no campo de batalha.

Para pontuar melhor esse distanciamento da honra, diversas vezes é mencionado que Jin está usando táticas e técnicas Shinobi. Este nome é dado ao ninja que se esgueira pela noite e não há limites em meios para atingir seus objetivos.

Chamar de bonito é pouco

Visuais de cair o queixo

Eu poderia dizer simplesmente que Ghost of Tsushima é absurdamente lindo e seguir em frente, mas existem muitas coisas a serem mencionadas. Algo que fiquei positivamente impressionado foi com a fidelidade e respeito pelas ambientações japonesas. Eu já tive a oportunidade de conhecer o país do sol nascente e posso afirmar que acertaram em cheio. Inclusive a Sucker Punch foi diversas vezes na ilha de Tsushima para pegar inúmeras referencias.

Existem lindos campos, florestas tradicionais, florestas de bambu, rios, lagos, campos de plantação de arroz, portões de Torii, Pagodas, templos budistas e muitas outras. Todos esses visuais são realçados por uma iluminação sublime que a Sucker Punch trouxe ao jogo. Com o sistema de noite e dia, o mesmo campo tem visuais diferentes com o nascer do sol, por do sol e à luz do luar.

Além da iluminação que mostra um mundo vivo e intenso, temos o vento sempre está presente no jogo. É muito legal ver os sinos tocando e balançando com o vento ou então ver diversas folhas sendo carregadas assim como ver a grama mexendo sem parar. Um destaque fica para a exploração da ilha onde seu guia é o próprio vento o que traz uma boa imersão ao jogo.

Para acompanhar essa ilha espetacular, temos a trilha sonora mais nipônica impossível. Tudo que sabemos ou ouvimos falar sobre os sons japoneses, incluindo os sons de flauta e do Shamisen (violão de 3 cordas) estão presentes no jogo. Inclusive ao passar o dedo para a esquerda no touch do DS4, Jin irá sacar sua flauta e tocará uma música.

É errado querer somente jogar em preto e branco?

E a cereja do bolo fica com o Kurosawa Mode. Esse modo é uma homenagem para o famoso diretor de cinema Japonês Akira Kurosawa que ficou famoso por fazer filmes de Samurai começando no estilo de cinema Preto e Branco. Ao ativar esse modo, o jogo além de perder suas cores ganha um filtro de como se fosse um filme da década de 40. E não ache que o jogo ficará feio por ficar em preto e branco, na realidade é o oposto. Ver os vastos campos, interações entre personagens e disputas Samurai com esse modo ativado é viciante.

A estrutura das missões de Ghost of Tsushima

Ghost of Tsushima tem uma estrutura de missões um pouco diferente do que vimos em outros jogos. Aqui são chamadas de Contos de Tsushima, se utilizando da cultura Japonesa.

Mais um conto concluído

Existem os contos principais que é a missão principal sendo muito bem estruturada e com ótimos personagens como a ladra Yuna, o Sensei Ishikawa, a senhora Masako dentre outros. Desses ótimos personagens, diversos deles tem missões secundárias próprias que podem variar de algumas poucas até 9 contos para uma única por pessoa. Cada um tem sua motivação no mundo onde irão perseguir algum traidor ou então o assassino de sua família.

Porém, existem as missões secundárias para encher linguiça onde 99% acaba sendo algum personagem pedindo ajuda, pois os mongóis invadiram sua casa ou foi assaltado pelos mongóis ou então alguém foi morto/capturado. E essas missões pipocam por toda a ilha de Tsushima que acaba servindo para farmar itens. Você pode resgatar reféns durante suas caminhadas ou então falar com pessoas em cidades ou acampamentos que irão te passar algumas missões.

Por fim existem algumas poucas e ótimas missões lendárias. Elas irão desbloquear algum tipo de armadura, arco longo ou até mesmo novas habilidades (como uma espada flamejante). Elas são lendas de Tsushima e após ouvir um conto muito bem desenvolvido e com uma animação sublime, você deverá investigar onde estariam tais itens. Essas missões dão um frescor por sua criatividade e são as mais diferentes apresentadas durante o jogo.

Importante confirmar que, por ser um jogo grande com um mapa igualmente vasto, é possível utilizar a viagem rápida entre qualquer ponto já descoberto por Jin.

Carinho na raposa? 10/10

Alguns problemas de Ghost of Tsushima

Ghost of Tsushima tem inúmeras qualidades, mas não está livre de críticas. Curiosamente os maiores problemas do jogos acabam existindo por ser um jogo de mundo aberto e se utilizando de algumas mecânicas que com o tempo cansam. De forma resumida, quando você faz uma atividade é muito legal, mas quando faz ela um milhão de vezes, acaba se tornando chata.

Como mencionei anteriormente, as missões secundárias são um tanto repetitivas e acabam se tornando desinteressantes. Na grande maioria dos casos você irá acabar batalhando com inimigos, somente. Mesmo quando colocam uma investigação para entender o que aconteceu ela acaba se resumindo a olhar dois pontos distintos e seguir as pegadas dos ladrões para achá-los.

Algo que animou a todos foi a adição de animais. A Inari (raposa) irá te levar para vários pequenos templos para honrá-lo. Após honrar templos o suficiente, Jin irá ganhar espaços adicionais para acessórios. Do outro lado temos os pássaros amarelos que sempre irão lhe chamar a atenção para pontos de interesse e desafios. Teremos a escalada de grandes templos para ganhar um grande talismã, o desafio de cortar bambus para ganhar pontos de concentração, termas que farão Jin descansar, filosofar e aumentar sua vida, assim como ser levado a belos pontos de reflexão para fazer Haikus (poemas).

Vamos criar um Haiku?

Essa interação com o ambiente é muito legal e mostra uma parte real da cultura japonesa, porém da metade do jogo em diante eu me senti cansado de seguir inúmeras raposas ou então pássaros para conseguir um ponto de melhoria.

Na jogabilidade algo que me incomodou é que ao lutar em um espaço de alturas diferente, um no chão e o outro em uma pedra por exemplo, ninguém acerta ninguém. Qualquer pequena diferença de elevação entre “itens” diferentes como chão, pedra, telhado, etc, simplesmente faz com que não consiga acertar o adversário. Faltou um claro polimento nesta parte e torço para que isso seja resolvido por meio de atualizações.

Para fechar as críticas, o jogo por mais que seja lindo, existem algumas texturas menos trabalhadas (me lembrando do que aconteceu em Final  Fantasy VII Remake). Em especial a queda de qualidade gráfica quando entra em casas e estruturas. Também percebi ao longo dos muitos contos, que a animação dos personagens poderiam ter sido mais polidas.

Sem palavras

Seja um Samurai ou Shinobi quando quiser

Claro que eu não poderia deixar de falar do excelente e complexo sistema de combate. Na luta é possível fazer ataque normal e forte. Ao carregar o botão de ataque, ele faz um ataque carregado. É possível fazer parry e esquivar.

Com o tempo e seguindo a gigante árvore de habilidades, você começa a ganhar inúmeras opções de ataque. Nos ataques Samurai, você irá liberar até 4 instancias de luta que são mais efetivas contra as classes e inimigo. Existe uma classe ótima contra espadachins, inimigos que utilizam escudos, lanças e os brutamontes.

Já a árvore de fantasma, irá lhe dar inúmeras opções de itens para serem usados. Jogar Kunais, bomba de fumaça, dardos venenosos, colocar fogo na espada, jogar bombas, sinos de vento para distrair os inimigos e etc. Isso sem contar que temos o arco e flecha curto e longo onde cada um tem flechas variadas. Ao apertar ou L2 ou R2 sempre aparecerá uma gama de opções de itens para mudar imediatamente.

Essa combinação de estilos Samurai e Shinobi faz com que o gameplay seja extremamente rico e técnico. Você pode tentar uma abordagem honrosa ao lutar contra os inimigos com seus muitos estilos ou então poderá se esgueirar com seus itens e matá-los na sombra ou até impor medo neles. Além disso, é possível interagir com alguns itens do cenário como explodir barris, atingir braseiros ou até entrar em partes escondidas das casas para surpreender os inimigos.

Colocara a instancia correta e partir para cima

Uma outra mecânica bacana do jogo é a que abraça a honra é o desafio de inimigos. Você pode desafiar um grupo ao duelo no melhor estilo dos filmes de Akira Kurosawa. Ao evoluir essa técnica, é possível matar até três inimigos em sequência.

Algo que também influencia na luta são suas armaduras. Gosta de ter mais defesa e vida? Então use uma armadura de samurai. Preza mais poder de ataque? Então utilize a armadura de Ronin. Prefere atacar de longe com o arco e flecha? Tem uma armadura específica para isso. Ou então quer ser o verdadeiro fantasma de Tsushima? Use sua armadura de fantasma e seja o terror dos mongóis. Todas as armaduras podem ser melhoradas assim como suas armas que receberão melhores status.

Para fechar este extenso tópico, tenho que falar do sistema de level up e da gigantesca árvore de habilidades. A medida que vai concluindo missões, você ganha pontos de lenda. Esses pontos vão enchendo o atual status que tem. Esse “pote de lenda” sempre lhe dará novos pontos de habilidades que poderá utilizar para melhorar suas habilidades. Basicamente para toda habilidade e itens, existe uma árvore de melhoria – incluindo suas 4 instancias de Samurai.

Depois de dominar todo isso, é extremamente recompensador matar os inimigos e fazer sua lenda.

Conclusão: Baita jogo

Conclusão

Ghost of Tsushima é um jogo que me surpreendeu positivamente. Por ser um jogo no Japão Feudal eu já tinha interesse em sua lore, mas após ver o cuidado com a região e a cultura que a Sucker Punch teve, eu me apaixonei por este mundo e nem vi as mais de 40 horas passarem até terminá-lo. Caso queira fazer todas as missões e explorar tudo, se prepare para quase 60 horas de jogatina.

Ghost of Tsushima é muito completo, com gráficos lindos, uma bela história e com um gameplay rico e complexo. Os fãs de mundo aberto e da cultura nipônica não poderão deixar de lado essa obra de arte. Vale pontuar que o jogo não é perfeito e sofre com alguns problemas conhecidos, presentes em jogos de mundo aberto, como: repetitividade de missões e colecionáveis para preencher o mundo. Em determinado momento elas simplesmente cansam. Além disso, o jogo precisa de um pouco mais de polimento em alguns detalhes da luta assim como nas animações e na parte interna das casas que destoam do belo mundo.

Essa análise segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

Ghost of Tsushima é uma aventura japonesa maravilhosa

Visual, ambientação e gráficos - 9.3
Jogabilidade - 8.7
Diversão - 9
Áudio e trilha-sonora - 10
História, personagens e cultura Samurai - 9

9.2

Fantástico

Ghost of Tsushima é um grande acerto da Sucker Punch, que mostrou capacidade ao sair da zona de conforto quando fazia jogos da franquia Infamous. O jogo traz um grande e lindo mundo do Japão Feudal com inúmeras referencias a cultura nipônica. A história encanta com os dramas da honra como o antagonista conquistador se mostra um grande e poderoso vilão. Esse jogo certamente irá agradar a maioria com suas mecânicas e seu interessante mundo aberto.

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Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.
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