Análise: Olhe para o abismo em Neon Abyss

E o abismo colorido te olha de volta

Criado pela desenvolvedora chinesa Veewo Games, Neon Abyss é a mais recente aposta da veterana distribuidora Team17, reconhecida pela criação da série Worms, no mundo dos roguelikes. Mas, em um gênero com tantos títulos recentes, o que Neon Abyss tem a oferecer?

Neon Abyss faz jus ao nome e rapidamente te entrega um abismo de dungeons com cores e luz. Não espere muita narrativa por aqui. Em poucos segundos o game te coloca em uma mesa de bar em frente de Hades. Ele diz que precisa de ajuda para montar seu “Grim Squad” e acabar com o reinado dos Titãs. No entanto, as referências à mitologia grega acabam por aí.

Neon Abyss é direto ao assunto

Sem tutoriais, direcionamentos ou maiores introduções você já é jogado diretamente na primeira dungeon. Nela, o sistema é conhecido. Você vai avançando por salas onde vai encontrar inimigos e/ou itens até encontrar a sala do chefe. Todas as salas com pontos de interesse são sinalizadas. Você vai sempre saber que tem um chefe, um desafio, uma loja ou um item importante dentro antes de entrar.

As dungeons são geradas de forma procedural e pensadas para você termina-la com uma só vida. São vários níveis com sub-chefes até o chefe final. Caso você morra em qualquer momento antes de derrotar o chefe do último nível, você será transportado de volta para o bar, que é o hub principal, e terá que refazer todos os níveis desde o primeiro. Esse é o principal desafio de Neon Abyss, que brinca com isso desde o início ao mostrar a frase “A morte é a única saída” no início de cada run.

Como é padrão do gênero, ao morrer você perde todos os itens menos um, que é utilizado para comprar upgrades e novos personagens no bar. No bar, aliás, você também pode alterar o nível de dificuldade, selecionar novos personagens – cada um com característica e habilidades únicas – e, no melhor estilo dos jogos dos anos 90, retomar uma run que você tenha morrido utilizando passwords. É curiosa essa possibilidade de poder retomar um personagem que você tenha perdido com todos os itens e continuar em frente. No entanto, o game avisa que todas as conquistas ficarão bloqueadas.

Um problema de variedade

Neon Abyss não tem medo de arriscar na quantidade de itens e modificadores diferentes que ele tem a disposição. São dezenas de armas, armaduras, bombas, itens passivos e até ovos que chocam e viram uns monstrinhos que te ajudam nas batalhas. Nem todos os itens são positivos e você só consegue ver o que fazem depois de pegá-los. Ou se pegar um outro item que permita que você veja as descrições.

A variedade é interessante, pois além de termos algumas armas estranhas e com efeitos engraçados, isso permite abordagens diferentes nas batalhas. No entanto, em determinado momento fica difícil entender o que está acontecendo na tela nas batalhas mais frenéticas. Principalmente nos desafios que colocam muitos inimigos em salas pequenas.

Falando em inimigos e desafios, estão neles o principal problema de Neon Abyss. Confesso que achei muito divertido nas primeiras horas e que os chefes são ideias criativas. Todos eles são “Deuses modernos”, como o Deus do Fast-Food, que se chama McFamily, ou os Deuses do Vídeos Mobile (sim!), que são Tik… e Tok. No entanto, acabei passando horas e horas enfrentando os mesmos chefes nas mesmas dungeons.

Sim, apesar de visualmente interessantes (falarei mais sobre os gráficos adiante), as dungeons são praticamente todas iguais, só mudando as cores. Mesmo a geração procedural é pouco inspirada. E falando em pouco inspiração, o design dos inimigos normais chega a ser preguiçoso. Após pouco tempo o jogador já terá visto todas as combinações de cenários, inimigos e desafios possíveis, mas ainda terá que repetir isso por muitas horas até terminar o game.

Um abismo de cores e sons

A Veewo Games capricha no visual em pixel art e tem êxito em dar personalidade a ele. Neon Abyss pode não ser um primor gráfico, mas consegue ter um estilo bem característico e próprio. As animações 2D são bonitas e fluídas, os efeitos de iluminação são uma adição muito interessante e tudo combina muito bem com a trilha sonora.

As músicas são compostas por batidas eletrônicas bem agitadas, mas que variam conforme as batalhas acontecem. Um casamento muito bom com os desafios frenéticos que o jogo impõe e que dá vida ao ambiente.

Conclusão

Neon Abyss mostra potencial, é visualmente bonito e capricha na variedade de armas, itens e personagens à disposição, mas peca na falta de variedade de cenários e inimigos. Poderia ser um ótimo nome no mercado de games do gênero, mas sua falhas o deixam na mesma prateleira dos concorrentes.

Neon Abyss foi lançado no último dia 14 de julho para Playstation 4, Xbox One, Switch e PC. Uma cópia de PS4 cedida pela Team17 foi utilizada na produção desta análise.

Essa análise segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

Neon Abyss

Visual, ambientação e gráficos - 8
Jogabilidade - 7
Diversão - 7
Áudio e trilha-sonora - 9
Fator Replay - 6

7.4

Bom

Neon Abyss vai proporcionar bastante diversão nas primeiras horas, mas a falta de inspiração em cenário e inimigos compromete o resultado final.

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Paulo Macedo

Hoje um velho vascaíno ranzinza, ficou maravilhado pelo mundo dos videogames ainda criança, quando viu River Raid no Atari pela primeira vez em algum sábado de sol de 1990. Mais de 30 anos depois, continua com o mesmo brilho nos olhos quando segura um controle nas mãos. Segue lá no Twitter: @pmacedojunior
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