Análise: Assassin’s Creed Valhalla é um dos melhores

Vamos acabar com os saxões!

Assassin’s Creed se encontrava numa decadência de vendas desde o seu lançamento com Assassin’s Creed Unity, que apresentou diversos bugs que quebraram a experiência dos primeiros consumidores. Porém, isso abriu os olhos da Ubisoft que notou a necessidade de realmente inovar em sua franquia e, desta forma, nasceu o aclamado Assassin’s Creed Origins – que conta surgimento do credo com a sua intitulação original: Os Ocultos. Agarrado nesse sucesso, tivemos então o polêmico divisor de águas que foi Assassin’s Creed Odyssey que se passa antes mesmo da “origem” e explora ainda mais os elementos de RPG. Com os dois títulos citados tivemos o começo e meio de uma nova trilogia e que agora recebeu o tão aguardado encerramento que é Assassin’s Creed Valhalla.

Contudo, sabemos bem o peso que um “encerramento” causa, afinal, os fãs de longa data tiveram isso com o fechamento do arco de Ezio, Desmond e família Kenway. Será que Valhalla realmente vai consegui fechar com chave de ouro a atual saga?

Assassin’s Creed Valhalla estará disponível no dia 10 de Novembro para PS4, PS5 (a partir do dia 12), Xbox One, Xbox Series X|S, Stadia e PC via Uplay. Nossa análise foi feita em um PS4 através de um código cedido pela produtora.

A épica saga de Eivor

Logo de começo temos a introdução de Eivor, quando o próprio era ainda uma criança. Está acontecendo uma celebração da união de dois clãs em busca de conviverem em paz nas terras gélidas da Noruega, contudo, essa celebração é interrompida com um ataque surpresa vindo de um suposto aliado. O resultado é trágico e o jovem protagonista é vítima de inúmeros eventos sequenciais que colocam sua vida em risco.

Neste momento acontece uma falha no Animus, mostrando que há dois DNAs entrelaçados em um único. Essa é a deixa para Ubisoft permitir que escolham jogar com Eivor homem ou mulher e, diferente de Odyssey, você pode alternar entre a sequência do DNA livremente ou deixar que o jogo se adapte da forma que seu progresso acontece. Escolhendo essa última opção, vai acontecer de em alguns momentos você estar usando o Eivor homem e pouco tempo depois o jogo mudar para a sua versão feminina, mostrando que o Animus está buscando o DNA que melhor representa aquele momento.

Anos se passaram e o garoto/garota cresceu, tornando-se um poderoso guerreiro. Eivor consegue cumprir o seu objetivo e isso já quebra um padrão de história que conhecemos muito bem na série Assassin’s Creed: a busca por vingança. Essa história não gira em torno dessa jornada, principalmente por acabar logo no primeiro capítulo. E isso é um ponto positivo, pois vemos que o protagonista possui objetivos maiores.

Uma crítica pesada em Odyssey foi a personalidade de Alexios e Kassandra. Eles eram bem “batata” quando não tínhamos opção de escolha para moldar suas personalidades e ainda assim era difícil ver uma personalidade bem desenvolvida e aprofundada nos dois. Felizmente isso muda em Assassin’s Creed Valhalla, onde o nosso herói tem uma personalidade definida e bem construída. As respostas se baseiam em ações/falas que o próprio poderia fazer sem distorcer quem ele é.

Assassin’s Creed Valhalla não sofre da síndrome de “O Escolhido”

Talvez esse título acima seja um pouco injusto, levando em conta que Eivor tem inúmeras visões de Odin mostrando que ele é um “escolhido”. Contudo, durante o decorrer da narrativa, vemos que o mundo não gira em torno dele.

O principal motivo disso se deve aos inúmeros personagens marcantes que passam pela vida do viking, começando por Sigurd e seu carisma. Além dele, temos outras menções honrosas como os filhos de Ragnar (Ivarr e Ubba) que representam uma dualidade de irmãos diferente da que temos na dupla principal. Outros dois personagens que merecem ser destacados são os ocultos, que ensinam o caminho do credo para Eivor, eles são: Basim e Hytham.

Aproveitando esse gancho, devo dizer como é satisfatório ver dois membros dos Ocultos com a organização sendo mais próxima de ser aquilo que conhecemos como a irmandade dos assassinos. Os ensinamentos que eles passam já são os fundamentos da ordem, como o salto de fé e a utilização da hidden blade.

Assassin's Creed Valhalla não sofre da sindrome de "the chosen one"

Mais Assassin’s Creed e menos RPG

As características de RPG foram um acerto inegável para a franquia com Origins. Antes disso, já tínhamos um preludio que isso daria certo devido aos sistemas de evolução presente em Unity e Syndicate. Todavia, o sistema foi bastante reforçado em Odyssey com maior número de loot, uma árvore de habilidades com maior expansão, escolha dos diálogos e uma quantidade quase ilimitada de side-quests (missões secundárias) para realizar.

O problema de Odyssey foi que em diversos aspectos mudaram sistemas que (deram certo em Origins) e trouxeram outros que não ficaram tão legais, como é o caso de algumas habilidades. Um exemplo disso é que em AC Odyssey, independente do arco que você use, ele servirá para alcance longo, médio e curto, dependendo do seu set de skills. Enquanto em Origins tínhamos um arco para cada tipo de tiro.

Assassin’s Creed Valhalla reduz os sistemas de RPG que ficaram em excesso no seu antecessor e retorna outros sistemas que foram mais bem aceitos em Origins (como os tipos variados de arco). Além disso, o loot de itens não é tão descontrolado como antes. Você vai fazer inimigos droparem equipamentos ou conseguir novos em baús, entretanto, será uma quantidade razoável e serão peças únicas. Diferente do anterior que o mesmo traje podia ser achado inúmeras vezes.

Junto disso, características saudosas retornaram ao game como:

  • A Hidden Blade causar hit kill;
  • A visão de águia (visão de Odin);
  • Parkour menos genérico;
  • Administrar a sua aldeia;
  • Se esconder na multidão;
  • Melhor uso do cenário para se ocultar;
  • Rostos conhecidos nos dias modernos;
  • Diálogos pós execução.

Pode até ser exagero o que eu irei direi agora, mas, dos últimos títulos esse é o que melhor carrega o legado da franquia em questões de jogabilidade!

Assassin’s Creed Valhalla comprova que menos é mais

Quando vemos aquele imenso mapa de Assassin’s Creed Odyssey, sentimos um misto de “que mapa enorme quero explorar tudo” com “que preguiça ,mano“. Em Valhalla temos um mapa menor, porém, nem por isso, pior. Ele consegue variar muito bem nos biomas do jogo, mesclando terras geladas com florestas coloridas ou cenários mais quentes. Tudo depende da região e do reino em que estiver caminhando. Cenários deslumbrantes vão surgir a todo instante, mostrando que não há arrependimentos visuais se jogá-lo no Xbox One ou Playstation 4. Contudo, fico ansioso para testar essa belezinha na nova geração.

O menor número de missões secundárias também ajudou a deixar o game mais receptivo. No anterior acontecia muito de apenas ter que matar um alvo e fim, não havendo uma narrativa interessante e só servindo pra ampliar o tempo do jogo. Agora, as missões secundárias carregam consigo uma narrativa, alguns casos como os contratos dos Mil Olhos que apenas trazem algo simples para fazer e sem profundidade.

O jogo está repleto de eventos globais que, indiretamente, são missões que ninguém te pede para fazer. Você verá algo acontecendo, saberá o que está rolando e terá que descobrir alguma forma de solucionar sem que ninguém te indique como faze-lo. Por exemplo, caminhando pelo mapa deu para ouvir uma senhora reclamando com seus inúmeros gatos e mais para frente encontrei um evento onde um homem reclamava que ratos estavam acabando com suas plantações. Não houve nenhum indicador no mapa do que deveria ser feito, mas pude usar os gatos da mulher para salvar a plantação alheia.

Assassin's Creed Valhalla comprova que menos é mais

Combate e experiência de jogo foram aprimorados

Uma grande novidade, em comparação aos seus antecessores, é que Assassin’s Creed Valhalla permite que você equipe armas diferentes em suas mãos, deste modo ampliando o leque de opções para os suas abordagens nada furtivas. Quer usar dois machados? Use! Quer um machado e escudo? Use! E por aí vai.

Diferente dos outros jogos, agora temos o uso da estamina para limitar os ataques e fazer com que o uso de golpes e ações erradas sejam mais punitivas. Dito isso, os inimigos também possuem estamina própria e que os deixam a mercê de tomarem um ataque fatal acaso ela se esgote.

Há dois tipos de habilidades no game: As que precisam ser ativadas e as passivas.

As habilidades que são familiares, aquelas que conhecemos em Odyssey, não são mais adquiridas com a evolução do personagem. Elas são um tipo de item colecionável em que você precisa encontrar o papel que ensina a usá-la. Só então será possível executá-la.

As habilidades passivas (tem algumas ativas que não consomem a sua energia) são conquistadas por meio do bom e velho “level up” na árvore de evolução. Essa árvore é onde depositamos os pontos adquiridos a cada novo nível e pode desbloquear aumento de status, fazer assassinato em sequência, pisotear a cabeça de inimigos caídos e etc.

A Ubisoft acertou em cheio em aplicar inúmeras configurações de gameplay para o jogo, uma vez que agora é possível escolher se a hidden blade matará com hit kill ou baseado no seu nível de dano furtivo, se terá sangue, nudez, violência, se o jogo será difícil no combate, a dificuldade da furtividade ou se a exploração ficará muito a Deus dará (subjetiva).

Tudo isso traz uma experiência personalizada a cada jogador, optando em deixar Valhalla da forma que melhor atende ao seu estilo de jogo.

Falando em violência, agora nas execuções de alvos mais importantes (ou menos genéricos), temos uma visão raio X da lâmina oculta transpassando a vitima e perfurando detalhadamente seu corpo, órgãos e afins. Essa foi a parte que me decepcionou um pouco, pois acreditei que isso estaria presente também nos combates comuns. Mas não se engane, nem por isso o jogo é menos visceral. O que mais acontece é ver inimigos sendo decapitados (dependendo das suas escolhas nas opções).

Combate e experiência de jogo foram aprimorados

Assassin’s Creed Valhalla traz muito conteúdo

Além das missões citadas e eventos globais mencionados, também existem vários tipos de mini-games para ampliar a imersão na Inglaterra viking. O maior destaque vai para o duelo de repente, onde cada competidor solta a rima para ver quem se sobressai. A jogabilidade é divertida, pois você tem tempo limitado para dar uma resposta a altura e ter reações positivas do outro competidor ou juiz. Além disso, ao vencer o combate você ganhará pontos de carisma que auxiliam a dar respostas inéditas em algumas situações.

Há uma disputa de quem consegue beber mais cerveja e, sinceramente falando, achei esse o desafio mais difícil. Tem que tomar cuidado com as goladas para não ficar bêbado e evitar engasgar. Ganhando ou perdendo, Eivor ficará por um tempo considerável com a visão turva e cambaleando pela quantidade de álcool que foi ingerida.

O terceiro, e meu favorito, é o combate com dados em que cada face representa uma ação e, após a rolagem, você saberá se conseguiu atacar, defender ou roubar recursos do seu oponente. Vencendo assim aquele que reduzir os pontos de vida do outro (são calculados com pedrinhas). Durante a partida é possível utilizar runas para gastar os recursos e aplicar diversos efeitos como causar dano direto ou invalidar alguma ação do oponente. Me senti jogando algum tipo de Yu-Gi-Oh medieval.

Tem outros eventos como as incursões onde você invade território inimigo para roubar seus tesouros e assim conseguir ampliar o vilarejo do seu clã. Conseguir alianças com outros clãs também é uma opção existente, do qual você começa uma missão envolvendo essa aliança e pode conseguir novos recrutas e tornar o seu clã mais conhecido e temido. Suas respostas aqui tem um peso sem igual, pois se não tomar cuidado pode colocar tudo a perder, inclusive.

Minha Vila, Minha Vida

Em Assassin’s Creed Valhalla temos uma vila viking que pertence ao seu clã, os Corvos. Por Eivor ser o braço direito de Sigurd, é necessário que ele realize a gestão da vila. É algo familiar ao que conhecíamos nos jogos que vieram antes de Origins, porém, é um sistema mais profundo. Você escolhe onde investir seus materiais para que essa parte comece a funcionar, por exemplo: o jogo te “obriga” a investir na fornalha do ferreiro para que tenha alguém que saiba montar e melhorar suas armas. Existe outros estabelecimentos que necessitam de gestão como estábulo, pousada dos guerreiros, base dos Ocultos e etc. Cada opção trará benefícios ao seu gameplay de forma direta ou indireta, como a capacidade de ter guerreiros melhores contigo em incursões (que inclusive é o melhor meio pra conseguir recursos para o melhoramento de sua base).

Dentro da vila você também consegue customizar Eivor de modo que escolha a cor de pelos, barba, cabelo e tatuagens. As customizações não transformam ele num personagem totalmente novo, porém, o intuito é o tornar a jogatina mais agradável ao jogador, visualmente falando.

Mais Assassin's Creed e menos RPG

Evoluindo Eivor

Como dito antes, o jogo não tem mais o sistema de loot igual os dois anteriores. Agora os itens são de peça única e você os consegue ao fazer missões ou em baús sinalizados no mapa.

Graças a essa decisão de abandonar o anterior sistema de loot, temos um inventário mais organizado e podemos fazer um melhor uso do equipamento que chamou nossa atenção visual. É possível que você consiga evoluir o equipamento com seus recursos sem precisar visitar um ferreiro, mas isso é limitado. Após algumas subidas de nível, você é forçado a visitar um especialista para desbloquear os próximos níveis. Junto disso, cada equipamento tem encaixe de runas, que por sua vez dão status passivos para Eivor.

O game utiliza o sistema de força, fazendo com que seu equipamento e habilidades influencie diretamente na somatória de força geral que possuir naquele momento. Cada level up lhe dará dois pontos para serem distribuídos na arvore de habilidades e, consequentemente, cada ponto te dá 1 de força.

Ao contrário de Odyssey, isso não é punitivo para seguir com a história. Entretanto, é necessário prestar atenção no seu nível atual e no nível das missões secundárias para não ir prematuramente em algo que seja de dificuldade 200, enquanto você está no 30. Acreditem. Não façam isso! Eu fiz e ainda me arrependo.

Gráficos e áudio

Já mencionei sobre os cenários distintos que trazem beleza sem igual, apesar disso os gráficos não são perfeitos. Conseguimos ver a diferença de orçamento entre um modelo e outro de forma super nítida. Nos dias modernos, a modelagem do cabelo dos personagens está muito sofrida, enquanto Eivor e seus aliados mais próximos estão com uma modelagem sensacional. Outro caso a citar é uma NPC que é baixinha e uma cabeça extremamente desproporcional. Aquilo me deu um nervoso enorme.

Está sendo relatado que o jogo está sofrendo grandes quedas de frames na geração atual, joguei no Playstation 4 padrão e não pude notar nenhuma que de fato me atrapalhasse, como acontecia com Marvel’s Avengers.

Por outro lado, o áudio está fenomenal trazendo uma imersão muito maior do que o jogo anterior da série. Aqui temos músicas épicas e um ótimo som ambiente.

Outro ponto a mencionar é o roteiro de falas que consegue mostrar o misto de falta de educação dos Vikings com seu respeito aos deuses.

Assassin's Creed Valhalla

Conclusão

Assassin’s Creed Valhalla consegue ser sim uma ótima conclusão para trilogia atual, ao trazer inúmeros acertos dos jogos anteriores e resgatar temáticas marcantes dos primeiros jogos. Temos um(a) protagonista marcante com um cast de personagens carismáticos e com narrativa envolvente. O jogo é, de fato, uma evolução notável em todos os aspectos que já conhecíamos até aqui. Vez ou outra surge algum bug, câmera cria vida própria ou comando que falha. Porém, esses aspectos não tiram o brilho desse jogo que chegou na minha lista de top 3 da franquia de Assassin’s Creed.

Essa análise segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

Assassin's Creed Valhalla é um dos melhores jogos da franquia

Visual, ambientação e gráficos - 8.5
Jogabilidade - 9
Diversão - 9
Áudio e trilha-sonora - 10
Narrativa - 9

9.1

Excelente!

Assassin's Creed Valhalla é um jogo fantástico que consegue mostrar que a franquia ainda tem lenha para queimar. Ele tem seus deslizes técnicos na geração que está acabando, mas nada que o prejudique de fato. Se você é fã da série ou gosta de histórias nórdicas, esse jogo é um prato cheio para o seu entretenimento!

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Anderson Mussulino

Publicitário louco por toda a cultura geek. Redator do Última Ficha e apaixonado por jogos que vem da terra do sol nascente.
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