Análise: COD Black Ops – Cold War mira no clássico

Jogo busca suas origens e tem alto desempenho na nova geração.

Estamos aqui mais um ano para falar de uma das franquias de maior sucesso da indústria dos games: Call Of Duty. Dessa vez a subsérie Black Ops da Treyarch nos traz COD: Black Ops – Cold War.

Na análise deste ano vamos separar bem os tópicos entre a experiência da campanha do game e o, premiado, modo multiplayer de Call of Duty. Saiba que aqui temos uma mistura de: entregar o básico com uma performance alta e uma campanha ousada, como de praxe da franquia. Aquele COD raiz que vem para o bem e para o mal.

Call of Duty: Black Ops – Cold War está disponível para Playstation 4, Xbox One e PC. Essa análise foi feita em um Playstation 4 Pro graças a um código cedido gentilmente pela Activision.

Modo Campanha de COD Black Ops – Cold War

Ano passado, o Pedro disse que os gráficos do modo campanha estavam em outro patamar comparado ao multiplayer. Isto se repete em Call of Duty Black Ops Cold War. Ele está melhor, com texturas mais trabalhadas e iluminação definitivamente superior ao COD do ano passado. Mas o destaque fica para as cutscenes que envolvem os personagens, onde cada detalhe facial foi certamente o foco dos desenvolvedores.

Inclusive, isto parece ser algo bem comum em jogos do final da geração, onde por exemplo o Spider-Man Miles Morales focou bastante nas texturas faciais, desde rugas até cabelos. Call of Duty Black Ops Cold War te imerge bastante no realismo da campanha com estas faces tão reais.

A história em si é, praticamente, o que você aprende nos livros de história sobre a Guerra Fria: nenhuma batalha explícita, como na primeira e segunda guerra, batalhas abafadas e pontuais, onde há, principalmente, muitas incursões para roubar inteligência inimiga. O jogo mergulha de forma perfeita no clima da Guerra Fria.

Você, do lado americano, contra os comunistas e seus aliados. Inimigos como russos, vietnamitas e cubanos serão constantes na história. Mas claro que eles não iriam fazer uma história rasa, apenas com matança. Depois da campanha pesada e impactante de Call of Duty Modern Warfare (2019), a Activision precisava manter o nível do modo história, por mais que o foco de jogadores de COD sejam multiplayer e modo zumbi.

Focado na história com pitadas de Hollywood

Além te ser fiel as histórias contadas da Guerra Fria, onde o mundo tinha mais medo dos armamentos e bombas nucleares do que dos conflitos diretos, o jogo foca em uma história que, da metade para frente, fica bem louca, psicológica, um pouco perturbadora e que te mantém interessado em zerar a campanha o mais rápido possível.

São diversas missões de se infiltrar nos mais variados locais. Os maiores destaques ficam para os ambientes de Cuba e Vietnã. A fidelidade representada nos mapas é rara em jogos de tiro em primeira pessoa. Certamente o palacete que você irá invadir em Havana ficará na sua memória por um bom tempo, com todo seu luxo interior e ostentação.

Existem alguns finais alternativos, que variam de acordo com suas decisões no jogo. Se você ignorar missões secundárias, terás por volta de 4 horas de jogatina linear para zerar a campanha. Concluindo tudo o game deve chegar há 6 horas. Não é muito, mas para um jogo em que o foco é o multiplayer, modo zumbi (e Warzone), 6 horas de histórias da Guerra Fria são muito bem vindas.

Multiplayer de Cold War

Uma coisa que fica claro logo assim que começamos a jogar Cold War é sua vontade de voltar ao passado, à época de ouro da franquia na questão de Multiplayer. Aqui temos menos mapas que os jogos mais atuais, os inimigos precisam tomar mais danos para morrer, estamos completamente presos ao chão e não temos armas hiper-tecnológicas. A Treyarch decidiu seguir com a fórmula clássico e, hoje em dia, básica de multiplayer. Isso tem seu lado bom e seu lado ruim.

O lado bom é que velhos jogadores se sentirão em casa com sua MP5 (roubada) e sua M16. Snipers ainda são bem fortes e podem matar com apenas um tiro, porém são bem mais raras aqui. Isso graças aos mapas com grande parte mais fechada e o ressurgimento com troca acelerada entre os lados do mapa. A dinâmica de movimentação de COD sempre me deixou muito intrigado (e frustrado, muitas vezes), já que você deve se preocupar em não ficar isolado em um canto do mapa – é ali que os inimigos vão começar a renascer. O que te obrigar a ficar perto do time.

Melhores mapas

COD Black Ops – Cold War foi lançado com apenas oito mapas de jogo, o que eu particularmente gosto desde que o jogo continue recebendo mapas de forma gratuita com o passar do tempo. Isso te dá um tempo para masterizar estes mapas, aprender suas rotações e onde os campers costumam ficar.

Senti falta de mapas mais originais e criativos, apesar de todos estarem com uma movimentação boa e diferenciada. Em minha opinião (e aparentemente da internet como um todo) os dois mapas diferenciados do jogo são Armada e Satellite.

O primeiro é um mapa grande, que usa a junção de três navios, com rapel nos dois extremos, um contorno em desnível por baixo dos navios laterais e ainda uma grande área fechada para o embate e locais altos para os snipers de plantão. Um mapa muito bem criado e com certeza será querido pela maioria dos jogadores.

O segundo, Satellite, é talvez o mapa mais simples e bonito que eu já vi em um Call of Duty. Ele se passa nas dunas angolanas e entre destroços de um avião entre as rochas. Aqui o ponto alto fica pela animação do paraquedas aberto e pelo fato das dunas virarem uma linda guerra de trincheiras. Isso até um inimigo renascer atrás de você.

Porém, a falta de mais mapas desde o início pode trazer o sentimento que o jogo é básico demais e que lhe falta conteúdo – até porque os preços não param de subir e precisamos escolher sabiamente nossos investimentos. Vale lembrar que o clássico mapa Nuke Town (84) irá chegar agora, dia 24 de Novembro de maneira gratuita (que assim continue).

Modos de Jogo

Primeiramente vamos só confirmar que temos os modos mais clássicos de Call of Duty novamente a disposição. Team Deathmatch e seus companheiros de longa data, Search and Destroy e Hardpoint, serão os lugares com maior concentração de jogadores. O famoso run’n gun desenfreado, mata e morre conhecido da série.

De mais diferente temos três modos de jogo: Vip Escort, Combined Arms e Fireteam.

  • Vip Escort é um modo que requer um nível de trabalho em equipe raramente associado ao modo multijogador COD. Um membro da equipe é designado como VIP deve fazer o seu caminho para uma das várias zonas de extração enquanto seus colegas de equipe os protegem para vencer a rodada. Ou seja, se você pegar um companheiro de equipe VIP que sai correndo igual maluco, ele será abatido rapidamente e jogo acabará.
  • Combined Arms é o maior modo, com 12v12 e veículos. Apesar de terem nomes diferentes, a grande verdade é que aqui temos o modo hardpoint e o modo de segurar areas mais parecido com Battlefield. O grande diferencias fica por conta dos mapas maiores e dos veículos. Fora o caos de um COD com 24 pessoas.
  • Fireteam – esse é meu preferido. O modo se trata de um Warzone Plunder em menos escala. 10 equipes de quatro jogadores lutam para chegar ao topo do placar, depositando o elemento radioativo em diferentes locais de bombas, detonando as bombas sujas e matando outros times. O maior problema aqui é o tempo que demora pra uma bomba detonar e, claro, a comunidade.

A comunidade de COD sempre foi muito difícil. Em modos diferentes do clássico Deathmatch, o modo só brilha quando você dá a sorte de pegar um time que entende o que está fazendo – e isso é raro. Então qualquer modo pode virar uma bagunça e perder seu objetivo. Até mesmo no Kill Confirmed não é raro ver pessoas fazendo a Kill e deixando a tag de lado.

Modo Zumbi

Para quem está jogando no Playstation, temos 3 modos distintos para o modo Zumbi. Enquanto nas outras plataformas você encontra dois, por enquanto.

No modo mais clássico, que segue uma narrativa, temos a velha fórmula do modo zumbi onde você deve avançar pelo mapa, abrir novos caminhos, compras novas armas e melhorias, fazer barricadas e administrar seu dinheiro junto com três amigos.

Intitulado DIE MASCHINE, este é o primeiro capítulo da nova saga da narrativa do Modo Zumbi, conhecida como Dark Aether, e que serve de sequência para os eventos vistos em COD: Black Ops 4.

Nesta nova realidade, o jogador controla membros de uma força especial financiada pela CIA, conhecida como Requiem, que descobre uma misteriosa instalação dos tempos da Segunda Guerra Mundial, onde a infecção de mortos-vivos foi descoberta.

O outro modo é da saudosa série Dead Ops, Em Dead Ops 3 você terá uma visão isométrica de câmera onde seu objetivo é derrotar ondas de inimigos e chefes, coletando armas e dinheiro pelo chão. Apesar de parecer simples o modo tem um apelo coop assim como os demais e poderá te trazer boas horas de diversão e bons desafios.

Já o novo modo, Onslaught, exclusivo para PlayStation é bastante divertido, trazendo uma mudança na fórmula batida do modo Zumbi. Neste modo, você e um amigo (ou você sozinho) são colocados em um dos mapas multijogador com uma esfera roxa brilhante que cria uma zona segura. Fora da zona de segurança, você toma dano gradual, então tem que ficar dentro do círculo e lutar contra ondas de inimigos. Depois de cada onda, o orbe se move para um novo local no mapa e você repete o processo. O diferencial é quando os chefes, ou pelo menos inimigos elite, aparecem e precisam de um grande número de balas para cair. Deixando as coisas bem complicadas já que o modo também vai pra um lado de sobrevivência graças a escassez de recursos.

Este último é um modo bem interessante e simples, o qual você não precisa estudar a melhor maneira de jogar, além de ser bem mais fácil de conseguir gente para jogar. É como um modo casual (e bem difícil) para o modo Zumbi de COD Black Ops – Cold War.

Vale lembrar que conteúdo para o Modo Zumbi também já foi anunciado, então apesar de ter apenas um mapa disponível, a Treyarch já está trabalhando em adições para o jogo (espero que grátis).

COD Black Ops – Cold War se baseia nos clássicos e testa a nova geração

De forma geral (depois desse texto enorme), COD Black Ops – Cold War mira nos jogos clássicos da franquia, tendo claramente uma inspiração no primeiro jogo da série Black Ops. A escolha tem um lado positivo e negativo.

O lado positivo aparece em um jogo mecanicamente gostoso de jogar, onde velhos jogadores terão uma memória muscular renascida após estes anos. Além disso temos mapas mais pé no chão, com boas oportunidades de flanquear e numa passada bem rápida. Principalmente nos mapas citados na análise.

Temos também efeitos sonoros muito bem criados, principalmente no áudio 3D do Playstation 5. A trilha-sonora, por sua vez, agrada mas se agarra em ritmos mais tradicionais de jogos de guerra.

Já pelo lado negativo, se comparado com o antecessor Modern Warfare, o jogo deixou a desejar na parte da inovação e de novos conteúdos. Os novos modos dão uma cara moderna ao jogo mas ainda não foram aceitos pela comunidade e até mesmo o loadout de armamentos (onde você monta sua arma) parece mais simples e menos trabalhado do que o jogo anterior.

COD Black Ops – Cold War chega para abrir a nova geração de console com seu 4K 120fps (ainda não disponível no PS5 na data de publicação desta análise) para os sortudos que já conseguirem os novos consoles e ainda com suporte ao Dual Sense do Playstation 5. Aqui temos uma oportunidade real de colocar os poderosos consoles à prova.

Para quem ainda está na geração passada, compre se for um fã da franquia e da série Black Ops.

Essa análise segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

CoD Black Ops - Cold War

Visual, ambientação e gráficos - 8
Jogabilidade - 8.5
Diversão - 8
Áudio e trilha-sonora - 8

8.1

Ótimo

Cold War mira no passado da série Black Ops e por isso pode parecer um pouco antiquado para alguns. Porém, sua mecânica assertiva, boa campanha e modo zumbi divertido podem fazer a diferença na escolha. O jogo também é indicado para aqueles que já estão na nova geração e querem tirar proveito do 4K120fps.

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Bruno Degering

Gamer há tanto tempo que usa consoles como referência cronológica para lembranças de sua vida. Amante de Mega Man, Resident Evil e Warcraft. Se gaba por ter zerado Battletoads aos 9 anos mas abandonou Bloodborne com 26.
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