Análise: Haven é uma carismática história de amor

Melhor do que Crepúsculo

Desenvolvido pela The Game Bakers, Haven é RPG que mescla sistemas de exploração e sobrevivência. É intrigante o fato dele não ser desenvolvido por uma empresa japonesa, mesmo que notavelmente ele beba da fonte dos JRPGs seja pelo seu visual ou sistema de batalha.

Sendo um dos primeiros RPGs a lançar na nova geração, vamos conferir o que Haven entrega para os jogadores. O jogo já está disponível para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series X e PC. A análise foi feita com um código cedido pela produtora.

Bem-vindo a Source, um planeta misterioso

Kay e Yu são um casal em fuga que foram parar num planeta misterioso chamado Source (Origem na tradução pt-br). Por algum motivo, não revelado a principio, eles tiveram que fugir de seu planeta de origem para poderem ficar juntos. Consequentemente, param num planeta aparentemente abandonado, após uma tentativa de colonização ter falhado.

Sozinhos, eles começam a explorar esse planeta, buscar recursos e construir uma vida em que precisam seguir apenas as próprias regras. Contudo, vários mistérios habitam Source e isso faz com que o casal não tenha exatamente a paz que procuravam, forçando eles a buscarem sobrevivência e desvendar os mistérios envolvendo esse belo lugar.

A narrativa tem três pontos fortes:

  • A personalidade dos protagonistas
  • O relacionamento dos protagonistas
  • A forma que o passado é contato

Começamos com uma bela desconstrução de casais da cultura pop. Kay, o cara, é mais sensível e é um biólogo, é a cabeça da dupla. Enquanto Yu, a garota, é forte, valente, os músculos da equipe e uma mecânica de naves.

Eles se completam apesar de terem suas diferenças, a química apresentada funciona muito bem e, claro, merecem ir para a lista de melhores casais da cultura pop. Perdendo lugar apenas para Homem-Aranha e Mary Jane, Nathan Drake e Elena e, claro, Jason Todd e Pé de Cabra. (nota do reator: mereço ir para o inferno após essa piada)

Bem-vindo a Source, um planeta misterioso

Haven é uma aventura relaxante

Os gráficos em cel-shading e a direção de arte fazem com que Haven consiga ser bastante simples, mas em compensação deveras bonito. Os cenários trazem uma imensidão que casa perfeitamente com a trilha sonora que lembra os famigerados vídeos do Youtube intitulados de “1 hora de música ambiente para relaxar”.

Neste vasto mapa fragmentado em ilhotas espaciais, você poderá voar livremente utilizando Kay e Yu (pode alternar entre eles quando quiser), para isso basta segurar R2/RT. Logo de começo, somos apresentados ao tutorial que nos ensina a voar e derrapar para conseguir fazer curvas mais rápidas, para isso só apertar e segurar o L2/LT.

Aprendendo essa ação, você já consegue lidar com 70% do jogo, já que a maior parte dele se baseia em explorar Source em busca de mantimentos, recursos e alguns itens específicos. Há alguns “desafios” como seguir linhas de fluxos de energia, fazendo com que você voe exatamente na direção que elas indicam, te testando como “piloto”.

Outro ponto relaxante são os diálogos dos protagonistas. Não são falas repetitivas, sempre há uma conversa nova que entrega mais pistas sobre o passado deles, sobre o planeta onde estão ou serve para o desenvolvimento da relação amorosa. Falando nisso, em muitos momentos você terá opção de escolha para respostas bastante distintas e que dependendo da opção selecionada poderá ampliar a aproximação dos dois.

Lembrando, Haven é um RPG

Pode não parecer, mas Haven é um RPG. E baseado em turnos, mas de uma maneira bem única. Com o direcional você escolhe as ações do Kay, enquanto com o outro lado do controle temos as ações de Yu. Os comandos são bem básicos, onde direita é para disparo de energia, esquerda é investida, baixo é defesa e cima é purificar.

Você pode fazer de forma simultânea as ações de cada um deles, basta apertar e segurar o botão no tempo suficiente de carregamento. Inclusive, eles conseguem realizar golpes em dupla, potencializando o dano num único inimigo.

E para o que serve o purificar? As criaturas desse planeta não são malignas, mas existe uma estranha ferrugem que deixam elas fora de si. Após enfraquecer, é necessário as purificar para que voltem a ser pacificas. Um detalhe importante é que se demorar para fazer isso, elas se recuperam e voltam a atacá-los.

Apesar de ser um RPG, o jogo não possuí um sistema de level up. A evolução dos personagens é dada por meio de upgrade que a Yu faz no equipamento deles. É notável que o foco da equipe de desenvolvimento não foi combate ou complexidade, mas a experiência de estar vivendo em um outro planeta e a exploração deste.

Lembrando, Haven é um RPG

Haven tem potencial, mas dá a impressão que falta algo

Haven é bonito, relaxante, simpático, com boa história e personagens. Contudo, eu sinto que faltou algo. Ele quer proporcionar uma experiência tranquila e aconchegante. Para aproveitá-lo bem tem que estar a procura da mesma coisa, infelizmente, quem quer algo empolgante vai acabar decepcionado.

Não digo que o jogo é ruim, mas ele não consegue criar uma empolgação ou urgência de querer saber de imediato o que vai acontecer em seguida. Aqui temos um ritmo lento, as vezes até repetitivo em ter que ficar voando pelo cenário em busca de materiais e entrar em combates que não trazem nenhuma recompensa de fato.

A The Game Bakers está no caminho certo, contudo, ainda precisam refinar mais o seu trabalho.

Haven tem potencial, mas dá a impressão que falta algo

Essa análise segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

Haven surpreende em sua história e ambientação

Visual, ambientação e gráficos - 8
Jogabilidade - 7
Diversão - 7
Áudio e trilha-sonora - 10
Narrativa - 8

8

Ótimo

Haven é um bom jogo, mas que notavelmente poderia ser melhor. Ele está longe de ser ruim, chega a ser surpreendente em alguns aspectos. Contudo, tem pontos a serem melhorados como o looping de explorar, pegar recursos e história. Infelizmente seu maior pecado é ser repetitivo.

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Anderson Mussulino

Publicitário louco por toda a cultura geek. Redator do Última Ficha e apaixonado por jogos que vem da terra do sol nascente.
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