Análise: Unto the End é um teste de sobrevivência

Uma sombria aventura estar por vir

Desde o lançamento do Demons Souls original é normal vermos inúmeros jogos utilizando sua ideia original para criar games no estilo “Souls Like” e há até mesmo memes referentes ao nível de dificuldade acima do hard ser chamado de “nível Dark Souls”. Unto the End, a primeira vista, parece ser um Souls Like em 2D, mas essa experiência leva o jogador a um novo patamar que o deixará grato de Dark Souls ter dificuldade do “nível Unto The End”.

Unto The End já está disponível para PS4, Xbox One, Nintendo Switch, PC via Steam e Stadia, sendo jogável via retro compatibilidade no PS5 e Xbox Series. Essa análise foi possível graças a uma chave de review cedida pela produtora.

Um épico conto em busca do lar

O game não tem uma narrativa dada de maneira tradicional, dificultando um pouco em falar sobre a história nessa análise de Unto The End. De começo temos uma introdução mostrando o protagonista num ambiente caloroso e bonito, mas partindo desse ponto e passando a viver aventuras em uma região gélida.

Nada é entregue de maneira fácil, você tem que captar tudo que está acontecendo. O jogo dá algumas pistas sobre a sua história, como o tutorial de combate ser uma lembrança de sua família.

Essa maneira de mostrar o enredo é intrigante, pois atiça a curiosidade do jogador em busca de entender tudo que está acontecendo e conhecer mais deste mundo.

A trilha sonora consegue casar bem com o jogo, mas as vezes acaba sendo deixada de lado com a constante respiração do personagem que parece estar ofegante a todo instante.

Unto The End é simples e complexo

Com gráficos simples, podemos aguardar um jogo de plataforma tradicional com um nível de dificuldade levemente elevado, não é? Se enganou!

Unto the End é simples, apesar disso, ele é realmente complexo. Em especial o seu combate que se baseia em ataque alto, ataque baixo, bloqueio alto, bloqueio baixo, atirar adaga e rolar no chão.

Os inimigos, em grande maioria, também possuem esse mesmo moveset e conseguem executar com perfeição. Você tem que ser mais ágil do que eles. É um xadrez de ação que o menor movimento errado pode significar uma derradeira derrota.

É nessa parte que vemos a elevação de dificuldade, já que ao rolar de forma errada e se chocar contra um inimigo, acaba perdendo o que está segurando.

Se disparar a adaga, terá que soltar a tocha e depois ainda precisará ir até a adaga para pegá-la de volta.

Ao bloquear um golpe poderoso, você vai perder a espada ou será jogado no chão.

E, por fim, ao levar dano terá hemorragia que prejudicará os seus movimentos e te levará para a morte.

Esse jogo é punitivo de várias formas, forçando o jogador a sempre se preparar para o pior do que pior. Inclusive, tem diversas armadilhas no seu caminho e a falta de luz no cenário auxilia para elas que te matem sem aviso prévio.

Infelizmente não é apenas a história que fica oculta

Como dito acima, há mais coisa oculta no jogo. Ele não te ensina nada, tanto que o tutorial de combate só é encontrado se você for curioso de ver a primeira fogueira (ponto de segurança para se recuperar).

Há itens no chão, porém, você tem que olhos de águia para notar a existência deles ou utilizar da lógica. Não há nenhum indicativo. Inclusive, não há indicativo de qual botão apertar para operar as engrenagens e alavancas. O jogo te deixa a mercê da sua própria curiosidade.

Unto The End é um bom jogo que pode e vai frustrar muitos jogadores

Para concluir essa análise de Unto The End, é inevitável admitir que ele tem uma boa proposta com uma execução precária. O jogo exige do começo ao fim movimentos apurados dos jogadores de modo que tenha que enfrentar inúmeros inimigos que dominam com perfeição o combate. Além disso, as próprias limitações do protagonista atrapalha em suas partes de plataforma, fazendo com que seus saltos sempre sejam de modo arriscado.

É possível mexer nas configurações do game para facilitar o combate, fazendo com que os inimigos executem movimentos mais tardios ou longos, dando maior oportunidade ao jogador para os atacar, desviar e bloquear. Ao menos com isso, é possível curtir a atmosfera sombria e a história.

Essa análise segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

Unto The End traz uma boa proposta, mas peca na aplicação

Visual, ambientação e gráficos - 8
Jogabilidade - 8
Diversão - 6
Áudio e trilha-sonora - 7
Narrativa - 7

7.2

Bom

Unto the End merece a atenção dos jogadores por conta daquilo que ele propõe, contudo, não dá para negar que o jogo peca em muitas aplicações disso. Por mais que sua ideia seja fazer o jogador "descobrir" o que o aguarda e se sentir numa sensação familiar ao do protagonista, o que temos realmente é a possibilidade de deixarmos diversas mecânicas passarem despercebidas por ter nenhum indicio de suas existências.

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Anderson Mussulino

Publicitário louco por toda a cultura geek. Redator do Última Ficha e apaixonado por jogos que vem da terra do sol nascente.
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