Análise: Ghosts ‘n Goblins Resurrection

Pronto para este desafio?

Ghosts ‘n Goblins e Ghosts’ n Ghouls foram dois jogos da mesma franquia que contam a história de Arthur, um bravo cavaleiro atrás de sua donzela. Os jogos ficam conhecidos por sua dificuldade diferenciada e pela dinâmica de vida – onde o jogador perde partes da armadura a cada dano sofrido. A franquia ficou adormecida por muito tempo até que um reboot/remake do jogo fosse anunciado: Ghosts ‘n Goblins Resurrection.

Esta análise foi possível graças a um código cedido pela empresa a qual agradecemos a parceria de sempre!

Uma nova roupagem para um velho conhecido

Assim que você inicia Ghosts ‘n Goblins Resurrection a tela inicial já irá te remeter aos jogos antigos, enquanto os gráficos e arte demonstrarão o capricho ao recriar um jogo tão adorado pelos fãs.

Apesar de ser um jogo completamente novo, o jogo reconta a história de Ghosts’ n Goblins. O esqueleto e mecânicas básicas permanecem intactas. As opções de comandos são simples: você anda e pula a todo momento atirando lanças, facas, poções flamejantes e outras armas em uma horda de inimigos que não irá deixar você respirar. Os inimigos são os já conhecidos zumbis, lobos flamejantes, caveiras, gárgulas, corvos e etc.

Para os jogadores mais novos, o jogo que mais me lembra esse estilo frenético é Metal Slug – mas não aquele com continues infinitos. Imagine um medo de jogar Metal Slug no fliperama com seus continues limitados ao seu dinheiro.

Como falado anteriormente, sua vida é a quantidade de armadura que ainda lhe resta, quando Arthur estiver de ceroulas, sua vida estará por um fio. Isso é sem sombra de dúvidas é o maior charme do jogos antigos e aqui não é diferente.

Mas Ghosts ‘n Goblins Resurrection é idêntico aos anteriores?

O jogo tem mais aspectos reaproveitados que novos, isso não podemos negar. Mas tudo que é adicionado vem como um presente para os dias atuais, as inspirações não tão diretas de alguns chefes, a própria arte escolhida para a edição Resurrection e sua trilha sonora completamente nostálgica é trazida para a qualidade que atualmente é possível.

Há também um nova árvore de habilidades, ou mágicas, que adicionam ataques capazes de limpar a tela – por alguns segundos. Como os inimigos são muito abundantes, a ajuda não lhe dá muito fôlego até que a tela esteja tomada novamente. Para aumentar a dificuldade (como se precisasse) as magias precisam ser carregadas e para isso você precisa parar de atacar. Vão ser raros os momentos que você terá tranquilidade para usar essa ajuda. Elas podiam ser usadas de maneiras instantânea, acho que traria uma dinamicidade muito maior para o gameplay e – acreditem – não faria diferença na dificuldade.

Mas nem tudo que foi reaproveitado da época funciona. O respeito pelo jogo original é notório e admirável. Mas acho que faltou pensar em quem simplesmente queria uma versão moderna para a aventura de Arthur. Com cenários diferentes, inimigos não tão batidos, uma ousada na história e o principal: os controles!

Comandos e jogabilidade raiz?

Sempre que um remake é anunciado, ficamos com aquele mix de sentimentos: queremos uma experiência nova o suficiente para que não seja igual jogar o clássico, e fiel o suficiente para não perder sua identidade.

Nesse ponto que eu acredito que Ghosts ‘n Goblins Resurrection irá dividir opiniões. Os comandos do jogo foram fielmente clonados para esta nova versão. Isso significa que você não possui um comando direcional em diagonal.

E o que isso muda? Bom… tudo. A qualquer deslize no controle o jogo entenderá que você não quer mais andar pra frente e quer olhar pra cima e Arthur irá simplesmente parar no meio do fogo cruzado. Esse estilo nos controles, que antes eram justificados pelas limitações dos Joysticks agora simplesmente não são mais intuitivos – e isso frustra.

Seguindo essa idéia, seus saltos não podem ser controlados no ar como em jogos como Super Mario ou tantos outros. Se você pulou enquanto estava parado, só irá pra cima. Se você pulou enquanto estava andando, não existe pular mais longe ou menos, você simplesmente irá seguir sempre a mesma parábola complicada de entender e se acostumar.

Isso também aumenta os pulos em plataformas presentes no jogo. E morrer de uma vez porque simplesmente o pulo tem que ser praticamente perfeito e não pode ser ajustado no caminho, machuca a alma do jogador.

Bengalas de Ghosts ‘n Goblins Resurrection

A Capcom, pensando em amenizar as coisas, trouxe Resurrection com vários níveis de dificuldade para tentar atrair tanto os fãs de longa data quanto os recém-chegados. Os modos Squire, Knight e Legend oferecem um desafio puxado para os experientes, no entanto, a Capcom também adicionou o modo Page. Nesse, os jogadores podem reaparecer onde morrem, receber mais ataques e ter menos inimigos na tela (mal senti a diferença), mas há uma ressalva: aqueles que optarem por este modo perderão parte do conteúdo disponível no end game – as Shadows versions das fases que são ainda mais difíceis.

Além disso o jogo te dá a possibilidade de ter uma jogatina em “slow motion” reduzindo a velocidade pela metade. Como o jogo é rápido isso acaba não deixando a gameplay estranha, porém a música irá te chamar atenção, já que ela também fica com redução na velocidade.

Dito isto e trazendo os comandos para esse tópico, por que não colocar comandos modernos no jogo? Não seria essa a melhor bengala para os jogadores atuais que querem conhecer a franquia? Talvez, quem sabe, até tirar um sarro com tal escolha de comandos? Eu realmente senti falta desta opção já que minha “player 2” adentrou no mundos dos jogos a pouco e não conseguiu me acompanhar por muito tempo nessa jornada.

Isso mesmo! O jogo possui um modo cooperativo e essa talvez seja a melhor adição de todas. Mas, realmente, ter dois jogadores, amante dos jogos difíceis e do tempo que a diagonal não existia, na mesma sala, parece ser algo difícil nos dias de hoje.

Um jogo repaginado porém fiel demais ao seu passado

Ghosts ‘n Goblins Resurrection impresisona com sua arte e também sua dificuldade exagerada. Apesar de ser famoso por esta última, o jogo não precisava se agarrar a limitações do passado para nos trazer uma experiência nostálgica.

Tudo que a Capcom se propôs a trazer de novo para a franquia parece cair como uma luva, mas faltou o fator mais importante em jogos frenéticos. Comandos responsivos e liberais para o jogador colocar todo o foco no que está na tela.

O jogo deveria ter uma nota diferenciada para quem espera por esses comandos fieis ao original e quem gostaria de algo mais acessível e moderno, onde a dificuldade não seja trazida em limitações de direção. Mas pesquise e veja se realmente o jogo é para você antes de comprar, espero que esta análise seja de alguma ajuda.

Ghosts ‘n Goblins Resurrection é indicado para os amantes dos jogos anteriores e para aqueles que estão dispostos a encarar o desafio de trazer uma antiga perspectiva de gameplay para os dias atuais.

O jogo sairá no dia 25 de fevereiro para o Nintendo Switch.

Essa análise segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

Ghosts 'n Goblins Resurrection

Visual, ambientação e gráficos - 8.5
Jogabilidade - 5.5
Diversão - 6.5
Áudio e trilha-sonora - 7.5

7

Bom

Ghosts 'n Goblins Resurrection impresisona com sua arte e também sua dificuldade exagerada. O jogo é indicado para os amantes dos jogos anteriores e para aqueles que estão dispostos a encarar o desafio de trazer uma antiga perspectiva de gameplay para os dias atuais.

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Bruno Degering

Gamer há tanto tempo que usa consoles como referência cronológica para lembranças de sua vida. Amante de Mega Man, Resident Evil e Warcraft. Se gaba por ter zerado Battletoads aos 9 anos mas abandonou Bloodborne com 26.
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