Análise: Cyanide & Happiness: Freakpocalypse Part 1

Começando a aventura em um tom nada empolgante

Financiado por meio de um projeto do KickStarter, Cyanide & Happiness: Freakpocalypse recebeu seu primeiro capítulo nas lojas digitais da Steam e do Switch. O game segue a proposta dos mais recentes jogos de South Park, inserindo os jogadores no mundo dos populares quadrinhos homônimos.

No entanto, diferentemente da série animada, Freakpocalypse traz uma jogabilidade menos ativa, seguindo o gênero de point-and-click para realizar as interações do personagem com o mundo ao seu redor. Mas fica uma pulga atrás da orelha: Será que o humor negro dos quadrinhos consegue carregar a falta de ação do game?

Realizamos esta análise no PC com uma cópia do jogo cedida pela produtora. O jogo está disponível para Nintendo Switch e PCs (via Steam).

O que é Cyanide & Happiness – Freakpocalypse

Dividido em três capítulos, o jogo conta a história de Coop, um adolescente que passa por dramas em todos os aspectos da sua vida. O mesmo sofre rejeição dos colegas de classe, da sua família e toda a cidade o classifica como um perdedor. E a narrativa do game reforça isso bastante, com diversas piadas que remetem o quanto o garoto é desprezível por todos.

Cyanide & Happiness: Freakpocalypse

A jogabilidade é centrada nas interações do protagonista com o cenário, podendo conversar com outros cidadãos, interagir e visualizar os objetos. Isso mescla totalmente com o tom que a desenvolvedora definiu para o game, trazendo comentários ácidos e caricatos sobre tudo que acontece na aventura.

Visto que esta é a primeira parte do jogo completo, a mesma serve quase que totalmente para introduzir os personagens e a ambientação à qual os próximos capítulos darão continuidade. E um dos maiores problemas da aventura é evidenciado por conta dessa escolha dos desenvolvedores.

O prólogo do fim do mundo

Considerando o título do game, a expectativa é vivenciarmos um mundo pós-apocalíptico no qual os jogadores terão acesso a explorar esses quadrinhos politicamente incorretos. No entanto, a primeira parte serve mais como um prólogo para tudo isso, repleta de tarefas nada surpreendentes e que não apenas mostram o quanto a vida de Coop é miserável, mas faz os jogadores sentirem o que é estar na pele dele.

Por conta disso, os jogadores precisam ficar explorando os enormes cenários em busca de pequenos objetos, com poucas dicas de como prosseguir e que tornam a experiência ainda mais tediosa. Em conjunto a isso, os diálogos, inicialmente divertidos e engraçados, começam a desgastar pela comédia repetitiva e, em momentos, forçada.

Cyanide & Happiness: Freakpocalypse

Apesar da curta duração (cerca de duas horas) da história principal, a narrativa se torna exaustiva por conta da falta de objetivos concretos no jogo. O máximo de recompensas que o jogador recebe são alguns acessórios que alteram a aparência de Coop, mas nada relevante a ponto de fazer os jogadores genuinamente se interessarem pela narrativa.

Uma história em quadrinhos jogável

Um dos prós do jogo é que a parte artística está em ponto com o prometido. Os cenários são idênticos aos quadrinhos, trazendo essa ambientação idêntica ao que os fãs tanto amam na obra original. A trilha sonora é coesa, com músicas de fundo que combinam esse tema cartunesco, e os diálogos são totalmente dublados em inglês.

É possível selecionar o idioma em português para textos, menus e legendas, o que facilita a compreensão dos fãs brasileiros. No entanto, existem diversos problemas no carregamento dos textos em português que variam desde a não aparição da legenda até diálogos não traduzidos no produto final. E isso ocorre até em diálogos da narrativa principal do game.

Início um tanto radioativo

Cyanide & Happiness: Freakpocalypse Part 1 marca um início bastante desastroso para a trilogia de jogos que foi patrocinada pelos fãs. Apesar de se assemelhar muito aos quadrinhos que deram origem à obra, percebe-se que o humor negro não carrega toda a aventura por conta própria. Em conjunto a isso, a escolha de focar no prólogo do apocalipse foi um tiro no pé, pois a jogabilidade dessa primeira parte não traz entretenimento o suficiente para prender os jogadores, e muito menos a convencê-los a continuar.

O protagonista não é nada animador, as interações com os outros personagens são forçadas e quando o jogo começa a decolar, os créditos sobem e quebram o ânimo dos jogadores por ter que aguardar mais alguns meses pelo produto completo. Somado a uma jogabilidade que não recompensa e anima os jogadores a explorar mais dos cenários, vemos que falta substância no game a fim de torná-lo mais que um quadrinho interativo.

Cyanide & Happiness: Freakpocalypse

Essa análise segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

Cyanide & Happiness: Freakpocalypse Part 1

Visual, ambientação e gráficos - 8
Jogabilidade - 6
Diversão - 3.5
Áudio e trilha-sonora - 6
Conteúdo - 4

5.5

Fraco

Com a proposta de colocar os jogadores para viverem uma aventura no mundo dos quadrinhos de Cyanide & Happiness, Freakpocalypse Part 1 deixa muito a desejar em questão de entretenimento, e se encerra com um grande suspense quando a narrativa começa a decolar.

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Nicolas Togashi

Graduado em desenvolvimento de jogos e aficionado por essa mídia, perde mais tempo jogando do que efetivamente utilizando a graduação para alguma coisa. Ama RPGs, e se esforça para ser um bom aliado nos jogos online.
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