Análise: Dandy Ace é um Roguelite brasileiro fabuloso

Dandy Ace é o mais novo jogo da desenvolvedora brasileira Mad Mimic que já entregou ótimos jogos no estilo tower defense cooperativo como Mônica e a guarda dos Coelhos e No Heroes Here. Agora a empresa se aventura em um mundo de Roguelite. Será que eles acertaram na fórmula?

Dandy Ace estará disponível para PC via Steam a partir do dia 25 de Março. Realizamos esta análise com uma cópia do jogo cedida pela produtora.

Conheça Dandy Ace e seus personagens

Logo de cara o jogo lhe mostra que seus personagens são cheios de personalidade. Aqui temos o Mago de olhos verdes Lele se colocando em uma posição de excelência que nunca realmente ocupou. E ele se revolta quando o fabuloso, divertido e brilhante mago Dandy Ace o ofusca trazendo magias muito mais coloridas, animadas e espalhafatosas alegrando o público.

Como um bom mágico mordido, Lele faz a única coisa sensata: Ele encontra um espelho amaldiçoado e em troca de sua alma, ele aprisiona Dandy Ace nesse espelho. Agora cabe ao nosso herói chegar ao fim do palácio que sempre muda e enfrentar o terrível vilão para conseguir sair desta prisão infinita.

Aqui os personagens são muito bem definidos e têm personalidades muito interessantes. Dandy, por exemplo, é o típico herói que está tão cheio de si que não percebe o que está acontecendo em sua volta. Já Lele, é um vilão extremamente arrogante que não aceita ser passado para trás e ver Dandy tendo sucesso. Agora, as assistentes de Dandy tem uma que é sagaz e que resolve tudo, enquanto sua irmã mais nova é inocente.

Existem outros personagens memoráveis, incluindo os chefões com suas motivações. A sua aventura é narrada e comentada por Lele que faz vários links com algumas piadas da cultura gamer e sempre mostra sua frustração com o sucesso de Dandy.

Estética, dublagem e trilha sonora

Dandy Ace é um jogo extremamente colorido e cheio de detalhes em suas fases. Como é um jogo no estilo Roguelite, onde as fases são geradas proceduralmente, eventualmente você verá alguns detalhes repetidos, mas nada demais.

No geral o game design e os visuais agradam muito juntamente com as animações e durante minha jogatina me peguei pensando o que eles teriam entregue se tivesse um orçamento maior. O que já é ótimo ficaria excelente!

Outro ponto positivo vai para a trilha sonora que é cheia de energia e se adapta muito bem aos momentos de ação e de calmaria. Durante um momento eu fiquei um pouco entediado com a repetição, porém, a grande verdade é que eu não estava conseguindo sair do primeiro cenário, pois estava morrendo muito. Ao mudar de cenário e enfrentar os chefões, perceberá que esse problema deixa de existir.

E por fim faço uma crítica e elogio a dublagem. A dublagem em inglês é primorosa e de altíssima qualidade. Ela evidencia as características de cada personagem. Porém, a dublagem em português não é profissional.

Por uma decisão de desenvolvimento e/ou marketing a Mad Mimic usou influenciadores e criadores de conteúdo para dar vida aos personagens. A dublagem não é ruim, mas fica muito aquém de uma dublagem profissional.

Se você busca o jogo para ouvir seu influenciador favorito, vai fundo. Porém, se preza por uma dublagem de qualidade, ouça em inglês e coloque a legenda em português.

Dandy Ace e seu gameplay de primeira linha

Embora Dandy Ace tenha vários destaques, o que mais me impressionou de longe foi seu gameplay que não deve nada a ninguém. Aqui o mago carregará consigo quatro cartas de ataque onde outras quatro cartas servirão de acessórios para melhorar as cartas principais.

Eu explico. As cartas no tom azul servem para um deslocamento mais rápido de Dandy como se fosse uma esquiva. Já as cartas rosas são as cartas de ataque básico como jogar cartas, estrelas, socos e mais. Por fim, temos as cartas douradas que são um ataque especial normalmente de área.

O primeiro destaque é que você pode equipar as cartas do estilo que quiser. Ou seja, você pode ser um ligeirinho e equipar somente cartas de esquiva. Ou então virar um tanque somente com cartas de ataque.

Essas mesmas cartas tem uma função secundária caso equipe como um acessório de carta principal. Por exemplo, a carta rosa de ataque de envenenamento. Caso seja equipada como acessório, seu ataque principal ganhará o status de envenenar. E as opções são quase infinitas com paralisia, cegueira, pegar fogo, ficar envenenado e muito mais.

Claro, suas builds tem que ser muito bem pensadas, pois os inimigos estão em constante mudança incluindo o cenário. Tem os de ataque a distância, a curta distância, os de área, os lentos, rápidos e até os que se teletransportam (esses eu odeio com toda a força). Com o avançar do jogo os padrões mudarão e ficarão mais difíceis que certamente resultarão em sua morte.

E ainda tem mais sobre o gameplay de Dandy Ace

O que eu falei acima é a parte de combate e de como funciona esse xadrez mágico do jogo. Porém, por Dandy Ace ser um Roguelite, nós temos uma evolução ao longo da jogatina.

Entre cada fase será possível fazer melhorias nas barracas de suas assistentes Jenny Jenny e Jolly Jolly. Em uma delas você poderá gastar seus fragmentos de vidro para liberar novas cartas, melhorias e acessórios, enquanto na outra você poderá equipar até três acessórios onde irá melhorar seu ataque, defesa, velocidade, ganhos e mais.

É importante dizer que ao morrer tudo será perdido, menos as melhorias já feitas ou então as chaves de portas achadas. Ao longo do jogo você encontrará até 4 chaves onde cada uma abrirá portões nas fases. Essas portas irão lhe abrir um novo caminho ou então possibilidades de uma nova carta ou recuperação de energia.

E sim, você ganha dinheiro no jogo. O dinheiro (que também se perde ao morrer) serve para comprar cartas melhores em lugares específicos onde a ação está comendo solta.

O caótico modo Twitch

Ao invés de adicionar um modo multiplayer como vemos em muitos jogos, aqui em Dandy Ace a Mad Mimic adicionou um modo caótico e super divertido chamado Modo Twitch.

Esse modo segue rigorosamente tudo que já apontei, porém, ele fará com que o streamer tenha uma interação direta com as pessoas que estão vendo a jogatina.

Enquanto uma das pessoas consegue tomar o controle do mago Lele por cerca de um minuto, os outros ficam votando compulsivamente para possíveis ajudas como recuperar vida, itens, cartas específicas, bônus e mais.

Já o controlador do Lele irá atrapalhar ao máximo a vida do jogador ao adicionar mais inimigos, armadilhas, cupcakes venenosos e mais. Toda essa interação é feita pelo chat onde os usuários votam com os números das opções que aparecem na tela.

Esse é um modo adicional que nem todos irão testar. Mas vale muito chamar os amigos e deixar a zoeira rolar!

Conclusão

Dandy Ace era um jogo que não estava no meu radar. Mas após ter tido a oportunidade de jogá-lo, eu me encantei por ele. Seus personagens são muito bem feitos e carismáticos, o mundo é bem colorido e detalhado juntamente com uma trilha sonora elétrica.

O gigantesco destaque vai para o “jogo de xadrez” que é apresentado em sua mecânica de cartas onde infinitas builds são possíveis tornando tudo sempre novo, refrescante e desafiador.

Tenho certeza que Dandy Ace fará seu nome no meio de grandes jogos no estilo Roguelite e fico muito feliz dele ser um jogo brasileiro, pois mostra todo nosso potencial.

Essa análise segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

Dandy Ace é uma joia nacional que merece ser jogado

Visual, ambientação e gráficos - 8.5
Jogabilidade - 9.5
Diversão - 9.5
Áudio e trilha-sonora - 8.5

9

Fantástico

Dandy Ace não chega para ser apenas mais um jogo no estilo Roguelite no mercado. Seu carisma e mecânica são grandes destaques que o fazem brilhar nesse estilo tão competitivo. E claro, ainda melhor por ser um jogo brasileiro. Muito possivelmente, o melhor jogo brasileiro já feito!

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Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.
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