Análise: Kingdom Hearts para PC – review técnico

Após muitos pedidos por parte dos fãs, a série Kingdom Hearts finalmente chegou aos PCs. Quer saber como as versões dos jogos estão rodando? Se liga nessa análise técnica de Kingdom Hearts para PC.

Kingdom Hearts é uma das séries mais amadas da história dos videogames. Desde o lançamento do primeiro jogo, em 2002 para Playstation 2, os fãs vêm pedindo por mais e mais conteúdos da franquia. Essa súplica até foi respondida pela Square Enix desde então, mas sempre com jogos sendo lançados para consoles e portáteis diferentes. Pela primeira vez desde 2002 a Square Enix, junto com a Disney, resolveu trazer a série Kingdom Hearts inteira para PC. Muita gente ficou extremamente feliz com essa notícia e nós estamos aqui para ajudar na questão técnica. Afinal, todo mundo sabe da qualidade dos jogos da série. Mas será que a versão para PC realmente faz juz ao nome Kingdom Hearts?

Essa análise é focada em três jogos da série, já que seria impossível falar de todos eles em um artigo e/ou vídeo curto para vocês. Estou falando de Kingdom Hearts 3D: Dream Drop Distance, Kingdom Hearts 2 Final Mix e, claro, Kingdom Hearts 3. O último foi lançado para PS4 e Xbox One ainda em 2019. Grande parte do meu foco aqui vai ser nesse último, haja vista que ele é muito mais pesado e exige uma máquina muito mais potente. Os dois primeiros foram feitos para Nintendo 3DS e Playstation 2 respectivamente.

Kingdom Hearts 3D e Kingdom Hearts 2

Começando pelo Kingdom Hearts 3D: Dream Drop Distance e Kingdom Hearts 2 Final Mix. Esses dois basicamente consistem de ports para PC com duas grandes melhorias. A primeira é a possibilidade de escolher a resolução de renderização dos jogos. Já a segunda é o desbloqueio do limite de frames. Para quem se lembra, os jogos eram limitados a 30 FPS devido ao poder dos consoles da época e por limitações dos motores gráficos usados. Agora, a Square Enix tomou um tempo para retrabalhar os jogos antigos da série a fim de desbloquear esses dois pontos.

Aliás, só pra fazer um adendo, nessa última virada de geração, muita gente se perguntou o porquê das desenvolvedoras não estarem simplesmente habilitando seus jogos para maiores taxas de frame nos consoles de nova geração. Isso acontece principalmente por limitação dos motores gráficos utilizados nesses jogos. Em muitos casos, os jogos são desenvolvidos já com o limite de 30 FPS em mente, e todo o código que faz o jogo rodar está baseado nisso. Trocar a taxa de frames nesses casos resultam em problemas na física e no frame pacing dos jogos, que é aquele famoso engasgo sem explicação que acontece em emuladores.

Nem tudo são flores

É exatamente isso que aconteceu com Kingdom Hearts 2 Final Mix quando o jogo foi relançado para PS4. O título precisou de muitos patches após o lançamento para corrigir problemas na física resultantes da troca do limite de frames de 30 para 60 FPS. Entretanto, dessa vez, a Square Enix teve muito cuidado para não quebrar essas outras partes dos códigos desses jogos a fim de manter a experiência das versões mais antigas dos títulos da série. O mesmo pode ser dito para Kingdom Hearts 3D: Dream Drop Distance. Ambos os jogos agora possuem taxas ilimitadas de frames e uma resolução muito maior do que nos jogos originais. Alie isso à opção de customização dos teclados e controles e temos uma versão dos jogos que pode ser mudada ao seu gosto.

Algumas características desses jogos não têm como ser modificadas, como é o caso das cutscenes, que ainda são limitadas a 30 FPS. Apesar da Square Enix não ter como ajustar isso, ter mudanças bruscas com taxas de frame altíssimas caindo rapidamente para 30 FPS a cada cutscene é prejudicial para a experiência. Além disso, nos meus testes do Kingdom Hearts 3D: Dream Drop Distance, houve um bug no limitador de frames que mesmo no modo “Ilimitado” deixava o gameplay travado a 60 FPS. Logo após, esse bug sumiu e o jogo passou a rodar sem limite de frames. Finalmente, para fechar esse breve review desses dois jogos para PC, vale pontuar que não há qualquer opção de mudar configurações gráficas dos jogos. É ligar o jogo, escolher a resolução e a taxa de frames, e partir para o abraço.

Kingdom Hearts 3

Partindo agora para a iteração de 2019 da série, Kingdom Hearts 3, nós temos um excelente port para PC. Imagino que essa tenha sido a versão que deu menos trabalho para a equipe da Square Enix, já que o jogo original foi feito na Unreal Engine 4, que é extremamente flexível e facilita muito o trabalho de lançar jogos para múltiplas plataformas. Diferente das versões dos jogos mais antigos, Kingdom Hearts 3 para PC traz mais opções de customização gráficas, permitindo que jogadores possam modificar a experiência do jogo dependendo do poder dos seus computadores. Eu vou colocar no final desse vídeo uma sequência entre os diferentes presets do jogo para que vocês possam comparar e ver as diferenças entre os modos. Se vocês já quiserem ir para lá, pulem para o tempo que vai aparecer na tela agora.

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O salto de performance entre o Low e o Máximo fica por volta de 30%. Evidentemente, isso fica claro quando comparamos a qualidade das imagens. A diferença pode não ser tão grande, mas fica um pouco mais perceptível quando reparamos nas texturas, nas sombras e na qualidade dos assets mais distantes da câmera. Os ports de jogos de console para PC têm seguido essa tendência de não ter tanta diferença entre os modos gráficos. Eu cheguei a comentar isso na análise de Crash 4 que lançamos aqui há duas semanas. Conforme vocês podem ver nos testes mostrados no vídeo, é possível atingir altas taxas de frame mesmo no preset gráfico máximo na RTX 2060 de notebook presente no meu Lenovo Y540.

Caso você tenha um computador ainda mais forte do que o meu, você terá o privilégio de jogar Kingdom Hearts 3 a altas resoluções com uma excelente taxa de frames. E diferente das outras versões do jogo lançadas para computador, as cutscenes não possuem limite de frames. Dessa forma, não há mudanças bruscas durante o gameplay, preservando a experiência do jogo como um todo. A única crítica que eu tenho para a versão de PC de Kingdom Hearts 3 é o fato de que o anti-aliasing utilizado não é dos melhores, e as altas resoluções acabam deixando esse problema ainda mais perceptível.

Resumão do KH3

Para resumir, essa versão de Kingdom Hearts 3 para PC é excelente, e ter a possibilidade de jogar esse jogaço a altas taxas de frame é simplesmente incrível. E se você quiser jogar os jogos antigos da série, essa é a sua hora. Tirando alguns percalços ali e aqui, os jogos rodam muito bem e trazem uma experiência ainda melhor do que na época dos seus lançamentos. O preço salgadíssimo dos jogos na Epic Games é o único obstáculo nesse caso, já que a mais barata de todas as quatro coletâneas contendo diferentes jogos da série custa nada menos que 200 reais. Brabo, né galera? Bom, eu vou deixar agora pra vocês aqui os vídeos com os diferentes preset gráficos pra vocês poderem comparar a qualidade dos mesmos. Se liga só.

Ricardo Carvalho

Gosto muito de escrever, desenhar, de me frustrar com política, de filosofar no barzinho, assistir filmes e defender que games são arte! Me segue no twitter que eu sigo de volta, beleza? twitter.com/perfilricardoc Beijos e boas jogatinas!
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