Análise: Ratchet and Clank – Em Uma Outra Dimensão

Confira abaixo a nossa análise completa sem spoilers de Ratchet and Clank: Em Uma Outra Dimensão:

Ratchet and Clank: Em Uma Outra Dimensão foi anunciado há mais ou menos um ano e deixou todos boquiabertos. Na época, ainda não sabíamos muito sobre o poderio da nova geração e como os exclusivos de Playstation 5 seriam. Com o primeiro trailer do jogo, que mostrava um pouco do gameplay e principalmente a mudança instantânea de cenários possibilitada pelo SSD do Playstation 5, o hype sobre a nova geração foi jogado lá pra cima. Eu mesmo fiquei com muita curiosidade de saber mais sobre o jogo e segurei toda a minha ansiedade até agora, quando tive a oportunidade de jogar Ratchet and Clank: Em Uma Outra Dimensão na íntegra. Já posso adiantar que o jogo me impressionou bastante. Desde os gráficos até o gameplay, tudo foi muito bem polido, e certamente nós temos um exclusivo de impacto no Playstation 5.

Entendendo a história – Análise/Review – Ratchet and Clank: Em Uma Outra Dimensão

A história começa com Ratchet e Clank vivendo tranquilamente sendo reconhecidos como os maiores defensores da galáxia. Durante um festival organizado pelo Capitão Qwark, Ratchet recebe como presente de Clank um dimensionador, que permite viajar entre dimensões. Para quem não se lembra ou não jogou os jogos anteriores, Ratchet seria o último Lombax vivo, já que a sua espécie havia se perdido em uma outra dimensão durante eventos passados. Com esse dispositivo, Ratchet poderia buscar a sua espécie em outras dimensões a fim de encontrar a sua família.

O problema é que o Dr. Nefarious surge durante a homenagem e rouba o Dimensionador, se teletransportando para uma dimensão em que ele é sempre o vencedor, e levando Ratchet e Clank nesse processo. Nessa viagem, os dois heróis se separam. Clank se depara com Rivet, uma Lombax nativa dessa dimensão que faz parte da Resistência contra Nefarious, e Ratchet encontra Kit, uma robô que tenta achar um novo significado para a sua vida.

A partir daqui a história se desenrola e os personagens precisam pegar de volta e reconstruir o dimensionador para não somente voltar para seus lares, mas também fechar as fendas dimensionais, que estão conectando diferentes dimensões, gerando o caos. Não vou entrar muito em detalhes para não estragar a experiência de vocês, mas saibam que o enredo realmente engaja e o roteiro é recheado de humor de primeira qualidade para todas as idades com uma dublagem primorosa em português brasileiro.

Agora, o grande trunfo do jogo, é o fato de que a história se entrelaça perfeitamente com essa mecânica de troca de dimensões do gameplay, que é possibilitada pelo SSD extremamente rápido do PS5 e a tecnologia de compressão Kraken presente no console. Fica claro que a Sony pegou o jogo para ser o grande carro chefe para demonstrar todo o poder do videogame, e é simplesmente impressionante ver cenários completamente diferentes surgirem do nada de forma tão rápida.

Por trás das fendas dimensionais – Análise/Review – Ratchet and Clank: Em Uma Outra Dimensão

Para ser preciso aqui, eu devo separar os diferentes momentos em que as fendas dimensionais podem ser usadas. Primeiro, nós temos a mecânica mais básica delas, em que várias fendas são espalhadas em uma sessão do mapa. Essas podem ser usadas por Ratchet como pontos rápidos de teletransporte. Ratchet puxa a fenda para si usando o quartzo ativador na sua mão para se transportar instantaneamente para aquele ponto do mapa. Essa é a mecânica mais básica nos combates e menos demandante em termos técnicos, já que o console não precisa carregar rapidamente os assets e objetos que irão surgir na tela. Todos eles já estavam lá e o que acontece é que Ratchet simplesmente é teletransportado instantaneamente para o local.

A segunda mecânica, que já impressiona mais, são fendas escondidas pelos diferentes mundos, que têm pequenos desafios de plataforma que desbloqueiam itens e armaduras. Nesse caso, o jogo carrega uma sessão completamente nova do mapa sem nenhuma transição, o que já é um grande feito da equipe da Insomniac.

Agora, o que é simplesmente absurdo é quando fendas surgem uma após a outra durante cenas específicas, trocando a todo momento os cenários e mundos de forma completamente fluida. Assim como mostrado no trailer do ano passado, essas transições são instantâneas e acontecem algumas vezes durante a história, mostrando todo o poder do Playstation 5. A quantidade de coisas acontecendo na tela é algo inédito, e eu me arrisco a dizer que Ratchet and Clank: Em Uma Outra Dimensão talvez seja um dos maiores feitos técnicos da indústria dos videogames até então. Provavelmente veremos mais jogos utilizando o SSD do console de forma parecida, mas ser o pioneiro é outra coisa.

Um gameplay refinado

Partindo agora para o gameplay de Ratchet and Clank: Em Uma Outra Dimensão. Assim como nos jogos anteriores da franquia, temos uma jogabilidade bastante responsiva, rápida e frenética, com muitos inimigos surgindo na tela ao mesmo tempo. É necessário ser muito rápido para poder desviar de tantos tiros vindo na sua direção ao mesmo tempo. Felizmente, a equipe da Insomniac soube aprimorar a jogabilidade no controle, deixando os comandos muito responsivos e precisos, evitando frustrações nos momentos mais caóticos. Faz parte da jogabilidade do jogo sair pulando e se esquivando de ataques curtos e tiros por todos os cantos, e as animações tanto dos personagens principais quanto de todos os inimigos dão uma sensação de responsividade e impacto incríveis. É muito divertido se deparar com diversos adversários ao mesmo tempo e sair pulando, desviando de tiros e atirando freneticamente.

Aliás, o jogo te dá uma gama de armas extremamente diversificada para ajudar nesse quesito. Há uma lista enorme de armas no jogo com características muito diferentes que permitem abordagens de diversas formas. Todas elas podem ser compradas na loja da Senhora Zurkon geralmente nas áreas centrais dos mapas. Eu poderia passar meia hora aqui descrevendo todas as armas presentes no jogo, mas para resumir, todas foram muito bem trabalhadas pela desenvolvedora para trazer a mesma sensação de responsividade e impacto.

Há snipers, pistolas, metralhadoras, granadas, armas a laser, armas de gelo, morteiros, lança-lâminas e muito mais. O destaque, na minha concepção, fica para o Pacificador, que é um lança-foguetes comum, mas que dá dano considerável em área na sua explosão. Essa arma pode parecer simples e já manjada de outros jogos, mas o mais incrível é a animação do impacto da explosão nos inimigos, que reagem de forma fidedigna ao ângulo e localização da explosão.

Além disso, há também luvas que invocam outras criaturas para lutarem ao seu lado, além de itens defensivos, como barreiras. A gama é bem variada, e o mais incrível é que todas essas armas e itens podem ser melhorados com Raritânio, um cristal que pode ser encontrado espalhado pelos mundos. A quantidade de melhorias disponível para cada arma é impressionante, e é necessário muito Raritânio para melhorar completamente as armas. Vale a pena ficar percorrendo os mapas em busca desses cristais, já que a quantidade de inimigos e a força dos mesmos vai crescendo à medida que os mundos mais avançados vão sendo desbloqueados.

Para fechar com chave de ouro o quesito itens, há também peças de armaduras espalhadas pelos mundos do jogo, que dão efeitos passivos diversos. Não é necessário equipá-las para que os efeitos sejam habilitados, basta achá-las e o efeito passivo de cada parte já estará funcionando. Ou seja, após encontrar essas partes, as armaduras funcionam como diferentes skins para os personagens, que podem ser personalizadas com diferentes cores. As possibilidades são bastante variadas e os amantes de skins têm um bom material para fazer diferentes combinações.

Os mundos e dimensões – Análise/Review – Ratchet and Clank: Em Uma Outra Dimensão

Com relaçãp aos mapas, mundo e dimensões de Ratchet and Clank: Em Uma Outra Dimensão, há nove planetas exploráveis com ambientações completamente diferentes entre si. A equipe da Insomniac foi muito detalhista e criativa ao criar os diferentes mundos, que têm charme e personalidade próprios. O jogo possui sim uma linearidade com relação às missões de cada mundo, mas há também uma certa pitada de liberdade no sentido de que não jogamos um jogo de mundo aberto, mas esses planetas funcionam como hubs, com colecionáveis, itens e missões secundárias. A maioria dos mundos têm a missão principal a ser jogada e uma missão secundária que dá itens úteis para o gameplay ou colecionáveis que contam mais sobre a história do jogo, desbloqueando macetes, filtros e diferentes opções de exibição do jogo.

É extremamente interessante explorar esses mundos não somente porque pegar cristais é importante para melhorar os equipamentos, mas porque esses foram maravilhosamente bem construídos e oferecem segredos em diversos lugares. Eu fiz questão de completar 100% de todos os mundos, e não chega a ser tão difícil assim, já que itens que pegamos mais para frente na história facilitam nessa tarefa. As diferentes criaturas, ambientações, temáticas, objetos e características em geral dos planetas são muito variados e certamente te deixarão impactado tamanha a fidelidade visual. Ainda, há missões que trazem uma pegada mais arcade, como as incursões para destruir vírus de terminais com a Glitch, ou os puzzles com Clank. Ambos trazem um pouco mais de diversidade ao gameplay, apesar de serem relativamente fáceis de serem completados.

Gráficos de cair o queixo

Pois bem, chegou a hora de falar dos gráficos de Ratchet and Clank: Em Uma Outra Dimensão. Assim como em Miles Morales, outro jogo da Insomniac Games, temos três opções de exibição para escolher, o Modo Fidelidade, que roda a 4K a 30 FPS com Ray Tracing habilitado, o Modo Desempenho, que prioriza a performance a 60 FPS a uma resolução menor sem Ray Tracing, e o incrível Modo Desempenho com Ray Tracing, que permite jogar a 60 FPS com Ray Tracing habilitado. A contrapartida para esse último modo é que o jogo roda a 1080p, a exemplo do que acontece com Miles Morales. Infelizmente, para essa análise, somente o Modo Fidelidade estava habilitado, já que o Modo Desempenho só estará disponível no patch de lançamento do jogo.

Assim que começamos Ratchet and Clank: Em Uma Outra Dimensão, percebemos que o salto visual entre gerações está cada vez mais notável. O jogo é simplesmente lindo, oferecendo modelos extremamente bem detalhados, ambientes incrivelmente bem iluminados e efeitos por todos os lados. Esse é o jogo mais próximo de um filme em CG que eu já vi, e é impressionante a fluidez com que as cutscenes, que são renderizadas em tempo real, se misturam com o gameplay.

Como já de praxe na franquia, muitas cenas são dignas de obras cinematográficas, e o jogo não perde em nada para filmes de alto orçamento da Pixar, por exemplo. A estética do jogo, inclusive, lembra muito a do estúdio da Disney, com personagens carismáticos, ambientes bastante saturados e contrastantes, e animações de primeira linha. Alie isso a materiais, texturas e shaders de alta qualidade e temos um colírio para os olhos. Até a tecnologia usada para os pelos dos personagens é de ponta, oferecendo um dos melhores gráficos que já vi até então. Os shaders interagem muito bem com a iluminação do jogo, e o Ray Tracing funciona como a cereja do bolo.

Ray Tracing para meus olhos – Análise/Review – Ratchet and Clank: Em Uma Outra Dimensão

Ratchet and Clank: Em Uma Outra Dimensão oferece a opção de habilitar o famoso Ray Tracing e, meus caros leitores, a diferença que essa opção faz no jogo é notável. Para ser preciso aqui, o jogo utiliza uma mistura de rasterização com Ray Tracing para reflexos, fazendo com que objetos fora da visão da câmera apareçam em superfícies metálicas, água, vidros e muito mais. Basicamente todos os objetos reflexivos parecem muito mais vivos com a função habilitada, fazendo com que o jogo pareça muito mais real.

Em alguns testes que fiz, foi possível olhar para uma maçaneta de metal de costas para a ação atrás de mim e ver tudo que estava acontecendo mesmo fora do meu campo de visão. Há algumas limitações para a funcionalidade, como a ausência de reflexos secundários, e materiais e sombras mais simples dentro dos reflexos, mas só é possível perceber isso prestando muita atenção. O jogo conta com muitos ambientes que tiram total proveito do Ray Tracing, e o fato de que muitos efeitos e inimigos surgem na tela a todo momento fazem com que a função fique em evidência.

Além disso, como eu já falei anteriormente, a quantidade de detalhes por todos os lugares é imensa, o que, aliado à estética dos diferentes mapas, a iluminação sublime e as incríveis animações, gera uma sensação de imersão sem igual. O jogo foi minuciosamente criado pela equipe de arte da Insomniac para impactar e atinge esse objetivo com facilidade. Para fechar esse quesito, faço uma menção especial para os efeitos de fumaça e explosão, que são os mais realistas que eu já vi em um jogo, e para o maravilhoso Motion Blur por objeto implementado, que incrementa ainda mais a sensação de que estamos vendo um filme da Pixar mesmo durante o gameplay.

O único ponto negativo de todos esses efeitos é que eu pude perceber algumas quedas de FPS quando muita coisa estava acontecendo na tela mesmo no modo Fidelidade a 30 FPS. Vale lembrar que nós jogamos a versão sem o patch de lançamento do jogo, então pode ser que esse ponto seja melhorado muito em breve.

Uma incrível experiência sonora e tátil

Para fechar essa análise com chave de ouro, temos dois pontos que tornam a experiência de Ratchet and Clank: Em Uma Outra Dimensão uma das melhores do ano: o feedback háptico no Dual Sense e a absurda trilha-sonora. Começando pela última, como já é tradição nos jogos da Insomniac, a trilha sonora escolhida é recheada de orquestras e efeitos sonoros cinematográficos que se mesclam muito bem com diferentes situações e mapas. O jogo acompanha perfeitamente os diferentes momentos, com músicas orquestradas mais rápidas durante momentos de ação e obras mais cadenciadas em cenas tranquilas. A imersão nesse sentido é sem igual, e todos os efeitos sonoros também utilizam o famoso Áudio 3D do Playstation 5.

Agora, o que fecha a experiência de forma primorosa é o feedback do controle durante o jogo. Assim como em Astro’s Playroom, é possível sentir a vibração de diferentes materiais no controle, além, é claro, do retorno dos gatilhos nas diferentes armas. Praticamente tudo que acontece na tela gera algum feedback no Dual Sense, e é muito satisfatório pular, atirar, e desviar dos inimigos sentindo tudo também nas mãos. Até explosões próximas dos personagens têm um feedback diferente no controle. Caso aconteça uma explosão ao seu lado, por exemplo, o controle vai responder vibrando somente nesse lado e a força da vibração também depende da proximidade dessa explosão. É simplesmente incrível e deve ser sentido para ser totalmente compreendido.

Conclusão – Análise/Review – Ratchet and Clank: Em Uma Outra Dimensão

Resumindo, Ratchet and Clank: Em Uma Outra Dimensão traz uma experiência de nova geração incrível, e tira todo o potencial do PS5 para proporcionar mecânicas antes impossíveis. Os gráficos, a trilha sonora, a jogabilidade e o feedback do Dual Sense se mesclam de forma primorosa, trazendo um jogo completo para todas as idades. A única crítica fica para o fato de que Rivet possui as mesmas habilidades que Ratchet.

A sensação que temos é a de que a Insomniac perdeu uma boa oportunidade de variar ainda mais o gameplay, trazendo uma personagem com uma jogabilidade diferente da do nosso herói principal. Todo o conteúdo oferecido pelo jogo irá agradar tanto os fãs de longa data, quanto marinheiros de primeira viagem, com uma história que irá demorar cerca de 13h caso você queira pegar todos os itens nos mapas. Inclusive, esse é um dos jogos mais fáceis de se platinar até o momento no PS5, então se for você for um aficionado por troféus, esse é o seu jogo.

Essa análise segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

Ratchet and Clank: Em Uma Outra Dimensão

Visual, ambientação e gráficos - 10
Jogabilidade - 9.5
Diversão - 10
Áudio e trilha-sonora - 10

9.9

Fantástico

Ratchet and Clank: Em Uma Outra Dimensão tira total proveito do poder do Playstation 5 para fazer uma revolução técnica extremamente divertida.

User Rating: 5 ( 1 votes)

Bernardo Cortez

Formado em Relações Internacionais, Bernardo aproveitou o dom de escrever para algo útil. Músico, viajante, cronista e amante de qualquer coisa que seja relacionada a jogos, seu sonho é ser jornalista na área. Tem um carinho especial por jogos que tragam o melhor de todas as formas de arte que os englobam.
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