Análise: Ender Lilies é triste e cativante

Ender Lilies não traz grandes novidades, mas vai tocar nossos corações

Desenvolvido pelas Live Wire, Adglobe e distribuído por Binary Haze Interactive, Ender Lilies: Quietus of the Knights é mais um metroidvania-roguelike que tentará cativar os fãs do gênero. Será que consegue? Venha conferir abaixo nossa análise de Ender Lilies!

Ender Lilies está disponível para PlayStation 4, Xbox, Nintendo Switch e PC (Steam), e está completamente legendado em PT-BR.

Realizamos esta análise no PC com uma cópia do jogo cedida pela produtora.

A sacerdotisa da luz

Em Ender Lilies, controlamos Lily, uma criança que é acordada de um sono profundo por um espírito. Esse explica que o mundo que ela conhecia não é mais o mesmo. Uma chuva negra assolou tudo, causando uma série de eventos e transformando os seres vivos em corrompidos. Esses corrupção faz com que eles comecem a perder sua personalidade, memória e aparência, se tornando imortais, deformados e, em sua maioria, agressivos.

Com o tempo, Lily descobre ser descendente de uma sacerdotisa da luz e que possui o poder de “purificar” esses espíritos. Isso não os cura e nem faz eles voltarem ao normal, apenas liberta a sua alma da agonia que a corrupção e a transformação causam. Alguns desses espíritos se tornam seus aliados, garantindo poderes e ataques especiais.

Uma parte curiosa e interessante, é que Lily não possui nenhum tipo de ataque próprio, alguns de seus movimentos são executados por essas almas. Desde ataques até pulos duplos, quase tudo é efeito de alguma(s) dessas entidades que, após libertadas, começam a acompanhá-la e a ajudar em sua missão.

Ender Lilies é bonito e melancólico

Ender Liles possui diversas localizações a serem exploradas que são vilarejos destruídos, florestas escuras, pântanos desolados entre outros. Todos eles são sombrios e melancólicos, transmitindo perfeitamente bem a história que está sendo contada. Graficamente o game não entrega nada revolucionário, mas não deixa de ser muito bonito. Seus cenários e personagens são muito bem desenhados e as animações bem fluidas.

Por não partirem diretamente do nosso protagonista, achei que os ataques poderiam me gerar estranheza – é o surgimento e ataque rápido de um dos espíritos a nossa frente -, mas só foram necessários dois ou três combates para essa dúvida cair por terra.

Gameplay de Ender Lilies é bonito, mas traz pouca inovação

Como todo metrodvania, Ender Lilies nos dá liberdade para explorar os diversos cenários disponíveis na ordem que quisermos, exceto por alguns pontos que precisa da utilização de alguma skill ou item específico. Precisaremos tomar cuidado pois, por ser um roguelike, cada vez que morrermos ou descansamos, os inimigos ressurgem. Ou seja, para avançarmos no game, precisaremos passar de área em área até chegarmos em um ponto de save sem morrermos, ou retornaremos ao último ponto e teremos que enfrentá-los novamente.

Seus controles são bem simples. Utilizei um controle de xbox – altamente recomendado – e precisei de pouco tempo para me adaptar. Pulamos com o A, gatilho da direita para esquivar, gatilho da esquerda para interagir, X/Y/B são as skills – basicamente todas são ataques dos espíritos que libertamos e equipamos – e movimento com o analógico ou as setas. Simples de aprender, difícil de dominar. Precisaremos estudar os ataques dos inimigos para acertar o tempo de esquiva e ataque, o que, em como todo game do gênero, não é fácil de início.

Nós avançamos de nível através do combate, e, diferente de outros do gênero, esse nível não se perde ao morrermos. Recuperamos relíquias que nos dão algumas vantagens, como vida e defesa extra, e recuperamos materiais que poderão ser utilizados para “evoluir” nossos espíritos, aumentando o dano, quantidade de ataque e seus cooldowns.

Sua gameplay é fluida e agradável, mas não traz grandes novidades, fator que é completamente apagado por sua história profunda e interessante.

Trilha sonora estilo “tente não chorar”

Como já mencionado nessa análise, Ender Lilies é escuro e melancólico. Sua história profunda traz uma grande sensação de tristeza e solidão. Junto disso, temos alguns diálogos que reforçam como um espírito que gostaria de ver o filho e a esposa mais uma vez, o que poderia faltar para aumentar essa sensação? Uma trilha sonora bonita e muito melancólica. Suas músicas conseguem nos aprofundar na sensação que o game quer passar, possuindo belas melodias em piano e, em alguns pontos, podemos ouvir um cântico baixo e triste.

Uma modesta obra de arte

Ender Lilies é uma ótima pedida para os fãs do gênero. Sua história profunda e melancólica nos intriga e prende, cada pista que encontramos ao avançarmos traz mais informação sobre seu universo. Embora não traga muitas novidades, seu gameplay estilo “fácil de aprender, difícil de dominar” é agradável. Tudo isso somado a belíssima trilha sonora, torna a jogatina muito agradável. Confesso que, para a análise de Ender Lilies, tive algumas dificuldades em prosseguir, mas não por causa do game em si, e sim por eu ser um pouco ruim nesse gênero (rs).

Essa análise segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

Ender Lilies: Quietus Of The Knights

Visual, ambientação e gráficos - 9
Jogabilidade - 8
Diversão - 9
Áudio e trilha-sonora - 9

8.8

Ótimo

Ender Lilies é uma ótima pedida para os fãs do gênero. Sua história profunda e melancólica nos intriga e prende, e cada pista que encontramos ao avançarmos, traz mais informação sobre seu universo.

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Guilherme Segal

Apaixonado por games desde o Atari. Curte tanto PC que possui quase 800 jogos na Steam. Mas ainda acha que os games de hoje em dia não possuem o mesmo charme dos antigos, motivo pelo qual ainda joga Heroes of Might and Magic 2 até hoje.
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