Análise: The Ascent é bonitinho mas ordinário

Um dos jogos mais esperados de 2021.

Um dos jogos mais esperados do ano para os donos de Xbox e assinantes do Gamepass, e que queríamos muito fazer a análise, era The Ascent, desenvolvido pela Neon Giant e publicado pela Curve Digital. Essa necessidade é normalmente associada à carência por um mundo cyberpunk que Cyberpunk 2077 deixou nos jogadores depois de seus problemas de lançamento.

The Ascent é um RPG de ação e visto por muitos como um Diablo em com ambientação em um futuro distópico. Mas será que o jogo se enquadra de fato nesse gênero? A espera valeu a pena? Confira a seguir nossa análise de The Ascent.

Agradecemos a distribuidora pelo código de PC (Steam) e Xbox Series assim como pela oportunidade de revisar The Ascent em nosso site.

Chefinho querido

Um pouco do enredo

O jogo se passa em Veles, um futuro cyberpunk onde você é um cidadão, um escravo de uma corporação, que vive sua vida nos níveis inferiores deste mundo separado por camadas sociais. As pessoas mais ricas e “livres” vivem no topo, e como é de se esperar, quanto mais pra baixo pior (Titanic feelings). As corporações lutam pelo controle dos ativos tecnológicos e nesse meio é revelado ao protagonista que o “Grupo Ascent” fechou recentemente por razões desconhecidas, colocando a sobrevivência do distrito do protagonista em risco. Com sua vida em jogo, você embarca em uma nova missão para descobrir o que causou essa queda repentina.

Não fiquei tão impressionado com a história. É uma visão interessante, porém batida, sobre o gênero cyberpunk, a ideia de “camadas” sociais é amplamente discutida em outras obras e isso não é uma novidade. Mas isso não seria um problema se o diálogo de alguma maneira impulsionasse o jogador a seguir e querer ver mais da história. O que não acontece graças aos jargões e palavras técnicas demais para serem entendidas, todo diálogo é muito burocrático e isso quebra o ritmo do jogo em vários momentos.

Apesar de o jogo contar com legendas em PT-BR, em muitos textos os idiomas se misturam, tirando a imersão da situação. A dublagem em inglês, por sua vez, tinha momentos bons e ruins. Alguns personagem eram facilmente compreendidos na situação enquanto outros pareciam não reagir ao que estavam dizendo ou nos acontecimentos ao seu redor.

Com isso, temos um enredo que é empurrado ao jogador a todo momento, com diálogos longos e caixas de texto. Mas tropeça em prender a atenção e ser objetivo para que o jogador continue sua aventura.

O visual é simplesmente espetacular!

O visual de The Ascent é seu ponto forte

Com neon, chuvas, modificações corporais e um visual vertical sempre impressionante, a Neon Giant oferece uma experiência quase que perfeita do que esperamos de um mundo cyberpunk. A iluminação é algo importante para uma cidade que nunca amanhece. Aqui temos neons de publicidade de lojas, bares, hospitais, robôs e veículos voadores sobrevoando alguns pontos da cidade.

Essa estética não se prende somente às construções mas também em cada personagem, inimigo ou NPC e também nos efeitos de explosões e skills que o jogador habilita.

Os gráficos e ambientação são o ponto alto do jogo! Durante nossa análise de The Ascent esse foi, sem sombra de dúvidas, o maior trunfo do game. Seja com o Ray Tracing ligado ou desligado, não há como errar na fotografia, apenas melhorar, se o seu PC aguentar.

E por falar em Ray tracing e PC, é importante dizer que caso vá jogar a versão do Gamepass em seu PC via Microsoft Store, o jogo ainda não conta com Ray Tracing nem DLSS. Nesse primeiro momento, apenas a versão paga da Steam conta com essas tecnologias.

Um combate que tenta inovar mas acaba pecando em alguns pontos

O gameplay do jogo está diretamente ligado aos combates que você tem durante suas horas em The Ascent. Logo de início você é avisado que nenhum lugar será livre de possíveis ameaças e que nem todos são inimigos. Alguns poderão pedir para você se retirar antes de começar um embate, por exemplo. Isso aumenta muito a imersão no jogo, mas tem momentos que chega a ser exagerada a quantidade de combates que você tem indo de um ponto A ao ponto B.

Cada vez que você se envolver em um tiroteio, você inevitavelmente vai enfrentar muito mais inimigos do que você esperava. É fácil ficar rodeado por inimigos nas horas iniciais do jogo. Conforme seu personagem evolui, você poderá passar por inimigos de baixo nível sem grandes dificuldades.

Um dos problemas encontrados nesse âmbito é o fato de não haver marcadores no seu mapa ou aviso de quando você está numa área muito acima do seu poder atual, o que fará você correr por sua vida ou aceitar que pegou o “retorno errado”. Mas não se culpe, isso é um erro do jogo, já que temos aqui missões que se adequam ao seu nível mas o caminho não, o que não faz o menor sentido.

Para eliminar seus inimigos, você usará armas (o jogo é basicamente um twinstick shooter) e skills adquiridas com a evolução do personagem. Para ser sincero, apesar de termos aqui uma grande variedade de armas, não senti uma real diferença entre uma e outra na forma de enfrentar as situações. Não me apeguei muito a esse ponto e segui usando sempre a mais forte que tinha disponível.

Para sua proteção, você poderá usar qualquer parede ou canteiro e se esconder atrás, agachado. Lembrando muito momentos de Gears of War. Isso fará com que você ganhe tempo para esperar um cooldown ou pensar na melhor saída para a situação que se encontra.

Melhorias e (muitos) loots

Para enfrentar o desafio da dificuldade crescente, você precisará de alguns upgrades. À medida que você subir de nível, você terá pontos que pode gastar em uma variedade de habilidades e atributos. Eles são bastante simples, em um primeiro momento, mas podem mudar drasticamente o rumo de uma batalha. Por exemplo, o Balance aumenta sua resistência ao atordoamento e ajuda você a se mover mais rapidamente com armas pesadas. O atributo de manuseio de armas está relacionado com a velocidade de carregamento de munição e troca de armas e etc.

Além das habilidades, também há outros aumentos a se considerar. Com quatro vagas totais para preencher, The Ascent tem uma quantidade de habilidades razoável para mudar o rumo de alguns embates. Como robôs com ataque em área, um soco explosivo para atordoar os inimigos. Descobrir o que cada um faz é parte da descoberta de possibilidades desse mundo cyberpunk, então não vou me apegar a eles aqui.

Porém, se há algo que tenho que fazer uma observação, é que The Ascent peca em sua HUD. Muitas vezes é tudo poluído e tem muita informação para dar. Até mesmo entender que melhoria terá em equipar um ou outro equipamento se torna um desafio, pois não fica claro para o jogador do que se trata cada status.

Durante toda a sua jogatina e por todo o mapa, estão espalhadas caixas e baús com itens para serem coletados, melhorados, usados, vendidos – como todo e bom RPG. Algumas dessas caixas só irão aparecer depois de certos eventos e animações, como uma nave levantar voo. Então fique de olho e não dê bobeira para não deixar nada para trás!

Problemas de performance tomaram conta de nossa análise de The Ascent no PC

O maior problema enfrentado durante nossa análise de The Ascent foram os erros de performance no pré-lançamento. Quedas bruscas de FPS, stuttering a todo momento, travamentos, problemas com DirectX 12 e RT, Pop ups de textura (esse até mesmo no Xbox) entre outros. Até nossa captura de vídeo era prejudicada pelos crashes.

Apesar do patch de lançamento ter resolvido alguns dos problemas, para alguns jogadores e placas, ainda não tive um desempenho satisfatório, esperado da RTX 3070 que usei nesta análise (também testamos em uma 2060). Então, se você estiver lendo essa análise de The Ascent longe da data de sua publicação, procure saber como o jogo está rodando na sua placa.

Jogando The Ascent no Xbox Series

Enquanto nossa experiência no PC foi algo longe de ser satisfatória, a performance técnica no Xbox Series S foi impecável. Chega a ser irônico o Series S rodar melhor do que uma RTX 3070, mas durante o lançamento do game, essa é a verdade.

Nenhum dos problemas apresentados na versão de PC foi visto na versão do Series S que rodou a estáveis 60 fps e a uma resolução de 1080p. Os visuais continuavam impactantes e a experiência tanto em seu gameplay como em sua fluidez foi muito satisfatório. Inclusive ficou um gostinho de “quero mais” para ver como The Ascent rodaria de forma impecável em um Series X a 4K e com Ray Tracing ligado.

Para não ser parcial, existe apenas um problema técnico que vimos em nossa jogatina, um pequeno pop up de textura. Ao abrir o menu e retornar ao jogo, as texturas eram claramente carregadas na sua frente e isso tomava cerca de 1 segundo apenas. Por mais que já estivesse tudo completamente carregado, esse novo carregamento sempre acontecia. O mesmo aconteceu em The Medium, quando foi lançado exclusivamente para o console Xbox.

The Ascent, vale ou não vale a pena

Conclusão

The Ascent é um jogo que agrada logo de cara por seus visuais e idealização de um mundo cyberpunk. O jogo, apesar de poder ser jogado de maneira solo, parece ter sido criado para o cooperativo. Isso fica claro com o desafio desproporcional e desbalanceado em alguns momentos do game.

O combate agrada, mas senti falta de algo mais frenético na parte do esquema de combate. Os inimigos são em um número muito grande e muito rápidos para se usar mecânicas mais cadenciadas jogando solo. Além disso, a ideia de apertar um botão de mira para atirar em inimigos mais distantes é inteligente mas mal executada, quando temos uma escada ou desnível no caminho ela simplesmente não funciona e você precisa atirar à queima-roupa para derrotá-lo.

Por fim, se estiver lendo essa análise de The Ascent e for jogar no PC, procure saber como está a performance do jogo em seu setup. Caso esteja indo para a versão de console (principalmente no Xbox Series), acredito que não encontrará grandes problemas. Em ambos os casos, um amigo ao lado fará uma grande diferença na diversão.

Essa análise segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

The Ascent

Visual, ambientação e gráficos - 9
Jogabilidade - 7
Diversão - 6
Áudio e trilha-sonora - 7.5
Enredo - 5.5

7

Bom

The Ascent acaba por não ser o que estávamos esperando mas demonstra muito potencial e tem um dos mundos mais belos que já vimos em um jogo isométrico. Recomendamos, principalmente, para os jogadores de console, que curtem o gênero, e também que você jogue de maneira cooperativa.

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Bruno Degering

Gamer há tanto tempo que usa consoles como referência cronológica para lembranças de sua vida. Amante de Mega Man, Resident Evil e Warcraft. Se gaba por ter zerado Battletoads aos 9 anos mas abandonou Bloodborne com 26.
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