Análise: Tales of Arise é uma renovação necessária para a série

Parabéns aos 25 anos de Tales Of!

Tales Of é uma franquia consagrada de RPGs japoneses e tão antigas quanto o CEO do Última Ficha, nessa análise iremos falar sobre Tales of Arise que é o mais novo título da série. Após 5 anos sem nenhum novo título da série principal, finalmente temos um novo jogo para ser o sucessor de Tales of Berseria. Será que essa espera trouxe um bom resultado que seja digno a comemoração de 25 anos da franquia? Continue lendo a análise para descobrir a resposta.

Essa análise de Tales of Arise foi feita graças a um código de Playstation 5 cedido pela Bandai Namco.

Quebre as muralhas que te prendem

Em um mundo dividido por dois povos denominados como Rehnan e Dahnan, a desigualdade e o preconceito reinam. Uma vez que os rehnanos se sentem superior em relação ao outro povo, uma vez que seu reino se encontra sobre os céus e eles possuem tecnologia de ponta juntamente da capacidade de utilizar magia. Por se acharem superiores, eles desceram de seu reino e dominaram as terras de Dahnan, escravizando os dahnianos e obrigando que eles trabalhassem de modo que a própria energia espiritual desse povo fosse utilizada como medidor para uma competição que irá definir o próximo governante de Rehnan.

Numa época sem esperanças, o escravo da máscara de ferro acaba encontrando uma rehnana que é fugitiva e a partir disso a revolução dos escravos de Dahnan começa. O máscara de ferro, ou Alphen, é o protagonista principal dessa história. Um homem que perdeu suas memórias e tem o rosto escondido por uma máscara da qual ele não é capaz de se livrar. Apesar de viver como escravo, ele busca auxiliar os outros em sua volta e até mesmo servir de escudo para seus companheiros, uma vez que ele é incapaz de sentir dor. Do outro lado temos Shionne, uma rehnana fugitiva que carrega consigo uma maldição que faz as pessoas que a tocarem sofrerem uma enorme descarga elétrica.

Essa dupla bastante peculiar é o início da revolução para a libertação do povo de Dahnan. Porém, não é algo fácil, afinal há governantes que devem ser derrotados para que isso seja possível.

No decorrer da história mais personagens se unem na jornada de libertação, como Rinwell, sua coruja Hootle e o artista marcial Law. Cada personagem teve seu background muito bem estabelecido e motivos para combater os rehnanos.

Não é a primeira vez que Tales Of tem uma história mais “sombria”, como podemos ver em Berseria que é bastante sombrio. Contudo, em Arise, a questão de ser algo “dark” não se deve a cores escuras, personagens mais maldosos ou coisas do tipo… Ele trabalha com temas mais pesados como escravidão, preconceito, falta de confiança no próximo e outros. Enquanto no primeiro arco da história vemos o sofrimento dos escravos, no segundo arco vamos parar num reino em que ninguém consegue confiar no próximo e possuem o pensamento “denunciar antes de ser denunciado”.

A mescla de assuntos pesados juntamente de personagens bem construídos, possuidores de personalidades cativantes e desenvolvimento envolvem fazem com que esse jogo brilhe de forma grandiosa em sua narrativa.

5 anos que fizeram a diferença

Tales of é uma série em que seu desenvolvimento é um tanto lento. De um jogo pro outro não vemos lá grande evolução, salvo os casos da mudança de geração, por exemplo. Ou quando a franquia abandonou de vez o 2D e foi para o 3D, contudo, desde que iniciou esse ciclo do 3D não tivemos lá grande inovação/evolução, talvez a maior tenha sido com Tales of Zestiria com a mudança da câmera na movimentação pelo cenário e combate, mudança essa que seguiu com Tales of Berseria. Contudo, ambos os títulos ainda estavam muito enraizados em várias características da série. Felizmente Tales of Arise se desprende dessas raízes e retrabalhada por completo várias mecânicas.

Para começo de conversa, logo de cara vemos que o jogo possui um layout modernizado, deixando de lado o visual clássico que sempre acompanhou a série. Já é um ponto positivo, pois podemos notar visualmente essa evolução. Junto disso, os gráficos também deram um salto muito notável, já que largaram aquele estilo de visual onde os personagens não possuem contorno. Trazendo algo familiar ao que vimos em Scarlet Nexus, porém, num traço mais “artístico”.

Falando em Scarlet Nexus, esse game influenciou diretamente no sistema de combate de Tales of Arise. Primeiramente pelos comandos, uma vez que a série clássica de Tales Of utilizava um sistema que se baseia na junção de botões de ação + uso dos direcionais para utilizar golpes especiais, como vemos em jogos de luta ou no Devil May Cry. Agora os comandos estão simplificados e muito mais acessíveis para quem não tem tanto costume nesse tipo de jogabilidade. Cada personagem pode carregar consigo até 3 movimentos especiais no solo e 3 no ar. Consequentemente, cada movimento é posicionado sobre o quadrado, triângulo e X. Enquanto isso, o botão bola fica encarregado do salto, R1 é o ataque básico, R2 é a esquiva e L1 é o target de inimigo.

Os direcionais servem para utilizar algum dos personagens da party para executar um golpe especifico. Cada personagem tem uma determinada vantagem… Shionne consegue derrubar facilmente oponentes que voam, enquanto Law é capaz de quebrar defesas como escudos e armaduras e Rinwell é capaz de atrapalhar a canalização da magia de oponentes.

Além disso, durante o combate é possível fazer golpes em conjunto com os membros da party, dando finalizações devastadoras que causam um ótimo dano aos inimigos.

Para finalizar, algo que me chamou atenção foi o estilo de jogo de Alphen onde consome a própria vida para usar golpes com a sua espada flamejante. Nunca imaginei ver um protagonista de Tales Of com um sistema baseado na utilização do próprio HP para expandir combos e detonar os inimigos. Sem dúvidas, é um ponto extremamente positivo para os desenvolvedores ao trazer algo tão criativo.

Adeus aos títulos e boas vindas aos emblemas

Tales of tinha uma mecânica bastante singular que era a utilização de títulos para determinar alguma bonificação. Por exemplo, se o protagonista estivesse com o título de “herói” equipado, ele teria bônus em seu ataque físico, mas se estivesse com o título “o preguiçoso”, teria bônus em resistência mágica. Os títulos vinham de acontecimentos na história e todos os personagens da party possuíam os seus próprios, era algo que auxiliava em sua build dando alguns pontos adicionais em status interessantes.

Tales of Arise abandonou esse sistema e trouxe uma evolução que é chamada de “emblemas”. É como se você tivesse várias árvores distintas de habilidade que não são interligadas. Cada emblema é relacionado a algo que ocorre durante o jogo, igual aos títulos, contudo, te dá muito mais do que apenas status.

Por mais que no jogo tenha o sistema clássico de “level up”, suas habilidades, efeitos passivos e etc… Não são liberados de acordo com o seu nível. Você libera depositando “pontos de habilidade” em alguma das habilidades presentes em algum dos emblemas. Por exemplo, eu liberei o emblema que traz um golpe novo, maior dano em inimigos atordoados e resistência contra veneno. Terei que pagar uma quantidade X de pontos para obter cada uma das habilidades individualmente. Após completar o emblema, consigo a habilidade única pertence a essa “árvore”.

Além de ser algo mais útil do que os títulos, você não precisa equipar um emblema especifico. Ou seja, é tudo acumulativo.

Afinal, como consegue esses pontos de habilidade? Há três meios de conseguir eles… O tradicional “level up”, derrotando monstros e, por fim, realizando missões. Sabemos como todo RPG atual possuí várias side quests, contudo, essas missões secundárias de Tales of Arise se mostram realmente importantes, pois dão quantidades relevantes de PH, fazendo com que você consiga evoluir mais rápido.

Análise Tales of Arise

Implementações extremamente bem-vindas

Além dos aspectos que já citei nessa análise, Tales of Arise também conta com outras implementações que trouxeram uma nova vida ao jogo. Por exemplo, os Fast Travels estão bem melhores do que os jogos anteriores e sendo mais úteis, uma vez que você pode desfrutar deles apenas acessando o menu do mapa. Além disso, esse menu também mostra em quais mapas tem missões secundárias para aceitar, realizar ou entregar.

Outro aspecto novo para a série é algo chamado “Pontos de Cura”, é um limitador da quantidade de magia de cura que você é capaz de desfrutar durante os combates. Se chegar a zero, consequentemente, você fica incapaz de curar por magias, sendo necessário apelar para itens que cure/reviva diretamente o personagem ou restaure os seus pontos.

Inclusive, os PC (pontos de cura) também tem outra função bastante interessante. Cada personagem tem uma “habilidade” que pode ser utilizada no mapa. A Shionne, por exemplo, é capaz de curar gente ferida, enquanto Alphen consegue desfazer barreiras de fogo ou de gelo graças a sua espada flamejante. Para esse tipo de ação é consumido uma quantidade X de pontos de cura, contudo, ao utilizá-los você sempre consegue alguma recompensa em troca por menor que seja.

Mais uma adição foram os acampamentos, onde os personagens podem descansar para recuperar os seus PC, fazer uma refeição para ganhar alguma bonificação por tempo determinado e ampliar a amizade entre os personagens. Falando nisso, algo que merece destaque é o fato que inicialmente a party não tem uma relação de super amigos, estão mais para “eu suporto fulano porque temos o mesmo objetivo”. Em vários momentos de acampamento podemos ver o desenvolvimento da relação deles, conhecer mais sobre cada um e se apegar aos membros da equipe. É uma sensação familiar ao polêmico Final Fantasy XV, contudo, mais bem trabalhado.

Aproveitando o fato de eu ter citado “desenvolvimento”, tradicionalmente os jogos de Tales Of já vinham com momentos de conversa que não influenciavam no plot central, mas eram conversas divertidas que traziam alguma informação relevante sobre os personagens ou desenvolvia a amizade deles. Por ser algo que não fosse realmente essencial, a pessoa podia apertar um botão para o dialogo começar.

Isso se manteve em Tales of Arise, porém, mudaram a forma da conversa se desenrolar. Antes era apenas um quadrado com o rosto de quem estivesse conversando, movimentando a boca e fazendo reações. Agora temos algo mais amplo, pois eles conversam em “quadros” como de histórias em quadrinhos/mangás, lembrando o que já foi apresentado em Scarlet Nexus.

Análise Tales of Arise

Os novos gráficos de Tales of Arise e sua trilha sonora

Como dito anteriormente, Tales of Arise está com um novo estilo gráfico em comparação aos jogos anteriores da série. Sendo sincero, Tales Of nunca se destacou em questão de gráficos, sempre sendo o tipo de jogo que “funciona” com um visual simples, mas que consegue expressar bem o que os personagens querem demonstrar. Não estou dizendo que ele possui gráficos feios, porém, acaba ficando atrás de outros RPGs famosos (mas ainda melhor do que os gráficos dos RPGs da Falcom, e sim foi uma indireta para o Ys IX: Monstrum Nox).

Contudo, Tales of Arise traz consigo a melhor direção de arte que já vi na série. Conseguindo trazer expressões melhores nos personagens, um estilo de visual que lembra traços artísticos e mantém um contorno bem discreto. Em alguns cenários que uma cor é predominante, aparenta que estamos vendo algo bastante simples, contudo, o estilo brilha em áreas que temos um maior número de elementos como florestas e afins.

Em relação a trilha sonora, temos a volta do lendário compositor Motoi Sakuraba que também fez a composição de Tales of Berseria e vários outros. Além desses, ele também trabalhou em títulos como Dark Souls 2 e 3. Ou seja, temos músicas épicas e de grande qualidade trazendo momentos memoráveis durante a aventura.

As mudanças de Tales of Arise foram bem vindas?

Entramos num ponto bastante delicado dessa análise de Tales of Arise. Como sabemos, mexer em algo dos “fãs” muitas vezes pode ser uma faca de dois gumes. Estamos acostumados em ver isso sempre que sai um Final Fantasy novo, a recepção quase nunca é das melhores por conta dos mais saudosistas. Felizmente os fãs de Tales of costumam ser mais abertos a mudanças igual aos adoradores de Shin Megami Tensei e Persona. Não coloco a mão no fogo em dizer que todos vão amar, pois sem dúvidas alguns vão querer de volta o layout clássico com setinha em cima da cabeça do inimigo servindo como barra de vida e etc… Contudo, como um fã da franquia, eu adorei as mudanças.

A revolução que Tales of Arise trouxe a série conseguiu fazer com que o jogo tivesse uma evolução verdadeira em vários sentidos. Abandonou alguns aspectos, abraçou novas características e evoluiu mecânicas. A melhor forma de entregar um presente de 25 anos aos fãs é justamente trazer algo bom e a equipe de produção foi capaz de realizar esse feito. Afinal, trouxeram um jogo maravilhoso.

De começo estranhei o layout do controle, a mudança nos comandos, até mesmo já estava achando ruim o sistema de batalha. Entretanto, foi uma adaptação rápida e logo comecei a fazer vários combos, entender como funcionava as novas mecânicas e curtir os combates.

Algo que realmente deixou saudades foi a tela de comemoração no final das batalhas, pois era divertido os personagens comemorando sua vitória ou batendo um papo rápido de maneira divertida. Provavelmente o motivo desse corte foi o intuito de deixar o jogo mais ágil e o final da batalha retornar direto para o mapa.

Então para concluir essa análise que já se prolongou consideravelmente, Tales of Arise é um novo começo para a série, trazendo uma enorme evolução em comparação ao Berseria. Tem história muito bem escrita, traz temas densos, personagens muito bem construídos, um gameplay muito bem estruturado e bastante conteúdo para divertir durante várias horas.

Yakuza: Like a Dragon tem um grande rival para o prêmio de RPG do ano.

Análise Tales of Arise

Essa análise de Tales of Arise segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

Tales of Arise consegue renovar de maneira satisfatória a consagrada série

Visual, ambientação e gráficos - 9
Jogabilidade - 10
Diversão - 10
Áudio e trilha-sonora - 10
Narrativa - 10

9.8

Maravilhoso

Tales of Arise consegue de maneira espetacular trazer uma nova personalidade para a franquia. Com várias mecânicas inéditas, características renovadas e personagens marcantes, o jogo garante diversas horas de uma aventura memorável.

User Rating: 2.4 ( 3 votes)

Anderson Mussulino

Publicitário louco por toda a cultura geek. Redator do Última Ficha e apaixonado por jogos que vem da terra do sol nascente.
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