Análise: Unsighted, quando humanos ganham das máquinas

Até em um mundo fictício o ser humano é egoísta.

Desenvolvido pela Studio Pixel Punk e publicado pela Humble Games, Unsighted é um game indie que possui gráficos pixelados e estilo Action RPG com roguelike em um cenário pós apocalíptico onde as máquinas estão lutando para sobreviver um pós guerra com a humanidade. Será que sua história e o visual vão agradar? Vamos conferir em nossa análise de Unsighted.

O game foi desenvolvido por duas brasileiras, está perfeitamente legendado em PT-BR e pode ser adquirido via Steam a partir do dia 30 de Setembro. Essa análise de Unsighted foi feita graças a um código cedido pela sua produtora.

A melancólica história de Unsighted

A história de Unsighted se passa em um futuro fictício onde um asteroide caiu na terra trazendo consigo um cristal que possui uma energia chamada Anima. Ao estudar e em posse dessa energia, os humanos foram capazes de dar consciência aos androids e, para variar, tentou os controlar, o que gerou uma guerra de proporções apocalípticas.

Após essa guerra, os androides sobreviventes da cidade de Arcadia ficaram privados dessa energia e tendo a necessidade de se “recarregar” da mesma, os poucos que sobraram estão ficando com o seu tempo reduzido. Quando sua Anima se esvai, os androides se tornam criaturas sem consciência que ataca o que estiver pela frente, sendo chamados, neste estado, de Unsighteds.

Provavelmente, ao meu ver, a história de Unsighted é seu ponto mais forte pois traz, além de curiosidade com o futuro, personagens carismáticos e interessantes, e nos prende a uma trama que parece até simples a princípio, mas que tem altos e baixos e nos cativa a entender o que está acontecendo.

Jogamos com Alma, uma androide que desperta nesse mundo sem nenhuma memória de seu passado que, ao longo da trama, vai se recuperando e trazendo novas e intrigantes explicações sobre o ocorrido, seu passado e seu propósito.

O cenário desolado de Unsighted

Visualmente, Unsighted traz gráficos pixelados no padrão de muitos games indies, mas que possui animações muito boas e, principalmente, cutscenes lindas. No geral não traz nada muito inovador, mas consegue agradar, principalmente aos fãs do gênero visual.

Seu cenário desolado e melancólico combina perfeitamente com sua história e mesmo se tratando de um jogo em pixel art, convence bastante e consegue entregar o peso que essa guerra teve na cidade e na vida dos personagens apresentados.

Uma jogabilidade interessante, mas com pouca inovação

Alma é uma androide extremamente habilidosa, sendo a única personagem capaz de conseguir enfrentar os guardiões dos fragmentos do cristal que possui a energia Anima. Para isso, ela luta com armas diversas que vão de armas brancas, como espadas e machados, até armas de longo alcance, como pistolas, rifles e lança granadas.

Seu comando é relativamente simples, usando o analógico para se movimentar, botão de esquiva, e um de ataque com a arma primária e outro com a arma secundária. Seus comandos são intuitivos e fáceis de se adaptar, a parte que dá um pouco mais de trabalho, a princípio, é acertar o timing de defesa que não só evita que tomemos dano, mas também expõe os inimigos a ataques críticos – o que se mostrará vital ao avançarmos no game.

Podemos achar, comprar ou produzir novas armas e cada um muda muda um pouco nosso estilo de jogo. Armas pesadas causam mais dano, mas são lentas e gastam mais energia o que impede uma sequência maior de ataques. Enquanto armas mais leves são rápidas, mas causam menos dano, focando o estilo mais em combos e esquivas. Também existem armas a distância, essas já explicam por si só, com elas podemos atacar a distâncias mais seguras e não só isso, elas também servirão para resolver alguns puzzles dentro do game.

Outra característica que Unsighted possui é um sistema de “chip”. Por sermos um androide, podemos equipar novos chips – achados, comprados ou produzidos – dentro de um grid simples mas limitado e que pode ser expandido utilizando umas estações espalhadas pelo mapa, que também servem como um checkpoint mas que fazem com que os inimigos “resetem” – semelhante ao bonfire de Dark Souls. Cada um desses chips, de acordo com o seu poder, ocupa um espaço maior ou menor e servem para melhorarmos habilidades, danos, pontos de vidas entre outros aspectos da jogabilidade.

Devido ao fim da energia Anima, também possuímos um tempo para concluirmos nossa missão principal, não só para a gente como para os outros androides, por mais incômodo que isso possa parecer, existe a opção de removermos esse timer, porém, ela tira totalmente a imersão do game baseado em sua história.

Unsighted possui um áudio que agrada e combina – Análise

Falando de sua trilha sonora, Unsighted conta com uma que agrada bastante e combina perfeitamente com o cenário que ele entrega. Entre músicas mais melancólicas e algumas mais agitadas, todas ficaram muito bem posicionadas com o momento que estamos dentro do jogo.

Além disso, apesar de ser um jogo relativamente simples, seus efeitos sonoros também ficaram muito bons e bem encaixados, seja o som dos ataques, das defesas e dos inimigos, todos são muito agradáveis e me surpreendeu positivamente, principalmente considerando que o game foi produzido por apenas duas desenvolvedoras.

Análise: Unsighted é uma proposta agradável para os fãs do gênero

Admito que não sou muito fã desse estilo de jogo, mas Unsighted conseguiu me agradar bastante. Sua história prende, não apenas na curiosidade do que aconteceu e do que vai acontecer com o mundo, mas também no medo real que seus personagens carismáticos nos trás ao seu possível fim. Somado a isso, temos um visual e uma trilha sonora que encaixa bem na proposta e faz com que entremos no clima que o game proporciona.

Embora sua jogabilidade não traga nada de surpreendente ou inovador, também não deixa a desejar, principalmente para quem gosta desse gênero. Enfim, Unsighted é uma obra muito boa que consegue cativar e se ainda considerarmos que foi feito por um estúdio com apenas duas desenvolvedoras, podemos considerar o game uma obra excelentemente bem executada.

Essa análise segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

Unsighted

Visual, ambientação e gráficos - 8
Jogabilidade - 7
Diversão - 7
Áudio e trilha-sonora - 8

7.5

Bom

Unsighted é uma obra muito boa que consegue cativar e se ainda considerarmos que foi feito por um estúdio com apenas duas desenvolvedoras, podemos considerar o game uma obra excelentemente bem executada.

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Guilherme Segal

Apaixonado por games desde o Atari. Curte tanto PC que possui quase 800 jogos na Steam. Mas ainda acha que os games de hoje em dia não possuem o mesmo charme dos antigos, motivo pelo qual ainda joga Heroes of Might and Magic 2 até hoje.
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