Análise: Jett The Far Shore não agradará a todos

Está disposto a explorar esse novo mundo?

Jett The Far Shore é um jogo que tem aparecido em diversas State of Play da Sony aguçando a curiosidade dos jogadores. Mas como nunca ficou claro do que se tratava, a dúvida sobre o que era sempre pairava pelo ar. Então confira aqui nossa análise de Jett The Far Shore onde iremos explicar do que se trata esse jogo e se ele é para você!

A análise de Jett The Far Shore foi possível graças a um código cedido pela produtora. Jett The Far Shore será lançado dia 05 de Outubro para PS5, PS4 e PC e não conta com legendas em PT-BR.

Jett The Far Shore e sua história que deixa a desejar

Antes de mais nada, é importante apontar que Jett The Far Shore não é um jogo convencional e flerta muito com a experiência do jogo e envolvimento com a exploração e descoberta que será feita ao longo da jornada.

Dito isto, você é Mei, uma piloto que foi selecionada para um missão espacial. Ela e outras pessoas selecionadas a dedo iniciam o jogo dando adeus ao mundo em que vivem e vão se aventurar em uma viagem de mil anos no espaço sob animação suspensa para chegar no que seria a terra prometida.

Ao chegar nesse mundo, você descobre que o motivo de terem ido para este local foi uma onda de rádio. Vou explicar. Anos atrás nessa cultura, um culto religioso foi iniciado se baseando na Hymwave, uma onda mística que se acreditava ter poderes especiais. Através de um profeta da época, toda a religião e documentação foi criada e juntamente com isso, deu-se início ao programa espacial para um dia chegar a esta misteriosa onda de “rádio”.

Embora a premissa seja interessante, o jogo peca muito no ritmo tanto dos personagens como na história. O primeiro grande problema é que ele inicia com um mundo e mitologia já muito bem estabelecido e falha em tornar isso interessante e atrativo para o jogador. Os personagens se comunicam com expressões e um dialeto completamente focado para essa religião que você nunca ouviu falar.

O segundo problema é que além de um ritmo lento, as interações com os personagens é feita de forma lenta e desinteressante, chegando muito perto de ser uma visual novel em diversos momentos. Adicionalmente, os desenvolvedores decidiram disponibilizar apenas a legenda em inglês sendo que a dublagem é em uma língua fictícia. Ou seja, em muitos momentos do jogo você é obrigado a focar na legenda para entender as interações e diálogos deixando o gameplay de lado.

Por mais que existam outros personagens e até uma mitologia em volta desses mundos e da misteriosa Hymwave, eu não me senti compelido a procurar saber mais das pessoas e da história.

Exploração com altos e baixos

Que nem falei no início dessa análise de Jett The Far Shore, a ideia do game acaba sendo focado mais na exploração do mundo e na contemplação do mesmo.

Como todos personagens estarão pela primeira vez nesse novo mundo, tudo é novidade. Por mais que já tenham lido e estudado suas inscrições religiosas, existe o impacto de ver o mundo e animais pela primeira vez. E até certo ponto o jogo acerta em cheio nisso. Existe uma boa variedade de ambientes como florestas, pântanos, montanhas, oceanos e muito mais. Inclusive existem os deuses desse mundo chamados de Kalos que são gigantescas feras que você terá que tomar cuidado ao lado delas.

O problema aqui fica na parte do gameplay que é 8 ou 80 e você já vai entender o que quero dizer. A jogabilidade se passa dentro de uma nave que plana pelo mundo. De forma resumida você pode planar rapidamente ou de forma muito lenta pelo mundo. Também é possível fazer um POP que é como se fosse um pulo que acaba soltando uma pequena onda envolta da nave. Por fim você conta com algumas ferramentas como um grapple para segurar coisas, um farol alto para iluminar o ambiente e um scanner para escanear as coisas.

O scanner de longe é seu melhor amigo. Ao escanear um determinado número de itens, plantas, animais ou pontos de interesse, você irá saber tudo sobre cada um deles. Com isso saberá se irá te atacar ou não, se irá explodir, se serve para atrair algum animal ou inimigo e mais.

Essa parte de escanear é interessante, pois ao saber as forças e fraquezas do mundo, você poderá lidar melhor com diversas situações, incluindo solução de puzzles para avançar no jogo. Infelizmente tenho que advertir que o controle da nave é estranho.

Acima mencionei que o gameplay é 8 ou 80 e com isso quero dizer a velocidade da nave. Não existe um controle da velocidade, apenas uma opção de lentidão e outra de velocidade. Em diversos momentos você terá que ser ágil em lugares apertados, mas acabará esbarrando em pedras, árvores e diversos obstáculos. Já em outros momentos, você será muito lento e irá demorar muito para concluir uma ação. Não existe um equilíbrio nesta parte.

Jett The Far Shore está cheio de boas ideias, mas a execução deixa a desejar diversas vezes por causa de uma falta de equilíbrio no gameplay. Aqui temos uma eterna dualidade entre algo muito divertido e muito tedioso.

Gráficos datados e excelente trilha sonora

Indo agora para uma parte mais técnica desta análise de Jett The Far Shore, vou falar dos gráficos e da trilha sonora. Começando pela trilha sonora, eu sou apenas elogios a ela. Possivelmente esse é o maior destaque em todo o jogo. Em diversos momentos de contemplação a trilha sonora dá vida ao mundo e a exploração.

Já falando dos gráficos, tenho elogios e ressalvas. Tanto a animação dos personagens como os personagens em si deixam muito a desejar. Parece que estou jogando algo entre PS1 e PS2. Tudo é feito com poucos detalhes e é extremamente simples.

Já o mundo é bem feito, por mais simples que seja. Não espere nada lindo, muito pelo contrário. Mas a direção de arte salva a experiência diversas vezes, em especial nos momentos em que pode sair da nave e pode observar este novo mundo. Um outro destaque vai para os momentos de velocidade onde acelera sua nave ao máximo e pode conferir os mundos ou então olhar as grandes construções e seres que pairam no mundo.

Conclusão

Jett The Far Shore tem muitas boas ideias, mas peca em diversos pontos da execução. Os pontos negativos não chegam a ser um problema tão ruim que até poderiam ser contornados com uma boa dose de boa vontade, porém, a história que poderia deixar o jogador curioso para saber o que esse mundo trará é de longe nada motivadora.

Muito infelizmente Jett The Far Shore é o tipo de jogo que comete muitos erros em diversos pontos e sua história pode não agradar muitos e isso fará com que o jogador não passe das primeiras horas do jogo.

Essa análise de Jett The Far Shore segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

Jett The Far Shore não é para qualquer um

Visual, ambientação e gráficos - 6
Jogabilidade - 5.5
Diversão - 5
Áudio e trilha-sonora - 8

6.1

Mediano

Jett The Far Shore está repleto de boas ideias, mas acaba errando mais do que acertanto. Com problemas de equilibrio no gameplay, assim como possuidor de uma história que não cativa tanto, Jett The Far Shore infelizmente deixa a desejar.

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Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.
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