Análise: Backbone é uma aventura linda, porém linear

Vivencie a jornada do detetive Howard para enfrentar um grande esquema mafioso

Backbone é a aposta da desenvolvedora independente Eggnut de estreiar no mercado de jogos, com o apoio da produtora Raw Fury. O jogo promete entregar uma aventura Noir de investigação que se passa em uma Vancouver populada por animais antropomórficos.

O game já recebeu prêmios por conta de seu estilo artístico fenomenal, e após cinco meses estando disponível apenas para os computadores com Windows, o mesmo chegou aos consoles e outras lojas digitais do PC. Contando com cerca de cinco horas de jogabilidade e com um prólogo disponível nas lojas digitais, o game promete apresentar uma narrativa cheia de mistérios e crimes que farão os jogadores ficarem curiosos pelo mundo fantasioso.

A análise de Backbone foi realizada no PC (via Steam) graças a um código cedido pela produtora Raw Fury, a qual agradecemos a confiança e parceria. Backbone está legendado e localizado para Português brasileiro (PT-BR).

Um novo dia, um novo caso

A história de Backbone inicia como uma análise trivial de uma narrativa de detetives. O protagonista Howard Lotor, um investigador guaxinim, se vê repleto de frustrações, vivendo em um minúsculo apartamento e sempre trabalhando em casos pouco inspiradores. Com a maior parte de investigações acerca de traições, o mesmo aceita uma nova cliente lontra que afirma possuir dúvidas em relação à fidelidade de seu esposo. Howard decide aceitar o pedido por conta do dinheiro, mas conforme progride nas buscas, acaba entrando em um mistério de proporções inimagináveis.

Análise Backbone

E combinando com esta atmosfera misteriosa, o jogo conta com belas paisagens e uma arte pixelada incrível, que deixa evidente o cuidado com os detalhes empregado pela equipe assim como faz jus aos prêmios relacionados à estética que o mesmo recebeu (e ainda vai receber, com toda certeza). As cidades são vivas e a iluminação é feita com cuidado para remeter um tom cartunesco, mas realista. A trilha sonora acompanha a ambientação Noir com faixas de jazz, dando luz àquele sentimento de filmes clássicos investigativos que todos amamos.

A jogabilidade do game é bastante simplista, recorrendo a uma movimentação 2D, grande quantidade de diálogos e alguns desafios para tornar o jogo mais dinâmico, porém nada fora do convencional. Os jogadores devem interagir com os personagens a fim de avançar nos objetivos do jogo, como infiltrar-se em locais e persuadir outros habitantes para continuar com a narrativa. Este é o grande foco do game, considerando que o mesmo busca agraciar os jogadores com belos cenários, assim como apresentar uma história envolvente e bastante curiosa.

Elementar, meu caro Howard

Conforme o jogador avança na narrativa são apresentados diversos personagens que auxiliam o protagonista a desvendar mais e mais do esquema mafioso relacionado a seu caso inicial de adultério. O jogo apresenta elementos variados e que surpreendem os jogadores a cada novo capítulo da história, com um falso sentimento de escolha entre cada interação de Howard com outros personagens. No entanto, o jogo possui uma história extremamente linear que desencadeará sempre no mesmo final.

E inclusive o final deve surpreender os jogadores de uma maneira bastante inesperada, trazendo uma reviravolta que descarta detalhes construídos pela progressão da narrativa e inclusive deixando diversas pontas em aberto, causando um sentimento agridoce em sua conclusão. Detalhes como este, além da inexistência de finais alternativos e pouca a nenhuma possibilidade de alterar os destinos do game devem tirar o jogo da lista de melhor do ano, o que é uma pena, considerando o enorme potencial que a obra apresenta.

Mas vale ressaltar que, nessas horas nas quais podemos vivenciar as aventuras de Howard, é interessantíssimo ver como o protagonista recebeu uma personalidade condizente e auto-consciente, como se o mesmo soubesse que não é mais que um grande clichê. Sofrendo de grandes preconceitos por conta de sua raça e em um momento acomodado de sua vida, o protagonista teme os destinos que a jornada está o levando, porém aceita o desafio a fim de viver algo emocionante. Essa humanidade gera uma conexão ainda maior com o personagem, que nos leva a querer continuar com a história e ajudá-lo a se sentir realizado com suas conquistas.

Múltiplas escolhas, um resultado

Nessas quatro a cinco horas de nossa análise de Backbone experenciei uma aventura bastante familiar, porém que entretém e apresenta uma narrativa bonita e instigante em uma Vancouver distópica. O maior problema é que o jogo, que custa pouco mais de 47 reais na Steam, não possui conteúdo o suficiente que justifique um fator replay. Com uma narrativa extremamente linear, um final que não deve agradar a todos e uma jogabilidade simplista, o mesmo deve ser atrativo a jogadores em busca de jogos com uma atmosfera interessante e uma narrativa fora do convencional.

Afinal, os grandes destaques do game se encontram nos belos cenários, trilha e efeitos sonoros polidos e uma história envolvente, apesar de curta, que ainda assim acaba deixando diversas pontas soltas após sua conclusão. Vale ressaltar que o jogo encontra-se em português do Brasil, aumentando o alcance dos jogadores para que compreendam todos os diálogos e interações presentes no game.

Análise Backbone

A análise de Backbone segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

Backbone

Visual, ambientação e gráficos - 8.5
Jogabilidade - 6
Diversão - 5.5
Áudio e trilha-sonora - 8
Narrativa - 6

6.8

Razoável

Backbone entrega uma jogabilidade simplista e uma narrativa extremamente linear e curta, cheia de detalhes pouco aprofundados, porém com uma arte e trilha sonora lindos que evidenciam o potencial perdido do jogo.

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Nicolas Togashi

Graduado em desenvolvimento de jogos e aficionado por essa mídia, perde mais tempo jogando do que efetivamente utilizando a graduação para alguma coisa. Ama RPGs, e se esforça para ser um bom aliado nos jogos online.
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