Análise: Pokémon Brilliant Diamond & Shining Pearl

Prepare-se para reviver as aventuras em Sinnoh!

Pokémon Diamond e Pearl comemoraram 15 anos de lançamento em 2021 e, para celebrar a data, a Nintendo anunciou que os tão esperados remakes estariam vindo para o Nintendo Switch. Para a surpresa dos fãs, no entanto, as novas versões dos clássicos seguiram uma direção mais convencional em relação à série. A linha de remakes, que nos jogos anteriores buscava adicionar novos recursos e mecânicas da geração atual dos games, recebeu uma repaginada Chibi e com jogabilidade e câmera fortemente inspiradas nos originais.

Isso foi uma decisão arriscada da Pokémon Company, apostando na nostalgia para capturar os fãs de mais de uma década atrás, mas também trazendo uma repaginada visual que se mantém fiel e comunica diretamente aos jogos antigos, além de diversas melhorias de jogabilidade que prometem apresentar a região de maneira mais suave e recompensadora.

A análise de Pokémon Brilliant Diamond e Shining Pearl foi realizada no Nintendo Switch graças a um código cedido pela Nintendo, a qual agradecemos a confiança e parceria.

E lá vamos nós outra vez

A aventura em Sinnoh inicia de maneira previsível, assim como nos jogos das três gerações anteriores. O jogador acorda em seu quarto, desce as escadas para conversar com sua mãe, e a partir daí a jornada deslancha, passando por um professor, um rival e escolhendo seu inicial preferido. Todas essas etapas seguem fielmente os games originais, porém, adicionam belos gráficos que, apesar de trazerem essa estética chibi, revitalizam a experiência clássica. Inclusive é possível ver um claro destaque nas reflexões como nos pisos de diversos lugares, batalhas e até mesmo na água.

Mas apesar de manterem a aparência e jogabilidade de seus antecessores, os desenvolvedores da ILCA adicionaram algumas das melhorias presentes nas iterações mais recentes da série, como a divisão de experiência dentre o time completo e a remoção da necessidade de possuir os HMs ensinados a um dos Pokémon de sua equipe. Vale ressaltar que estas são mudanças que influenciam bastante na progressão e no desenvolvimento do jogo, e que permitem que os jogadores tenham maior liberdade em montar suas equipes e evoluí-las de maneira uniforme.

O grande risco corrido pela desenvolvedora se encontra na fortíssima familiaridade dos jogadores com a narrativa e a ambientação do game. Considerando que as novidades são efetivamente melhorias em sistemas básicos do jogo, ou a adição de uma simples customização de personagem, o sentimento de exploração e mistério se esvaem para os jogadores que retornam a esta região. E visto que o jogo já possui 15 anos de idade, a jogabilidade e narrativa não justificam a escolha do game se comparado as iterações mais recentes da série.

Entre razões e emoções

Como mencionado no parágrafo anterior, Pokémon Brilliant Diamond e Shining Pearl encontra-se em uma posição bastante confusa se colocado em análise com os jogos anteriores. Os remakes de Hoenn contaram com novas histórias secundárias, novas formas de monstrinhos e diversas mecânicas que refrescam a série. Pokémon Let’s Go reviveu o sentimento nostálgico de Kanto, porém mexendo totalmente com a forma de captura de monstros e trazendo gráficos em alta definição, customização e apresentando primorosamente a região a uma nova geração de jogadores. Sword & Shield, por sua vez, arriscou com novas maneiras de batalhar, áreas de jogabilidade mais fluida e com a possibilidade de ver os Pokémon existindo em seus habitats naturais.

Considerando as evoluções gráficas e de jogabilidade presentes nos últimos capítulos da série, não era de se esperar que os remakes de Sinnoh seguissem caminhos diferentes, utilizando das regiões que tanto amamos e adicionando mais conteúdo e profundidade a elas a fim de apresentarem evoluções desses locais. Seja por conta do lançamento de Legends: Arceus ou considerando que a desenvolvedora não tenha sido a própria GameFreak, fica evidente que o fator risco não entrou na equação para estes jogos.

Mas nem tudo está perdido

Apesar de trazerem a experiência clássica dos games de Nintendo DS, a ILCA mexeu em alguns dos sistemas secundários do game, repaginando tanto visualmente quanto na jogabilidade de Contests e do Grand Underground. A variedade de monstrinhos disponíveis, tanto lendários quanto comuns, ainda se baseia na versão do jogo, então escolha bem quais seus preferidos antes de pegar uma cópia.

Em relação aos Contests, um dos principais minigames dos jogos originais, os mesmos sofreram um remake total para se tornarem mais ágeis e aproveitáveis em pequenas doses. Enquanto nos games originais era necessário adicionar acessórios aos seus Pokémon a fim de torná-los mais adequados para a categoria selecionada, agora existe apenas a possibilidade de customizar a Pokébola, funcionalidade já existente nos jogos antigos, porém que agora recebeu maior liberdade de customização. Os jogadores podem adquirir novas figurinhas assim como obtê-las de outros treinadores e, com base na organização das mesmas, contam pontos para a avaliação dos jurados.

Além da Pokébola, os jogadores devem jogar um minigame rítmico com a possibilidade de utilizar um dos ataques do Pokémon a fim de interferir na pontuação dos oponentes. Após a música acabar, são concedidas as notas e o jogador com melhor avaliação recebe a premiação, que gira em torno de novas figurinhas. Vale lembrar que estas figurinhas geram efeitos no momento que os Pokémon entram em campo, adicionando um charme a mais nas batalhas.

Escavando diamantes e pérolas

Outra das maiores novidades desta edição dos games se encontra no Grand Underground. A possibilidade de escavar o subterrâneo de Sinnoh foi aprimorada tanto na edição de bases secretas quanto na adição de novas áreas que prometem dar maior substância à funcionalidade. Além do minigame clássico de mineração, presente nos jogos originais e que permanece intacto, agora os jogadores podem coletar estátuas de Pokémon que irão alterar os monstros disponíveis nas novas áreas subterrâneas.

Chamados “Esconderijos Pokémon”, os jogadores podem entrar em seções que intersectam os labirintos do Grand Underground. Dentro de cada um desses esconderijos habitam diversas espécies de monstrinhos que não são comuns em rotas normais do jogo. Assim como em Wild Areas de Sword & Shield, os monstros que vivem ali são visíveis sem a necessidade de entrar em batalhas, dando mais vida aos locais e facilitando a visualização dos monstros pelos jogadores. Além disso, ao inserir as estátuas escavadas em suas bases subterrâneas, os jogadores podem alterar os tipos de Pokémon que irão surgir nestas áreas.

No princípio criou Arceus o céu e a terra

Pokémon Brilliant Diamond & Shining Pearl são bons jogos, porém o legado da franquia os deixam em um lugar difícil de análise. Revendo jogos anteriores, e a existência de um novo game extremamente promissor da série poucos meses após seu lançamento, fica evidente que todo o foco na região foi dedicado ao Legends: Arceus, com a difícil tarefa da nova desenvolvedora ILCA de refazer os games clássicos e tentar torná-los atrativos por meio de belos gráficos e muita nostalgia.

Infelizmente, neste caso o game foi um tiro no pé da Pokémon Company, entregando uma jogabilidade enferrujada e não tão atrativa quanto era em consoles mais simples e há mais de uma década atrás. Os visuais Chibi são características arriscadas que não devem agradar a todos os jogadores, porém as animações modernas e visuais repaginados para os cenários e batalhas são extremamente bem-vindos (apesar de esperados) para as novas versões e destacam os ambientes únicos de Sinnoh.

Por conta disso tudo, fica difícil recomendar tanto a jogadores experientes quanto a novatos que invistam nestas versões de Diamond & Pearl considerando que as novidades, sendo elas o Grand Underground, Contests, Lendários e ajustes na jogabilidade, sejam pequenas em relação ao escopo do game. Isso visto que os jogos originais, e principalmente Pokémon Platinum, continuam morando nos corações de diversos fãs da série.

Análise Pokémon Diamond Pearl

A análise de Pokémon Brilliant Diamond e Shining Pearl segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

Pokémon Brilliant Diamond & Shining Pearl

Visual, ambientação e gráficos - 8
Jogabilidade - 7.5
Diversão - 7
Áudio e trilha-sonora - 8
Inovação - 4

6.9

Razoável

Os remakes de Sinnoh vinham chamando bastante atenção por conta de seus visuais desde o anúncio, e infelizmente o caminho pelo qual os desenvolvedores seguiram não impressiona e nem adiciona nada substancial à fórmula.

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Nicolas Togashi

Graduado em desenvolvimento de jogos e aficionado por essa mídia, perde mais tempo jogando do que efetivamente utilizando a graduação para alguma coisa. Ama RPGs, e se esforça para ser um bom aliado nos jogos online.
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