Análise: Nobody Saves the World

Esse merece sua atenção...

Antes de começarmos a análise de Nobody Saves the World, precisamos falar da DrinkBox Studios. A Drinkbox Studios é uma desenvolvedora canadense fundada em abril de 2008 por três programadores anteriormente empregados pela Pseudo Interactive. Os caras são responsáveis pela conhecida franquia Guacamelee! e Severed, este último foi um sucesso no Switch e iOS.

Desde o primeiro Guacamelee! espero ansioso pelo próximo título que as talentosas mentes da DrinkBox irão lançar e não foi diferente aqui. Nobody Saves the World me pegou de primeira pela sua arte e por ser um Action RPG que lembra muitos jogos de sucesso.

A análise de Nobody Saves the World foi possível graças a um código cedido pela distribuidora, a qual agradecemos a oportunidade e confiança. O jogo está completamente e MUITO bem localizado para PT-BR.

Um belo mundo colorido e com elementos conhecidos

A primeira coisa que me chamou atenção em Nobody Saves the World foi sua primeira cena. Você acorda em sua casa, sem se lembrar de nada até ali, e o jogo começa. Exatamente como os jogos mais clássicos de The Legend of Zelda. Sim, eu sei que isso não é algo inesperado para um Action RPG, isométrico e, ainda por cima, dungeon crawler. Mas a beleza está sempre nos detalhes e temos um prato cheio aqui.

Você poderá falar com os habitantes, entrar nas casas e (lógico) quebrar alguns dos móveis e cortar as gramas pela cidade e dos quintais dos vizinhos atrás de dinheiro ou qualquer outra coisa que você possa achar.

Não demora você será introduzido a história do jogo onde um grande mago está sumido enquanto a calamidade tenta tomar conta do mundo. E cabe a você, Nobody (o Zé ninguém), tentar salvar o mundo e toda a população que conta com você para tal.

Mecânicas, Jogabilidade e elementos de RPG

Logo no início do jogo você encontrará uma varinha que dará a Nobody o poder de se transformar em outras “coisas”. Imagine de um tudo aqui: Rato, Sereia, Lesma, Fantasma, Cavaleiro e etc… Não falarei todos porque acho interessante você ir descobrindo qual o próximo e que tipo de habilidades ele irá trazer consigo. A partir do momento que você abrir uma nova opção de transformação, ela já poderá ser usada diretamente da sua roda de opções.

Uma coisa legal que traz um aspecto de Metroid BEM de leve para o jogo é que existem lugares que você só poderá alcançar com uma forma específica. Como o rato acessando lugares estreitos ou a sereia e sua habilidade natural de nadar.

Cada uma dessas entidades terá seu próprio leque de desafios. Pense aqui em coisas como: Matar tantos inimigos com um certo poder, com um certo status negativo, acertar mais de um inimigo em um só golpe e por aí vai. Quando os desafios são concluídos, isso irá gerar experiência para aquele personagem e também para o seu level geral.

Habilidades e customização

Passar de nível de transformação irá abrir mais habilidades ativas e passivas de cada um. Passando de nível geral, você aumenta os atributos de Nobody como um todo, sua vida, seu dano e etc.

Além disso, tanto o seu ataque quanto o ataque dos inimigos podem ser de diferentes tipos, como ataques de trevas, luz ou cortantes. Se um inimigo estiver com uma proteção com o símbolo de certo ataque em cima de sua vida, significa que para infligir dano você precisa primeiro quebrar esse escudo com um ataque daquele tipo. Isso faz com que você troque de personagens a todo momento para sair de cada uma das situações que o jogo te coloca.

Após um certo período de tempo do jogo, mas ainda bem no início de sua aventura, você receberá a opção de misturar as habilidades passivas e ativas de cada uma das formas. Ou seja, você poderá colocar o rastro da lesma no rato, ou a sereia para dar o pisão do cavaleiro, por exemplo. São mais de 80 variáveis para você criar a forma que combina mais com seu estilo e que esteja pronta para qualquer combate.

Missões, Trilha-sonora e muito humor

Os combates são sempre em um estilo dungeon crawler contínuo onde você deve derrotar todos os inimigos de uma área para poder prosseguir, achar chaves e até mesmo salvar alguns personagens. Não importa se você está numa missão primária ou se achou uma caverna no meio do nada e decidiu se aventurar. A dinâmica será a mesma na maior parte do jogo.

Em Nobody Saves the World você terá sua missão principal (não é matar o Ganon) mas também poderá aceitar novas missões em suas conversas pelas cidades e tabernas. As missões secundárias são simples porém interessantes pelas situações, “enigmas” e as conversas bem humoradas que elas trazem.

Falando em humor, temos aqui o ponto alto do jogo. Se existe uma motivação para você seguir e querer encontrar novos NPCs, ela está nas conversas e situações que o jogo que te coloca. Eu não vou contar nenhuma aqui porque sou defensor da experiência livre de cada um em jogos desse estilo. Mas posso dizer que a galera responsável pela localização está de parabéns!

(Obs: Eu não sei se eu estou certo ou errado, mas o estilo de humor do jogo me lembrou muito DeathSpank, um Action RPG que saiu para PS3, Xbox e PC. Se você achar o mesmo conta pra gente aí nos comentários!)

A trilha-sonora tem como responsável Jim Guthrie, que também trabalhou em Below. E aqui tudo se encaixa perfeitamente. Jim é um verdadeiro gênio e eu espero, de verdade, que ele possa trabalhar em ainda mais jogos no futuro. A trilha estará sendo vendida na Steam como um conteúdo adicional para o jogo base.

Conclusão

Chegando a conclusão da análise de Nobody Saves the World, podemos dizer que temos aqui mais um excelente título da DrinkBox Studios. Brincar com um Action RPG isométrico me deixou empolgado para o que a empresa pensa para o futuro em outros jogos e até mesmo para esse. O mundo de Nobody Saves the World tem um potencial incrível e em meio a tantas loucuras e opções deixadas em aberto, tudo pode acontecer. Até mesmo uma sequência ou pelo menos mais conteúdo.

O jogo possui um combate interessante, que faz você sair do seu conforto em busca dos desafios e da combinação perfeita de ataques e habilidades. Além disso temos o New Game+ como fator replay trazendo inimigos mais difíceis e situações mais tensas para aqueles que já estão mestres na mecânica do jogo.

Para fechar o combo, temos ainda uma trilha-sonora que acompanha muito bem as situações mostradas na tela e ainda uma localização em português que deixa o humor assertivo do jogo acessível para todos.

Essa análise segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

Nobody Saves the World

Visual, ambientação e gráficos - 9.5
Jogabilidade - 8.5
Diversão - 8.5
Áudio e trilha-sonora - 9.5

9

Excelente

Nobody Saves the World é indicado para todos que curtem jogos indie, bem humorados, dungeon crawlers e para aqueles que estão sempre procurando mais jogos desse estilo que não sejam roguelike (ta cada vez mais raro).

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Bruno Degering

Gamer há tanto tempo que usa consoles como referência cronológica para lembranças de sua vida. Amante de Mega Man, Resident Evil e Warcraft. Se gaba por ter zerado Battletoads aos 9 anos mas abandonou Bloodborne com 26.
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