Análise: Uncharted – Coleção Legado dos Ladrões

Nathan Drake nunca esteve tão bonito...

Faz algum tempo que não temos um novo Uncharted, para ser mais preciso, o último título foi lançado em 2017. Nessa análise de Uncharted: Coleção Legado dos Ladrões vamos mostrar justamente os dois últimos jogos da série até aqui, lançados para PS4 e agora remasterizados e atualizados para o que o Playstation 5 tem a oferecer em novas tecnologias.

Será que vale a pena para quem já jogou? Será que adiciona muito para quem não jogou? Confira a seguir em nossa análise de Uncharted: Coleção Legado dos Ladrões.

Essa análise foi possível graças a um código antecipado cedido pela Sony Playstation, a qual agradecemos a parceria e oportunidade.

Por que Uncharted 4 e The Lost Legacy?

Uncharted é uma franquia de ação-aventura produzida pela Naughty Dog e que foi publicada pela Sony Computer Entertainment para as plataformas PlayStation. A série segue as aventuras de Nathan “Nate” Drake, um caçador de tesouros (como Lara Croft ou Indiana Jones) que é apaixonado por adrenalina e pela história. Os jogos contam com um ótimo mix de desafios de escalada verticais e horizontais, quebra cabeças, muita ação e muito tiroteio. Você se sente na pele do protagonista a todo momento e compra sua ambição em poucos minutos de jogo.

Por um tempo durante minha vida eu parei de acompanhar as novidades dos jogos, focado em outras coisas. Foi na casa de um de meus amigos que vi Uncharted pela primeira vez no Playstation 3 e fiquei impressionado com tudo que eu estava vendo. Os gráficos, preocupações com o ambiente e até mesmo o fato da calça do personagem só molhar até onde você entrou na água. Uncharted tem um significado muito especial para mim como gamer e agora como editor e por isso serei o mais sincero possível e minhas ponderações nessa análise.

Quem acompanha a série de perto desde o início tem fácil essa resposta. Uncharted 4 e The Lost Legacy, apesar de terem sido lançados já para o PS4, eram os únicos que não tinham uma atualização nem uma remasterização feita. Os três primeiros jogos fazem parte da The Nathan Drake Collection lançada em 2015, que serviu de porta de entrada para quem não conhecia os jogos e queria ir para o quarto jogo.

A franquia Uncharted sempre carrega em seus títulos tudo que há de mais novo e oferecido pelos consoles da Playstation. Aqui não temos nada diferente disso. Os jogos, mesmo que muito belos em suas versões originais, aqui estão ainda mais impressionantes e com novas opções de performance que serão faladas mais a frente.

Uncharted 4: A Thief’s End

Uncharted 4 vem com o intuito de quase dar um final a série a ao personagem Nathan Drake. Tudo foi muito bem construído para contar uma história com passado, presente e futuro do protagonista e de seu círculo de amigos e inimigos.

Uncharted 4 começa com um Nathan Drake mais velho. Depois de anos de caça ao tesouro, Drake se estabeleceu com Elena e encontrou uma vida confortável, mas com muito pouca emoção. No entanto, quando o irmão de Nathan – Sam Drake – aparece, o qual ele pensou estar morto todos esses anos, Nathan se vê puxado (e empurrado) de volta para a vida que não queria mais seguir.

Uncharted 4 oferecia na época alguns dos personagens mais foto realistas já vistos em um jogo. Uncharted nunca tinha sido um jogo com foco no peso emocional. Mas aqui vimos uma transição para algo mais pessoal e emotivo. Dando as devidas proporções, era algo mais perto do que vemos hoje em The Last of Us 2.

Essa mesma atenção aos detalhes se estende aos ambientes do jogo, que são impressionantes. Não importa se Nate esteja em uma densa cidade urbana italiana ou em uma ilha na selva na costa de Madagascar, a vida vale a pena. O fato de a Naughty Dog poder passar horas em um ambiente de selva ou tropical e ainda fazer com que todos os cantos pareçam novos é uma grande prova do design pensado para o título. Cada centímetro do jogo é embalado com uma quantidade impressionante de detalhes. Até coisas simples como plantas, lama e água se destacam nas mãos dos desenvolvedores de Uncharted 4.

Uncharted 4 é um jogo quase perfeito com muita ação, exploração e principalmente momentos cinematográficos. Se alguém ainda acreditava que um filme não iria cair bem na franquia, no quarto jogo essa dúvida acabou.

É importante dizer que o modo multiplayer online presente na versão original dos jogos não está presente em Uncharted: Coleção Legado dos Ladrões.

Uncharted: The Lost Legacy

Uncharted: The Lost Legacy foi o último título lançado da série e nos coloca em mais uma aventura épica, desta vez liderados por Nadine e Chloe, ao invés de Nathan Drake. Por ser tratado como um jogo completo, The Lost Legacy chega como um spin-off da série, mantendo todos os atributos que vimos em Uncharted 4, com gráficos e narrativas dignas de prêmios em seu lançamento.

Em Uncharted: The Lost Legacy, somos levados à Índia para procurar uma relíquia chamada Presa de Ganesha, fazendo referência a presa da deusa Ganesha, que tinha características de um elefante. No meio desta aventura, vamos descobrir sobre o reino perdido de Hoysala, que existiu entre o século 10 até o século 14. Se prepare para visuais absurdamente lindos e aprenda muito sobre Ganesha, Shiva e Parvati.

A Sony investiu muito no marketing de Uncharted: The Lost Legacy, mostrando sua história e gráficos, mas talvez o ponto mais emblemático do jogo seja o fato de que este é o maior mapa que a série já viu. Após o rápido e explosivo início do jogo, onde Chloe e Nadine roubam Asav e depois correm para se salvarem, você deverá explorar uma densa e linda floresta.

Apesar do grande mapa e da mudança em seu ritmo (tendo um hub central de missões) The Lost Legacy é um jogo mais curto mas ideal para quem quer mais foco no gameplay, mais opção de batalhas Stealth e até uma protagonista feminina depois de tantos jogos.

Novidades de Uncharted: Coleção Legado dos Ladrões

A grande sacada da nova coleção é sua atualização para o Playstation 5, não é mesmo? Aqui posso dizer que o trabalho foi feito dentro do esperado. Os jogos estão ainda mais bonitos e mais impactantes. Claro que o fato de eles já serem um ponto fora da curva do Playstation 4 ajuda, mas o maior ganho nessas versões melhoradas são na performance sem perder qualidade. A resolução dinâmica é algo que veio para ficar e o Legado dos Ladrões vêm para colocar mais uma força em cima desse fato.

Os títulos contam com as mesma adições:

  • DualSense: A resposta tátil está presente durante as brigas, os saltos e enquanto dirige o veículo do jogo. Além disso, temos os gatilhos adaptáveis dinâmicos para cada arma e até mesmo se balançando em cordas. 
  • Carregamento rápido: Uma dos grandes diferenciais da geração não estaria de fora aqui. Downloads rápidos e uma história sem interrupções.
  • Áudio em 3D: Ouça o mundo de UNCHARTED: Coleção Legado dos Ladrões ganha ainda mais vida com a adição do áudio 3D. A tecnologia traz uma sensação espacial muito eficiente para ouvir inimigos, tiros e até mesmo ecos.

Opções de desempenho na tela

  • Modo Fidelidade: O modo conta com resolução 4K nativa, com altíssima nitidez que oferece uma taxa de quadros de até 30 fps. Apesar de ser sim muito lindo e cheio de detalhes. Eu não consigo entender como alguém escolheria resolução no lugar de desempenho.
  • Modo Desempenho: Aqui temos a resolução dinâmica e o foco nos 60fps (o mínimo que deveríamos exigir hoje em dia).
  • Modo Desempenho+: Neste modo temos o foco nos 120 fps e para isso a resolução é sacrificada para os 1.080 pixels, o FullHD.

Eu passei quase o tempo inteiro jogando no modo desempenho, focado nos 60 fps. Tudo aqui funciona perfeitamente, ainda temos um belo trabalho de resolução dinâmica sem perder nenhum movimento na tela, mesmo nos momentos mais intensos.

Os 120fps, apesar de impressionantes ao jogar, sacrificava demais os detalhes para a minha tela 4K e por isso me mantive no modo anterior. Mas recomendo esse modo para quem está atrás dos desafios e talvez alguns troféus do jogo. Esse modo faria muito mais sentido se tivéssemos aqui um modo multiplayer como no jogo clássico. Uma oportunidade que foi deixada de lado.

Conclusão

Durante meu tempo na análise de Uncharted: Coleção Legado dos Ladrões tive um mix de sentimentos – todos positivos de alguma forma. Senti vontade de zerar os jogos novamente, por mais que eu já os conhecesse, e também senti muita vontade de ver algo novo para a franquia, usando todo o poder da atual geração. Os jogos continuam muito impressionantes visualmente, os novos modos de desempenho, resposta tátil e gatilhos do Dualsense trazem uma novidade para a jogabilidade e o carregamento rápido vem para fechar a remasterização.

Como todo remaster, aqui temos a versão definitiva para aqueles que nunca jogaram os jogos da coleção. Não pense duas vezes se você nunca terminou os jogos. Você pode importar seu jogo salvo se só começou no Playstation 4. Mas para que, não é mesmo? Se for para curtir as melhorias, faça isso desde o início. Um dos pontos mais altos da franquia são as missões iniciais, afinal.

Se você já é um fã e zerou os jogos algumas vezes, lembra de tudo e o apelo visual/fotográfico não irá te encher os olhos. Talvez essa coleção não seja pra você. Mas um dia ela vai entrar em promoção e pode ser algo interessante para ser revisitado.

A Naughty Dog criou uma franquia de muito peso ao longo dos anos e eu espero de coração que o filme de Uncharted seja um sucesso para vermos ainda mais desse universo em um futuro próximo.

Uncharted: Coleção Legado dos Ladrões pode ser adquirido de maneira digital na loja oficial do Playstation.

Essa análise de Uncharted: Coleção Legado dos Ladrões segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

Uncharted: Coleção Legado dos Ladrões

Visual, ambientação e gráficos - 10
Jogabilidade - 10
Diversão - 8
Áudio e trilha-sonora - 9

9.3

Excelente

Legado dos Ladrões vem para adicionar elementos da nova geração para dois excelentes jogos da franquia Uncharted. O único ponto negativo fica por conta da falta do Multiplayer e de novidades no conteúdo. A Coleção é indicada para aqueles que não tiveram a oportunidade de jogá-los no passado e para aqueles que simplesmente não se cansam de bons jogos.

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Bruno Degering

Gamer há tanto tempo que usa consoles como referência cronológica para lembranças de sua vida. Amante de Mega Man, Resident Evil e Warcraft. Se gaba por ter zerado Battletoads aos 9 anos mas abandonou Bloodborne com 26.
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