Análise: The House of the Dead Remake no Switch

Com o anúncio de The House of the Dead para Switch, meus primeiros sentimentos foram de curiosidade e nostalgia. Eu não consigo calcular o quanto gastei nos fliperamas de shoppings sempre que um arcade do jogo estava disponível – não só esse, mas Virtual Cop, Time Crisis entre outros – Light guns sempre me chamaram atenção. Com esse sentimento fui com tudo para a análise de The House of the Dead – mas será que fui correspondido?

Nunca tive muitos desses acessórios em consoles por conta de seu investimento alto para uma biblioteca pequena de jogos compatíveis com essa tecnologia. Então ter algo assim, em consoles como o Switch e Wii onde você só precisa do básico, empolga sempre que aparecem.

Essa análise foi possível graças a um código cedido pela Forever Entertainment a qual agradecemos a parceria e confiança.

História e modos de jogo

Nossa história começa quando os agentes especiais Thomas Rogan e G vão em busca do Dr. Curien, o clássico cientista bolado com a humanidade que tentará encher o planeta com todos os tipos de seres bizarros. Os agentes vão até a mansão do cientista para impedir seus planos, e então percebem que o local está cheio de zumbis e também outros seres bizarros. Aqui seu objetivo é simplesmente atirar em tudo que se move para salvar o dia e derrotar Curien.

Como esperado de um remake de arcade, aqui a história não é o ponto principal e nem tenta ser. Temos apenas cenas para te levar de um cenário para o outro – o que funciona muito bem e nem valeria pena deixar algo realmente profundo se sua interação com o jogo é apenas atirar e atirar (não q isso seja ruim, deixando claro…).

Existem 2 modos de jogo disponíveis: O primeiro é o original, onde você avança por diferentes locais enquanto se preocupa apenas em atirar até zerar o jogo. O segundo é o modo Horda, que é praticamente a mesma dinâmica, mas com mais inimigos e humanos para salvar. Em ambos você pode escolher a dificuldade, que é equivalente à quantidade de dano que você recebe e à agressividade dos inimigos. Você também tem opção de alterar o formato de pontuação e também poderá escolher se deseja jogar com o agente G ou com Thomas Rogan, uma mudança que não muda em nada o andamento do jogo. Além disso, você também terá a opção de jogar com um amigo ou no modo solo.

Gráficos e áudio

Durante meu período na análise de The House of the Dead Remake, o que me chamou a atenção de cara foi a escolha de texturas e resolução para o jogo. Sabe aquela sensação instantânea de que dava pra ser melhor? Então… ela te pega do inicio ao fim. Apesar de ser um remake, a versão já parece datada em seu lançamento. Não que o anterior fosse lindo e com gráficos estonteantes, mas diante da qualidade de jogos indies que temos hoje, fica um sentimento de que uma oportunidade foi perdida.

Já o áudio é um dos pontos altos do jogo. A trilha-sonora vai muito para o lado dos filmes B de terror (o que eu gosto muito) e as dublagens exageradas dão todo um charme impulsionando o sentimento de nostalgia. Só isso seria o suficiente pra fazer você empolgar e começar a atirar, se não fossem os problemas para tal…

Ah! e logo no início do jogo você deverá escolher o modo performance ou não. Não pense duas vezes… os travamentos e falhas no som que encontrei sem estar no modo performance simplesmente não compensam o pouco ganho de resolução.

Controle de mira e jogabilidade

Quem conhece o jogo e já experimentou uma Light gun em arcade ou outro console, é natural tentar replicar esse sentimento com os Joy-Cons. Mas aqui, o resultado foi abaixo do esperado. O controle do Nintendo Switch funciona usando o giroscópio, ou seja, não há necessidade de apontá-lo para um monitor ou sensor para detectá-lo. Com isso perdemos algo importante para o jogo, a precisão. É muito mais difícil colocar a mira exatamente onde você quer para salvar um sobrevivente ou atirar em um inimigo distante. O giroscópio parece não lidar bem também com movimentos bruscos/rápidos, sua mão pode estar apontando para o lugar certo mas sua mira estará fora de compasso.

Para tentar compensar isso, há várias configurações de sensibilidade no menu de opções e você pode encontrar um setup que chegue perto de ficar confortável. Fazer essa configuração demora e testes precisam ser feitos. Ou seja, acaba com o sentimento de um jogo arcade onde qualquer um pega um controle começa a se divertir.

Para aqueles que desistirem e só quiserem ver monstros e brilhos na tela, o jogo também dá a opção de mira assistida e recarregamento automático e aí sim, tudo vira um passeio no parque.

Há também a possibilidade de jogar usando o analógico para mirar e atirar, isso funciona, mas nem de longe é o mais divertido e requer alguma habilidade do jogador em dificuldade maiores. Mas quem não tinha as pistolas na época do Dreamcast, com certeza já zerou muitos jogos dessa maneira.

Para o fator replay o jogo realmente se esforça e acerta nas escolhas básicas, como: Caminhos alternativos, conquistas e galeria de inimigos derrotados. Para aqueles que decidirem se masterizar na mira e comandos do Switch, tenho certeza que o jogo irá brilhar um pouco mais.

Conclusão

Um dos maiores trunfos de The House of The Dead: Remake é o de dar um novo respiro ao gênero praticamente extinto nos dias de hoje. Só a tentativa de trazer algo do gênero já faz valer a tentativa para os mais saudosos – mas leve em consideração tudo o que foi falado aqui.

Infelizmente o Switch não parece ter sido criado para algo do tipo, como foi o Nintendo Wii, e por mais que o jogo tenha seus momentos de adrenalina e nostalgia, o resultado foi e será decepcionante para aqueles que tem sua memória afetiva atrelada às máquinas de arcade e até mesmo as Light Guns dos consoles anteriores.

O jogo foi anunciado para outras plataformas que talvez possam desempenhar melhor a questão da mira (como com o uso do Move), então fique de olho para qualquer novidade.

A análise de The House of the Dead segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

The House of the Dead Remake

Visual, ambientação e gráficos - 6.5
Jogabilidade - 6.5
Diversão - 6
Áudio e trilha-sonora - 7

6.5

Razoável

Por mais que o jogo tenha seus momentos de adrenalina e nostalgia, o resultado foi e será decepcionante para aqueles que tem sua memória afetiva atrelada às máquinas de arcade e até mesmo o Wii ou o Move. É indicado pra os saudosos pelo jogo e do gênero.

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Bruno Degering

Gamer há tanto tempo que usa consoles como referência cronológica para lembranças de sua vida. Amante de Mega Man, Resident Evil e Warcraft. Se gaba por ter zerado Battletoads aos 9 anos mas abandonou Bloodborne com 26.
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