Análise: The Quarry é um show de estereótipos da década de 80

O que te dá mais medo? Caçadores, piadas ruins ou monstros?

A Supermassive Games teve seu primeiro destaque ao trazer Until Dawn, seu jogo de terror no estilo Slasher para o PS4. Desde então ela produziu mais três jogos no mesmo estilo para a série Dark Pictures Anthology e agora traz The Quarry, em parceria com a 2K games, que será o alvo de nossa análise.

Será que o retorno ao estilo Slasher clássico com adolescentes em um acampamento foi uma boa escolha para The Quarry? Confira aqui em nossa análise como o jogo evolui a fórmula presente desde 2015 nos jogos da empresa e se é uma boa pedida para os amantes de jogos de terror.

A análise de The Quarry foi possível graças a um código cedido pela produtora do game. O jogo está disponível para PS5, PS4, Xbox Series, Xbox One e  PC e conta com legendas e dublagem em PT-BR.

Isso, vai lá. Bela ideia….

Um grupo de adolescentes 100% estereótipo

Em The Quarry, você irá controlar sete monitores adolescentes do acampamento de Hackett Quarry. Chegando ao fim do verão e consequentemente ao último dia do trabalho, Jacob (o fortão e bonitão da turma) resolve remover uma peça do carro para que tenha mais uma noitada com sua namorada de verão, Emma (a bonitona e metida do grupo), além de fazer uma última festa com todos seus colegas.

Porém, o que ele não sabia é que coisas muito estranhas acontecem à noite no acampamento após este dia e era vital todos terem saído em segurança. A partir daí, Chris (o responsável do acampamento) manda todos ficarem todos dentro da casa principal e faz prometerem que não irão sair de lá por nada e que não farão nenhum barulho. Ele faz com que Ryan (o nerd do grupo) seja o responsável por todos, se mostrando ansioso com a situação.

Tem alguém ai embaixo?

A partir daí todos esses adolescentes e jovens adultos terão que sobreviver a uma noite de terror que conta também com Abigail (a introvertida), Kaitlyn (a segura de sí), Nick (o galã) e Dylan (o piadista). Para sobreviver você como jogador deverá fazer escolhas em diversas situações e guiá-los para o caminho seguro que além de contar com monstros ágeis e ferozes que lembram lobisomens, eles terão que driblar dois caçadores que nunca fica claro se são amigos ou inimigos e entender que maldição assola a região.

Como podem ver, temos aqui o script perfeito para um filme no estilo Slasher da década de 80. E sendo sincero, isso não é um problema. O que vi como problema foi o roteiro raso e motivações bobas. Todos estão se implicando e querendo se mostrar melhor que o outro. Inclusive vemos piadas do famoso ditado de “quinta série” como em certo momento falam de anais da história e Dylan mete a piada sem graça de “ah ha, anal”. Ou então no início do jogo quando Jacob tem que entrar no chalé principal para pegar as malas e é trancado de fora para ser uma suposta piada super engraçada.

De forma resumida e sem spoilers, a história é competente a partir do momento que a noite cai e fica efetivamente boa quando entendemos a maldição e mais personagens são envolvidos. O problema é que até lá teremos uma introdução lenta de cerca de 2 horas de uma história de personagens que não conseguem convencer e depois mais uma hora e meia para a história efetivamente engrenar e ficar boa.

Decida o rumo de seus personagens

Ambientação e mecânicas

Tirando os personagens clichê, que não irão agradar a todos, nós temos em The Quarry uma evolução nítida na engine utilizada pela Supermassive Games. Neste quinto jogo de terror da empresa, que está sendo feito em conjunto com a 2K pela primeira vez, eu vi melhorias visuais significativas.

A ambientação desse acampamento com suas florestas, deques, trilhas, cabanas e muito mais está excelente. A iluminação é um show a parte que dá maior credibilidade a ambientação deixando tudo mais nítido e realista sejam nos campos abertos como nos corredores escuros. Inclusive, percebi aqui que eles continuaram utilizando a câmera mais perto do personagem, assim como fizeram em House of Ashes aumentando o sentimento de imersão e de terror.

Uma outra melhoria nítida está na captura dos personagens e as texturas de suas roupas e do ambiente. Mais uma vez elogio aqui a equipe de desenvolvimento e a melhora visual. Os modelos dos personagens estão bem mais realistas assim como as texturas estão muito melhores.

Ambientação está fabulosa

Já a parte de mecânicas, bem, não espere algo diferente do que já tenha visto nos outros jogos da empresa. Temos aqui os famigerados quick time events que variam basicamente entre direcionar o analógico para o lado correto ou apertar e segurar o A/X por um tempo específico.

As escolhas estão lá para moldar sua história e escolhas pequenas como abrir ou não uma porta ou algo maior como quem segura a arma irão ter um impacto mais a frente. E sim, neste jogo temos a presença de uma pessoa que te ajuda a contar a história assim como dar um dicas caso deseje. E para este game o curador dá espaço para uma idosa que parece uma bruxa/cigana que irá ler seu futuro através das cartas de tarô que encontrar.

Por falar em escolhas, existe a possibilidade do modo cooperativo, algo já comum nesses jogos e temos uma novidade que é o modo filme. Aqui você irá assistir uma run pré determinada e escolherá se todos sobrevivem, ninguém sobrevive ou pode assumir a cadeira do diretor para decidir o destino de cada personagem.

E por fim, deixo aqui um grande destaque para a trilha sonora que é extremamente bem feita. As músicas se encaixam muito bem seja para os momentos de relaxamento como para os momentos de tensão ou de perseguição. Aqui temos um grande acerto na trilha sonora.

Era para ter uma porta ai?

Chuva de bugs

Depois de ter abordado alguns destaques tanto positivos como negativos nesta análise de The Quarry, chegou a hora de descer a ladeira com inúmeros problemas que encontrei ao longo de minha jogatina.

Antes de mais nada é importante dizer que joguei em meu computador e foi nesta plataforma que encontrei diversos bugs. E até a data em que fiz esta análise, cerca de 10 dias após o lançamento do jogo, ainda nenhum patch de correções havia sido liberado.

Os problemas que encontrei foram os mais variados. Eu vi falta de sincronia na dublagem, dublagem sendo bem diferente das legendas, som deixando de sair em uma fala, portas que nunca apareceram no jogo, problemas de iluminação em pontos específicos e mais. Era comum eu ter minha imersão interrompida por diversas vezes.

Adicionalmente eu reparei que o rigging de alguns personagens não estavam bem feitos em regiões pontuais como olhos e bocas. Muitas vezes fiquei me perguntando se o personagem estava com o olho fechado, sendo que ele estava olhando para baixo. Porém, a sensação era que estava de olhos fechados.

Porém, nada foi pior do que a troca de cenas. Toda vez que a cena era trocada ou para um novo ambiente ou para um novo personagem, a queda de frames era brusca e dava a aparência que o jogo estava congelado por alguns segundos.

E bem, ainda tenho mais dois destaques negativos a fazer aqui. O primeiro é a água que é a pior água que já vi em um jogo. É simplesmente muito ruim mesmo e não consigo entender como um jogo tão bonito graficamente, tem cenas na água tão fracas.

E o segundo é que faltou um carinho com os detalhes do jogo. Por exemplo, Ryan tem um fone que deixa para fora da camisa durante toda a aventura. Em nenhum momento ele tirou o fone para botar no bolso. Ou então, em nenhum momento o fone teve física. Esse foi apenas um exemplo de uma falta de carinho em alguns detalhes do game que melhoraria muito sua imersão ao invés de colar uma grande textura em cada personagem.

Querem uma dica?

Conclusão da análise de The Quarry

Chegando ao fim da análise de The Quarry, eu fiquei realmente intrigado com o jogo. Na parte sonora, visual e de ambientação, fica claro que a Supermassive Games deu um passo à frente e entregou um jogo de melhor qualidade. Esse é sim o jogo mais bonito entregue pela empresa e espero que ela continue evoluindo sua engine para refinar mais as próximas experiências.

Já de outro lado, esse não é apenas o jogo mais bugado que eu já vi da Supermassive Games, porém, o menos inspirado com relação a sua história. Aqui temos personagens muito clichês que é difícil ter empatia por algum deles, afinal fazem piadas muito bobas e a grande preocupação muitas das vezes é ver quem vai beijar quem.

De forma resumida, se você gosta de terror no estilo Slasher e não está buscando uma história elaborada, The Quarry certamente vai te divertir. E enfatizo que quando o terror e a correria começam, o jogo melhora substancialmente. Porém, você precisará de cerca de 3 a 4 horas de muita paciência para engolir piadas e situações toscas para aí sim se deliciar com a boa história que é entregue, por mais tardia que seja feita essa entrega.

Esta análise de The Quarry segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

The Quarry não agradará a todos

Visual, ambientação e gráficos - 8
Jogabilidade - 6
Diversão - 6.5
Áudio e trilha-sonora - 8.5
Roteiro e otimização - 5.5

6.9

Razoável

Se você gosta de terror no estilo Slasher e não está buscando uma história elaborada, The Quarry certamente vai te divertir. E enfatizo que quando o terror e a correria começam, o jogo melhora substancialmente. Porém, você precisará de cerca de 3 a 4 horas de muita paciência para engolir piadas e situações toscas para aí sim se deliciar com a boa história que é entregue, por mais tardia que seja feita essa entrega.

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Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.
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