Análise: Digimon Survive traz uma experiência inédita e incrível dos monstros digitais

Pronto para sobreviver a essa experiência digital?

Anunciado inicialmente em 2018 para o ano seguinte, o jogo de sobrevivência dos monstrinhos digitais sofreu diversos adiamentos. Agora, após 3 anos da sua primeira previsão de lançamento, temos aqui a nossa análise de Digimon Survive! Se a espera de tanto tempo valeu a pena, você poderá descobrir se continuar lendo a nossa análise.

Essa análise de Digimon Survive foi feita graças a um código de Playstation 4 que foi cedido pela Bandai Namco. O jogo está disponível para todas as plataformas e conta com legendas em PT-BR.

Vamos sobreviver!

Digimon Survive começa com a história de um grupo de adolescentes que resolveram passar as férias num acampamento, porém, nada saiu como o esperado. Um acidente de deslizamento em conjunto com o surgimento de uma neve repentina fez com que oito jovens entrassem num túnel e, ao sair do outro lado, nada era mais como eles se lembravam. O local do acampamento mudou e criaturas desconhecidas estavam à espreita.

Aqui temos uma mescla peculiar, pois Digimon Survive consegue representar um “reboot” para a franquia ao mesmo tempo em que mescla algumas características de suspense e terror para deixar o jogo com um clima mais denso.

Da mesma forma que a consagrada animação que assistimos na Globo, em Digimon Survive temos oito personagens principais que são o líder Takuma, Aoi, Minoru, Ryou, Saki, Shuuji, Kaito e Miu. Praticamente os integrantes da equipe são compostas de uma forma similar ao que vimos na série animada, seja pelo número ou pelas personalidades. Por outro lado, o motivo desse jogo poder ser considerado um “reboot”, pois não adota nenhum aspecto da mitologia do universo de Digimon, fazendo com que uma nova mitologia seja desenvolvida especialmente para esse game. Por exemplo, não citam que as criaturas são “seres digitais” ou “digimons”, pois invés disso dão o nome de kemonogamis que numa tradução literal seria “deuses fera” ou algo próximo.

Outro ponto que reforça que Digimon Survive é algo completamente novo vem a ser o “digimundo” que está longe de ser equivalente aos outros jogos e animações que trazem um mundo cheio de referências tecnológicas. O mundo trabalhado nesse jogo é similar ao humano, porém, com diferenças geográficas e muito mais hostil.

Falando em hostilidade, os digimons estão realmente ameaçadores fazendo com que a vida dos personagens esteja o tempo todo em perigo e reforçando a necessidade de sobrevivência neste mundo tão diferente apesar de similar ao nosso.

Suas escolhas tem influências enormes no jogo

Algo que talvez tenha desanimado alguns fãs era que Digimon Survive teria uma forte pegada de visual novel. Ou seja, você iria acompanhar a história lendo o que está ocorrendo e selecionar opções que levaria a narração para uma direção específica. Apesar dele seguir esses moldes, está surpreendentemente bastante livre, pois a narrativa não é linear. Você tem momentos para ir em cenários do jogo (selecionando no menu do mapa) e interagir nessas áreas com os personagens ou tentando descobrir algum segredo. Essa parte é necessária para que você leve o cursor até onde deseja interagir.

Além disso, suas respostas acabam tendo uma influência direta em vários aspectos do game como no desenrolar da história, as evoluções e a afinidade com outros jovens. Isso acontece porque cada alternativa faz com que você ganhe pontos em um dos três carmas que são baseados em harmônico, moral e colérico.

O melhor de tudo é que Digimon Survive veio com legenda em pt-br, fazendo com que ele seja mais acessível para as pessoas que não se dão tão bem com línguas estrangeiras. Inclusive, não tem tantos diálogos desnecessários, fazendo com que todos os momentos tenham importância no desenvolvimento de cada um dos protagonistas.

Apesar de ser visual novel, ainda é um RPG

É inegável que Digimon Survive é um RPG, pois mesmo possuindo tantas mecânicas de visual novel o jogo ainda se mantém fiel às características mais importantes de um RPG. Aqui temos itens, exploração de cenários (mesmo sendo por meio de point and click), administração da sua party e, claro, sistema de batalha. Diferente dos outros RPG’s de Digimon que são baseados em turnos, aqui temos o famigerado sistema tactics que ganhou holofotes depois do sucesso de Final Fantasy Tactics e posteriormente se mostrou presente em franquias como SD Gundam, Super Robot War, Fire Emblem, Disgaea e outros.

É empolgante ver como adaptaram bem a série dos monstrinhos digitais para esse estilo de jogo, onde podemos colocar até seis digimons para enfrentar os inimigos num tabuleiro de vista panorâmica. Durante o turno de cada personagem você pode movimentá-lo, usar um ataque ou item, onde tudo isso é baseado num número determinado de casas que ele poderá percorrer ou alcançar com a sua ofensiva ou suporte, como se fosse um jogo de tabuleiro.

análise Digimon Survive

Cada digimon consegue percorrer uma distância específica, tem golpes próprios e também efeitos passivos de acordo com suas características únicas. Inclusive, há dois tipos diferentes de digimons que estarão te auxiliando nas batalhas: aqueles que são da história e os recrutados.

O primeiro tipo é baseado nos digimons que são companheiros dos personagens humanos. Eles podem evoluir durante a batalha, sempre retornando para a forma “base” no final do combate, eles são ótimos para você ir alternando na evolução de acordo com aquilo que você precisa, entretanto elas gastam uma quantidade de SP, a mana do jogo, no final do turno. O outro tipo, os que são recrutados, não possuem um parceiro humano e quando evoluem permanecem naquela forma até você o evoluir para a próxima e, diferente dos digimons com parceiros, eles não gastam SP por turno.

Ao todo existem 118 digimons, então variedade para a sua equipe não faltará. Apesar de ter todos os clássicos que conhecemos no anime original, há outros bastante peculiares vindo de outras séries. Falando em algo peculiar, os monstrinhos protagonistas têm evoluções bem intrigantes.

análise Digimon Survive

Gráficos e áudio

Os gráficos do jogo são bastante bonitos e com animações fluidas, onde podemos destacar primeiramente o sistema de batalha que traz modelos repletos de detalhes apesar do visual levemente puxado ao “chibi”. Enquanto isso, quando se trata das partes de visual novel, o jogo também consegue se destacar com as animações suaves dos personagens se movimentando como se fosse uma das cenas mais estáticas de um anime. Talvez isso tenha ficado confuso, porém, se trata deles falando e movimentando o rosto, mudando de posição, abrindo e os olhos e movendo a boca de acordo com o que fala. E por que isso se destaca? Simples, pois normalmente jogos assim temos apenas o movimento da boca ou eles parados com uma mudança brusca do modelo indicando como eles estão naquele exato momento.

Sobre o áudio, temos uma dublagem japonesa (e a única disponível no jogo) que está incrível, contudo, esse não é o único destaque de Digimon Survive, pois a trilha sonora consegue passar exatamente a mensagem que o game busca transmitir que é o perigo de estar neste mundo desconhecido. A tensão que a trilha sonora traz consigo deixa a imersão em outro nível.

análise Digimon Survive

Digimon Survive tem defeitos?

Antes de concluir essa análise de Digimon Survive devo dizer que sim, o jogo tem seus defeitos. Apesar da maioria dos seus diálogos não serem desnecessários, os capítulos são demasiadamente longos, onde muitas vezes mais de um acontecimento ocorre num único capítulo. Além disso, há momentos que independente de qual escolha você selecione, o ocorrido será o mesmo, porém, com algumas linhas diferentes de diálogo.

Outro ponto negativo está nos digimons que recrutamos, mas qual o problema deles? Acaba sendo difícil evoluir eles, pois é necessário um item específico que não é fácil de obtê-lo. Um exemplo é que no capítulo 5, após cerca de 15 horas de jogo, eu só tinha conseguido três deste item.

Falei tanto sobre recrutar digimons, mas como acontece? Alguns são durante a narrativa. Por exemplo, curar um Gomamon que apareceu machucado. Porém, o jeito mais tradicional consiste em conversar com os digimons inimigos durante o combate. Eles tem um medidor de alegria e ao conseguir atingir no mínimo o nível 3, será possível pedir para ele se juntar a equipe ou dar um item.

E por que estou falando disso no tópico dos defeitos? Alguns digimons não conseguem manter uma personalidade fixa. Por exemplo, num questionamento eles parecem mais gentis e no outro já demonstram ser mais marrentos. Essa falta de consistência acaba atrapalhando um pouco.

Conclusão da análise de Digimon Survive

Concluindo essa análise de Digimon Survive, temos aqui um jogo fantástico que traz uma releitura inédita dos monstrinhos digitais. Não é uma aventura infantil, pois a Bandai mirou perfeitamente no público amadurecido que ainda ama essa franquia. Pegando temas mais pesados e sóbrios, Digimon Survive vai fazer com que você se apaixone por essa história e sistema de combate viciante. Digimon Survive se destaca como um dos melhores jogos de Digimon ou, até mesmo, o melhor apesar de possuir poucos defeitos

Essa análise de Digimon Survive segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

Digimon Survive é uma obra de arte dos monstrinhso digitais

Visual, ambientação e gráficos - 10
Jogabilidade - 9
Diversão - 9
Áudio e trilha-sonora - 10
Enredo - 10

9.6

Obra de arte

Digimon Survive não é perfeito, mas sem dúvidas é um jogo maravilhoso. Os seus pequenos defeitos não ofuscam como esse jogo é incrível, porém, há diversas características de visual novel que faz com que nem todo jogador curte.

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Anderson Mussulino

Publicitário louco por toda a cultura geek. Redator do Última Ficha e apaixonado por jogos que vem da terra do sol nascente.
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